quarta-feira, setembro 12, 2012

2004 E 2012

O noticiasdosertao divulgou que Gilson Fernandes desistiria de sua candidatura a prefeito para com mais sua coligação e os Negromontes prestar apoio a candidatura de Sônia Caíres a consolidar o bloco das oposições e fazer frente à candidatura de Anilton Bastos. Segundo o redator do jornal eletrônico “a expectativa agora é saber se essa retirada de candidatura vai surtir o efeito que obteve as oposições em 2004”.
A história embora seja cíclica por sua própria dialética não se repete e as circunstâncias de 2004 são diversas das circunstâncias de 2012.  
O novo eleitor adolescente de Paulo Afonso de 1012 no ano de 2004 tinha apenas 08 anos de idade e hoje não tem a menor ideia da história política de Paulo Afonso e o que se passou em 2004, o mesmo se dizendo em relação aqueles que em 2004 estavam com a idade entre 10 e 14 anos.  
Com a redemocratização da vida política brasileira Paulo Afonso voltou a eleger o seu Prefeito e em 1885 foi eleito José Ivaldo de Brito Ferreira cuja votação foi superior a soma das votações obtidas por Luiz de Deus e Pe. Alcides, então candidatos do PFL e do PT, respectivamente. 
Depois do mandato de Zé Ivaldo lhe sucedeu Luís de Deus para um mandato de 04 anos que por sua vez foi sucedido por Anilton Bastos, mandato também de 04 anos, que por sua vez foi sucedido por Paulo de Deus que foi eleito e reeleito, 08 anos, terminando o ciclo em 2004 quando Raimundo Caíres foi eleito prefeito derrotando Wilson Pereira e administrou até 2008.
Em 2004 Zé Ivaldo era candidato a prefeito e desistiu dela para apoiar Raimundo Caíres que foi eleito e naquela ano Zé Ivaldo e Raimundo Caires vinham de uma mesma base política e com discursos aproximados, de forma que a união de forças não resultou defecções entre seus seguidores, exceto a de Ademar que era o tesoureiro da Campanha de Zé Ivaldo. O ato de apoio de Zé Ivaldo a Raimundo além de transferir votos, causou um reflexo psicológico altamente positivo ao eleitoral que entendia que unidas às oposições venceriam as eleições.
Embora a retirada da candidatura de Zé Ivaldo e o apoio dispensado a Raimundo tenha sido relevante para a vitória de Raimundo Caíres, isso foi muito importante sem que se possa dizer que isso fosse o fator determinante. Naquela eleição se uniu a fome com a vontade de comer. O modelo político-administrativo de 16 anos se exaurira e isso levou ao cansaço e a população exigia mudança.  Nos 16 anos iniciados em 1989 e que se prolongou até 31.12.2004 houve uma revolução urbana na cidade, foi melhorada a prestação de serviços e lançados programas que deu certo como o da tilápia, sem que depois disso nada mais fosse oferecido. 
Ao tempo que o modelo político-administrativo investiu na urbanização da cidade e na melhoria dos serviços públicos, o modelo dos 16 anos se exauria pelo centralismo político, pela falta de abertura de diálogo com a comunidade e da participação popular nas decisões, acentuando-se a ausência de políticas públicas voltadas para o social.  A falta de renovação de lideranças políticas foi outro fator e isso ficou bem visto quando para concorrer com a reeleição de Raimundo Caíres o candidato escolhido foi Anilton Bastos que 12 anos antes fora o prefeito. Em 2004 o projeto Wilson Pereira não decolou.
Entre 2004 me 2012 as circunstâncias são diversas. Em 2004 quando Zé Ivaldo apoiou a candidatura de Raimundo ele transferiu votos que foram determinantes para a vitória e naquele pleito concorreu também Vavá Ferraz que obteve mais de 5.000, o que alterou substancialmente o quadro político eleitoral. Além disso, havia o exaurimento do modelo político-administrativo de 16 anos.
Se em 2004 Zé Ivaldo e Raimundo Caíres vinham de uma mesma base política e com discursos assemelhados, agora em 2012 isso não acontece e os autores atuais têm entre si divergências políticas e pessoais, assomando-se ao fato de que em 2004 o modelo político-administrativo já vinha de 16 anos, enquanto agora Anilton vem de um mandato de 04 sem o cansaço do modelo político-administrativo, sem falar que depois das administrações Lula e agora de Dilma por intermédio dos Municípios, o Governo Federal executa inúmeros programas sociais e da saúde que dão outro perfil no diálogo prefeito X comunidade.
Gilson Fernandes mesmo com baixa intenção de votos e possível futura inexpressiva votação poderia dar continuidade a sua campanha como um visionário, sem adesão, já que sua ida para a candidatura de Sonia Caíres não acrescentou e nem carreou votos para ela. Se ela tiver votos para ganhar as eleições estes serão delas. Na verdade, Gilson Fernandes não foi voluntariamente apoiar Sônia Caíres, ele foi forçado pelos candidatos a vereadores pela coligação PP-PSB e outros que anteviam a possibilidade de no máximo eleger um vereador, um fiasco. 
No sábado último no palanque do comício de Deri em Jeremoabo eu disse para Mário e Val que essa junção não levaria a nada. Se projeto-político houver para ser pensado, se pense para 20016.
Quando Zé Ivaldo retirou sua candidatura para apoiar Raimundo, eu que mesmo ciente de que naquelas eleições Zé Ivaldo não teria chance de se eleger, estava com ele e votaria com ele e como ele desistiu dei meu voto a Raimundo, apenas o meu voto, sem qualquer outra contribuição na campanha.
Depois de Raimundo eleito prefeito somente estive com ele quando a Câmara Municipal inventou um golpe para afastá-lo e a Câmara de Paulo Afonso gosta de golpe, no ano de 2011 deu outro. Daquele momento até o final do mandato estive com Raimundo e testemunhei uma das mais sórdidas campanhas contra um homem público em Paulo Afonso cuja campanha ultrapassou o plano político-administrativo para se alojar na honra de Raimundo que foi batida diuturnamente sem dó ou piedade. 
Mesmo sendo Sônia Caíres à candidata, sua candidatura é resultado da liderança política de Raimundo Caíres, seu esposo, ex-prefeito e que quando candidato a deputado auferiu em Paulo Afonso uma votação superior a 14.000. Na há como se pensar no palanque de Sônia sem Raimundo Caíres e com Raimundo nele não há como pensar que ali estejam quem também o ofendeu, de forma  que se todos estiverem presentes, alguém com honra sentirá náuseas e terá que correr para o lado do palanque.  
Na eleição de Luís de Deus com Gilvo de Castro a diferença foi pouca, o mesmo acontecendo na eleição de Anilton, 1º mandato. Nas eleições de Paulo de Deus concorreram anticandidatos e a vitória de Raimundo sobre Wilson foi por margem estreita, o mesmo acontecendo na vitória de Anilton sobre Raimundo. Nas próximas eleições minha impressão é de que oposição dará uma guinada história ou tomará de lapada como a enterrar sonhos  e forçar o surgimento de um futura fênix.
Para ganhar ou perder será preciso fazer isso com honra.


