quarta-feira, abril 28, 2021

Em pânico diante da CPI, governo Bolsonaro deixa claro não ter base militar para um golpe

Publicado em 28 de abril de 2021 por Tribuna da Internet

Charge do Nani (nanihumor.com)

Pedro do Coutto

A tentativa do Planalto de atrapalhar a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar erros e omissões do governo no combate ao coronavírus não deu resultado positivo. Um absurdo recurso que a deputada Carla Zambelli imaginou que desse certo.

Zambelli apresentou à Justiça Federal do Distrito Federal um recurso solicitando ao juiz Charles Renaud Frazão de Moraes a correção da própria decisão. Na segunda-feira, o magistrado determinou que o nome de Renan Calheiros não fosse levado “à votação para composição da CPI da Covid-19 na condição de relator”. Zambelli queria que o magistrado esclarecesse que o impedimento de Renan fosse válido no caso de indicação do parlamentar para relatoria, e não de votação.

PROMESSA A MORO – Carla Zambelli é exatamente aquela parlamentar que telefonou para o ex-ministro Sergio Moro tentando influenciá-lo em uma decisão e prometendo ao mesmo tempo agir junto a Bolsonaro para que fosse nomeado para o Supremo Tribunal Federal na vaga a ser aberta com a aposentadoria de Marco Aurélio Mello. A primeira vaga que decorreu da aposentadoria de Celso de Mello foi preenchida por Nunes Marques. Mas esta é outra questão.

A crise que envolve o Palácio do Planalto a cada dia se torna mais densa e mais intensa com os fatos se acumulando e que na imprensa são colocados à disposição da opinião pública brasileira, portanto junto aos eleitores e eleitoras.

PÂNICO – Os acontecimentos das últimas 48 horas destacam bem o pânico do presidente da República e a sua tentativa impossível de obstruir as investigações. A CPI se instalou sob a Presidência do senador Omar Aziz e já começou a tratar do roteiro a ser seguido, o qual estabeleceu que o primeiro a depor será o ex-ministro Henrique Mandetta, o segundo depoimento será o de ex-ministro Nelson Teich, o terceiro, de maior impacto, o do ex-ministro Eduardo Pazuello que, no domingo, foi fotografado entrando sem máscara em um shopping de Manaus.

A foto de Pazuello sem máscara causou impacto. Uma senhora dirigiu-se a ele lembrando a necessidade do uso da proteção. Pazuello piorou ainda mais a situação do governo.

CONTA CONGELADA – General Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, novo comandante do Exército, nomeado pelo ministro da Defesa, Braga Netto, congelou sua conta no twitter dizendo que assim agia para não participar de manifestações políticas que são vedadas aos militares da ativa.  

A reportagem é de Marcelo Godoy, o Estado de São Paulo, que acrescenta que o general Paulo Sérgio deixou claro que o seu comportamento a frente do comando será igual ao realizado pelo general Edson Pujol, afastando o uso militar para atitudes que colidam com a Constituição e com a democracia.

SEM APOIO – Informei no início deste artigo que o presidente Jair Bolsonaro não tem apoio do Exército para uma tentativa de golpe e de uma ditadura com ele à frente, como pediram as manifestações de apoiadores em Brasília, na Avenida Paulista e na Praia de Copacabana recentemente.

Acrescento; se o presidente Bolsonaro tivesse apoio das Forças Armadas para isso já teria desfechado o ato de força. Só não desferiu o golpe porque não tem respaldo para tal atitude antidemocrática.

CONIVÊNCIA DE SALLES – Em declarações a Bruno Goés, O Globo, Alexandre Saraiva, ex-superintendente da Polícia Federal na Amazônia, demitido do cargo por ter acusado Ricardo Salles de conivência com desmatadores, disse que o ministro do Meio Ambiente tentou legitimar a ação dos criminosos, buscando transformar o ilegal em legítimo.

Alexandre Saraiva pretende denunciar Ricardo Salles no Supremo Tribunal Federal. Saraiva colocou na iniciativa o pedido de atenção para o fato de os proprietários dos 200 mil metros cúbicos abatidos não terem se apresentado até terça-feira para retirar. Se ninguém quer assumir a propriedade, o que pode dizer a respeito o ministro Ricardo Salles? Na minha opinião Salles não poderá ser mantido no cargo. Os ataques vêm de todos os lados e suas ações repercutem em vários países.

IGUALDADE DE SALÁRIOS –  Matéria de Camila Tortelli, Estado de São Paulo, e Fernanda Trisotto, no O Globo, focalizam os rumos do projeto que estabelece a absoluta igualdade de salários entre homens e mulheres que exerçam funções idênticas, tanto nas empresas estatais, quanto nas empresas privadas, e também no funcionalismo público.

O projeto foi aprovado pela Câmara e no Senado recebeu emenda. Por um equívoco qualquer, o projeto de lei foi enviado ao Palácio do Planalto. O presidente Jair Bolsonaro tinha prazo até ontem, terça-feira, para sancioná-lo ou vetá-lo. Mas surgiu um fato imprevisto: tendo sido emendado no Senado, a proposição teria que retornar à Câmara , o que não aconteceu. Agora, a matéria retornará à Câmara para uma nova apreciação final, o que deve ocorrer na próxima semana.

A matéria é extremamente importante e inclusive está prevista na Consolidação das Leis do Trabalho, instrumento legal que se aplica a todas as empresas estatais e particulares do país. No que se refere ao funcionalismo, a igualdade é assegurada pelo Estatuto dos Servidores Públicos. Nos dois casos, a iniciativa é legítima. Inclusive na Constituição do Brasil a igualade de sexo é assegurada.

VALORES ESQUECIDOS – Enquanto isso, o repórter William Castanho, Folha de São Paulo, revela que R$ 3 bilhões encontram-se esquecidos nas Justiça do Trabalho em diversas contas em relação às quais o poder público está procurando os donos. Seria interessante que os nomes dos trabalhadores e trabalhadoras fossem divulgados, sobretudo porque podem se verificar casos de heranças.

O legado trabalhista brasileiro na administração Bolsonaro é um desastre: os preços estão subindo e os salários descendo. Disse descendo porque na realidade não se encontram congelados. Congelados eles estariam se fossem reajustados pela inflação.

Não sendo, eles vão perdendo seu poder de compra. O ministro Paulo Guedes que compra tantas ideias está esquecendo de um princípio de que Keynes, cuja obra Paulo Guedes diz ter lido no original.

DECLARAÇÕES – Ainda sobre Paulo Guedes, as suas declarações de ontem sobre a eficácia da vacina chinesa e a acusação de que chineses inocularam o vírus da pandemia são completamente absurdas e o colocaram pessoalmente muito mal na questão por sua leviandade e despropósito. Isso de um lado.

De outro, iniciou a demolição do governo Bolsonaro que já pressionado pela CPI da Covid-19, agora ainda por cima terá que enfrentar as consequências do que Paulo Guedes verbalizou. Além da agressão à China, ele agrediu todos os brasileiros que já foram vacinados com a Coronavac. Na minha opinião, Paulo Guedes deve ser demitido ainda hoje pelo presidente da República.

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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