sábado, fevereiro 07, 2026

Pais de jovem contaram a mulher de ministro do STJ sobre relato de assédio, mostram mensagens

 

Pais de jovem contaram a mulher de ministro do STJ sobre relato de assédio, mostram mensagens

Por Rogério Pagnan e Bruno Ribeiro, Folhpress

07/02/2026 às 19:46

Foto: Emerson Leal/Divulgação STJ/Arquivo

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O ministro Marco Aurélio Buzzi, durante evento em Brasília

Os pais da jovem que acusa o ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça) Marco Buzzi de importunação sexual relataram o caso à mulher dele horas após o episódio, segundo depoimentos e mensagens apresentadas à Justiça as quais a Folha teve acesso.

Segundo as mensagens, a reação imediata da esposa do magistrado, Katcha Buzzi, foi se mostrar incrédula com a notícia. "Não sei o que dizer. Nunca imaginaria isso", afirmou. "Está difícil, acabou com minha vida."

A jovem de 18 anos, seu pai e sua mãe prestaram depoimento à Polícia Civil de São Paulo, que apura o caso que, de acordo com a família, ocorreu em 9 de janeiro, na praia do Estaleiro, em Balneário Camboriú (SC), onde Buzzi tem uma casa.

Katcha, em nota à reportagem, afirmou que, "ao contrário do que se afirma, as mensagens publicadas demonstram meu descrédito, com o registro de que tais acusações não seriam possíveis nem nos meus piores pesadelos".

"Temos 43 anos de uma sólida e respeitosa união familiar. Reafirmo que eu e minhas três filhas estamos firmes em apoiar o meu marido por não acreditarmos na veracidade dessas acusações."

A jovem e os pais dela afirmaram que, ao sair do mar, após relatar ter sido agarrada e tocada pelo ministro, ela correu para a casa em que estavam hospedadas. Contou em detalhes o ocorrido ao pai, que, por sua vez, chamou a mãe e a informou.

Eles deixaram a casa imediatamente e, no carro, o pai decidiu mandar uma mensagem no grupo que os dois casais mantinham, explicando o motivo da saída. A família era amiga de Buzzi e, de acordo com o depoimento da jovem, ela via no ministro um "avô e confidente" até o episódio. O magistrado tem 68 anos.

À polícia o pai da jovem disse que ela ficou "extremamente abalada, chorando de forma contínua e demonstrando desespero" após contar o caso. Disse ainda que, depois de ouvir o relato, a acalmou, pediu que ela arrumasse as coisas e tomasse um banho, porque estavam indo embora.

Já a mãe declarou que, depois de o marido procurá-la, foi até a jovem, tentou acalmá-la e a ajudou a fazer as malas. Ela também afirmou que deu uma desculpa para sair da casa, dizendo que a sogra havia se acidentado, mas que Buzzi perguntou se o problema era com a sogra mesmo "ou com a menina", em referência à filha.

Ainda segundo o depoimento da mãe, ela disse ao ministro que ele sabia o que havia feito. A conversa por aplicativo, em que o pai da jovem relatou no grupo o que estava acontecendo, ocorreu entre a casa e o aeroporto, antes do retorno a São Paulo.

A troca de mensagens incluiu um relato da própria jovem, que acusou o magistrado de agarrá-la dentro do mar. Como mostrou a Folha, ela afirmou à polícia que conseguiu se afastar após algumas tentativas do ministro de puxá-la e que ele disse posteriormente que ela deveria ser "menos sincera".

Nove dias depois, a mulher do ministro mandou nova mensagem ao casal pondo em dúvida o relato, sob argumento de que a jovem teria "problemas emocionais" e "extrapolou o razoável". Também afirmou que, dos 47 anos em que conhecia o ministro, "nunca ouvi ou soube de nada parecido" com o que se relatou.

Na mensagem, a advogada disse ainda que Buzzi "é professor e convive diariamente com jovens" e que nunca houve o que chamou de "ruído de abordagem" como no caso descrito pela filha do casal.

Em nota divulgada na quarta-feira (4), o ministro afirmou que "foi surpreendido com o teor das insinuações divulgadas por um site, as quais não correspondem aos fatos". Ele disse ainda que repudia "toda e qualquer ilação de que tenha cometido ato impróprio". Nesta sexta (6), sua defesa pediu respeito ao processo legal e apontou o que chamou de tentativa de julgá-lo e condená-lo sem investigação.

Buzzi obteve licença médica depois da divulgação do caso. O STJ abriu uma sindicância para tratar do tema.

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