quinta-feira, abril 29, 2021

Paulo Guedes tenta sempre enganar a opinião pública, mas só consegue iludir a si mesmo

Publicado em 29 de abril de 2021 por Tribuna da Internet

Charge do Nando Motta (humorpolitico.com.br)

Pedro do Coutto

O ministro Paulo Guedes deu mais um show em matéria de negar a veracidade dos fatos, a exemplo de outras várias etapas de sua atuação à frente do Ministério da Economia, como foi o caso do final da tarde de terça-feira na reunião do Conselho de Saúde Suplementar.

Ele acusou a China de ter inventado o coronavírus e, além disso, distribuir a Coronavac sem considerar a maior eficácia da vacina da Pfizer. O ministro não sabia que a reunião estava sendo transmitida através da internet e gravada tanto pela imagem, quanto pelo som das palavras. Foi um desastre absoluto.

RETRATAÇÃO – Segundo o próprio Paulo Guedes disse, foi Bolsonaro quem o chamou, após conhecimento do desastre, para que tentasse repará-lo uma vez que o embaixador da China em Brasília havia manifestado sua perplexidade. Paulo Guedes então convocou uma entrevista coletiva e teve o desplante de dizer que o que ele disse foi mal interpretado e o que foi dito foi um erro, mas sem a intenção de atacar o país asiático.

Paulo Guedes, no fundo, só consegue iludir a si mesmo; todos viram o que ele pronunciou. Na imprensa a repercussão foi enorme. O Globo, a Folha de São Paulo e o Estado de São Paulo deram grande destaque ao assunto porque o absurdo foi tão grande que deixa estupefatas as pessoas que leem jornais e assistem noticiários das emissoras de televisão.

TROCA DE AUXILIARES – Na Folha de São Paulo, a reportagem foi de Ricardo Della Coletta; no Estado de São Paulo, de Mateus Vargas;  no O Globo, de Manuel Ventura, Geraldo Adoça e Jussara Soares, que realçaram também o fato de Paulo Guedes ter trocado seis auxiliares diretos, entre os quais o secretário do Tesouro Nacional, Waldery Rodrigues Júnior e apresentou como desculpa que as substituições em sua equipe foram uma resposta às pressões que ele recebe do Congresso Nacional para traçar os rumos econômicos do país.

Mais uma falsa afirmação do ministro. Ele não trocou titulares de sua equipe por pressão parlamentar, até porque os substitutos são também integrantes do Ministério da Economia. Assim, a transferência de responsabilidade quanto às mudanças não são verdadeiras.

Se fossem, os deputados e senadores teriam feito as indicações para as modificações ocorridas, investido seus representantes no universo econômico e financeiro. Nenhum deputado ou senador indicou qualquer nome para suceder aqueles que deixaram o governo.

POLITIZAÇÃO – Além do mais, dizer que fez substituições por pressão política é justamente o contrário do que ele sempre sustentou no sentido de não politizar a esfera técnica que o acompanharia em seu projeto global.

Aliás, falar em projeto global não é falar em Paulo Guedes, pois ele até hoje não apresentou nenhum projeto amplo capaz de sair do papel e das telas dos computadores para a realidade. O ministro da Economia, por exemplo, há um ano e meio anunciou que a Reforma da Previdência iria permitir uma economia anual de R$ 100 bilhões, o que iria redundar ao fim da década em R$ 1 trilhão.

Era de fato uma promessa impossível de cumprir, tanto porque o governo apresentou um déficit primário no ano passado e este ano as perspectivas são de outro fracasso.

SEM ACERTOS –  Com Paulo Guedes à frente da Economia, na minha opinião, o governo Bolsonaro não acerta uma, caminhando entre o Alvorada e o Planalto sem conseguir superar e demover os obstáculos tanto políticos quanto econômicos que lhe marcam o difícil caminho. Paulo Guedes dificulta ainda mais a atuação de Jair Bolsonaro.

Politizar a equipe econômica é um absurdo de tal porte que deixou atônitos os integrantes sobreviventes do grupo que não consegue navegar no rumo certo. Paulo Guedes, na realidade, conforme disse antes, só consegue iludir a si mesmo.

Na Folha de São Paulo, Fábio Pupo e Thiago Resende publicaram com destaque uma reportagem acentuando as palavras de Paulo Guedes que, uma vez proferidas no espaço, voltam-se contra ele próprio. Em cada lance de dados em Brasília, Paulo Guedes sai mais fraco do que antes na tentativa de colocar na sombra as imagens negativas que ele gera. Ele, enfim, é um ilusionista que tenta recorrer à mágica, uma vez que esta é exatamente o oposto da lógica.

CPI – Falta lógica, aliás, a todo governo. Vejam por exemplo o esforço que os bolsonaristas desenvolvem para tentar obstruir a CPI da Covid e as responsabilidades que permitiram que a situação alcançasse o patamar em que se encontra.

Se o governo estivesse firme ao lado da verdade não teria porque temer a investigação de seus atos. Mas não, ele age totalmente em sentido oposto. Quer bloquear a Comissão Parlamentar de Inquérito. Ela começa na próxima terça-feira e o primeiro a ser ouvido, como se esperava, será o ex-ministro Henrique Mandetta que tem muito o que falar. A situação do governo é péssima. Após as palavras de Paulo Guedes, acho que ficará ainda pior.

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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