sábado, fevereiro 07, 2026

O Brilho Incomoda, Mas a Verdade Permanece

 

O Brilho Incomoda, Mas a Verdade Permanece

Por José Montalvão

Desde o nascimento deste Blog, mantive uma linha clara e inegociável: independência. Na gestão passada, permaneci fiel a esse princípio. Não me curvei a conveniências políticas, não me deixei seduzir por cargos, favores ou elogios fáceis. Segui apenas o compromisso com a verdade, com a crítica responsável e com a defesa daqueles que, muitas vezes, não têm voz.

Essa postura, como era de se esperar, incomodou.

Incomodou bajuladores do ex-prefeito. Incomodou aqueles que, sob o manto da impunidade, acreditam que a imprensa deve servir como instrumento de aplauso, e não de fiscalização. Incomodou os que confundem lealdade com submissão e transparência com afronta. Tentaram, de todas as formas, desqualificar o trabalho sério. Tentaram amordaçar quem ousava tornar público aquilo que muitos preferiam manter nos bastidores.

Mas os cães ladram, e a caravana passa.

Houve momento em que a imbecilidade ultrapassou todos os limites do razoável. Certos “representantes do povo”, carentes de preparo intelectual e incapazes de sustentar um debate no campo das ideias, tiveram a insensatez de classificar este Blog como “de quinta categoria”. Não foi crítica técnica. Não foi contraponto argumentativo. Foi apenas o reflexo da ignorância e da falta de conteúdo para o bom combate democrático.

Nada disso me atingiu.

Aprendi cedo que o brilho incomoda. Quem tem luz própria frequentemente provoca desconforto em quem se acostumou à escuridão. Muitas críticas não nascem de erros reais, mas do incômodo que a independência causa. Quando a palavra é livre e fundamentada, ela se torna ameaça para quem vive de narrativas frágeis.

Continuei trabalhando. Continuei divulgando informações. Continuei defendendo os sem voz. Continuei exercendo o papel que entendo ser o verdadeiro sentido da comunicação: informar, questionar, provocar reflexão e cobrar responsabilidade dos que exercem poder.

E o tempo — sempre ele — se encarregou de responder.

Ao revisar recentemente a caixa de e-mails, em meio às correspondências acumuladas, deparei-me com uma mensagem da plataforma Academia.edu informando que 337 artigos mencionam nosso nome, incluindo textos na área de Humanidades utilizados por acadêmicos e universidades de vários países.

Confesso que foi um momento de profunda gratificação.

Saber que ideias publicadas aqui, muitas vezes escritas sob críticas e ataques, ultrapassaram fronteiras e estão sendo utilizadas em estudos acadêmicos internacionais é a prova de que o trabalho sério encontra seu caminho. Hoje, tenho a dimensão de que aquilo que foi tratado com desdém por alguns ecoa em espaços de reflexão intelectual pelo mundo.

Isso não é vaidade. É reconhecimento.

Reconhecimento de que a palavra tem força. De que a independência vale a pena. De que a coerência, mesmo quando solitária, constrói legado. Se antes eu escrevia sem saber quem estava lendo além das fronteiras locais, agora sei que minhas ideias dialogam com pesquisadores e estudiosos de diferentes países.

Aos que tentaram diminuir, fica a lição: o tempo é o melhor juiz.

Aos que acompanham, apoiam e compreendem o papel da imprensa independente, fica minha gratidão.

Seguirei na mesma linha. Sem perseguição, sem bajulação, sem medo. Porque a liberdade de expressão não é concessão de governo; é princípio. E enquanto houver injustiça, desinformação ou tentativa de silenciamento, este espaço continuará aberto.

O brilho pode incomodar, mas não se apaga.

 José Montalvão -  Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública,  pós-graduação em Jornalismo proprietário do Blog DedeMontalvão, matrícula ABI C-002025

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