 RUPTURA. Urna, bumbum de criança e cabeça do juiz o resultado só se sabe depois, não tem jeito. No sábado estive no palanque do comício de Deri e fiquei espantando com a participação popular. Foram mais de 10.000 pessoas presentes. Pelo andor da carruagem em Jeremoabo poderá acontecer a “queda da bastilha” (a bastilha era uma prisão na França que simbolizava toda a podridão dos governantes e na revolução francesa foi destruída pela populaça). Fique  alerta!(Nosso grifo)
Paulo Afonso, 12 de setembro de 2012.

Fonte/Chages - http://seligmontividiu13.blogspot.com.br





Um relatório memorável!

José Carlos Werneck
Deixando de lado as preferências político-partidárias e guardando-se a devida e sempre recomendada “distância emocional dos fatos” (royalties para a brilhante jornalista Leda Flora), há de se ressaltar o trabalho hercúleo do eminente ministro Joaquim Barbosa, na elaboração do relatório do processo do Mensalão.
Barbosa é um exemplo









 

Saúde: Mulheres poderão receber vacina contra HPV na rede pública

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Político foi intimado a explicar a razão para R$ 360 mil em casa

 

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A Justiça do Rio de Janeiro determinou que a empresa de TV por assinatura Sky deixe de cobrar pela instalação e utilização de pontos adicionais. Em caso de descumprimento, a empresa pode ser condenada a pagar multa diária de R$ 10 mil. Saiba mais na Coluna Justiça.

 

Mutirão do TRE-BA quer julgar 500 processos até o fim da semana

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Foto: Divulgação/ TRE

Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo repudia censura a pesquisas eleitorais

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Não há registros na Bahia de proibição de divulgação de consultas

 

Multas de trânsito podem virar simples advertências

Lei deve entrar em vigor no dia 1° de janeiro de 2013, mas é válida apenas para infrações leves e médias

ReproduçãoMultas de natureza leve e média pode ser convertida em advertência por escritoMultas de natureza leve e média pode ser convertida em advertência por escrito
LAÍS FERREIRA

A partir de janeiro do próximo ano, os motoristas que forem multados no trânsito com infrações de natureza leve e média, poderão recorrer do valor junto ao Departamento Estadual de Trânsito (Detran). No entanto, a medida restringe o benefício apenas a condutores que não foram autuados nos últimos doze meses, que antecederam a multa.

O objetivo seria aplicar sanções educativas aos motoristas. O coordenador de trânsito da Secretaria de Trânsito e Transportes Urbanos (SMTU), Rogério Taques, explicou que o condutor que não cometeu nenhuma infração grave no último ano, poderá ser orientado, ao invés de receber multas que variam entre R$ 53 e R$ 85.

“Quando a pessoa entra com um pedido para anular a multa, um dos dados que checamos é a reincidência. É preciso saber se aquele condutor, que entrou com a solicitação, cometeu a mesma infração nos últimos 12 meses. Caso não tenha cometido, o auto de infração poderá ser anulado”, esclarece.

No entanto, Taques reforçou que aqueles que foram multados recentemente, não terão direito ao benefício. “Caso a autoridade de trânsito entenda que a medida mais educativa não é a aplicação da penalidade de advertência, poderá aplicar a penalidade de multa, já que o condutor já foi multado anteriormente”, disse.

A lei deveria ter entrado em vigor no final de 2010, contudo, a resolução 363 foi prorrogada sob o argumento de dificuldades em disponibilizar os dados dos motoristas no sistema interno do Detran. Com isso, a deliberação 115/2011 adiou os efeitos da decisão. A data de vigência foi então prorrogada para 1º de julho de 2012 sendo, novamente prorrogada para o dia 1° de janeiro do próximo ano.

O processo para multar um infrator seria complexo e, para que a medida fosse cumprida, precisaria primeiramente de uma deliberação do Departamento Nacional de Transito (Denatran) e do Conselho Nacional de Transito (Contran) que, segundo Taques, precisam disponibilizar os dados dos motoristas e da carteira de habilitação em rede, já que hoje apenas o Departamento Estadual de Trânsito (Detran) possui.

“A lei ainda não entrou em vigor por conta da dificuldade em disponibilizar os dados do motorista. É preciso ter acesso para consultar o antecedente de trânsito de cada um. No entendimento do coordenador, o ideal seria que os órgãos competentes como a Secretaria de Trânsito e Transportes Urbanos (SMTU) e o Detran firmassem uma espécie de convênio para que os dados necessários fossem consultados.

COMO AGIR

Ao ser multado, o motorista que se sentir lesado e tiver bons antecedentes no trânsito deve procurar a partir do próximo ano, a SMTU no prazo de trinta dias após o auto de infração, e levar a xerox da carteira de habilitação e a notificação da multa. Após isso, se o processo for analisado e aprovado, o condutor receberá pelos Correios uma advertência por escrito.

A aplicação da Penalidade de Advertência por Escrito deverá ser registrada no prontuário do infrator e com isso, impedirá que a mesma medida seja tomada em uma próxima infração de trânsito, pois será considerado reincidente.

Atualmente a Comissão de Defesa de Autuação da SMTU tem 10 pedidos para a conversão de multa leve ou média em advertência por escrito.

Senhores senadores

Percival Puggina


Divulgação

Onze candidatos a prefeito já foram barrados pela Lei da Ficha Limpa na Bahia

Do total, quatro postulantes são do recém-criado PSD; em todo o país, 317 candidaturas de prefeitos foram rejeitadas com base na lei de iniciativa popular que prevê empecilho para candidatos que têm pendências com a Justiça; o partido campeão nos indeferimentos é o PSDB: 56
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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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