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Ao antecipar anúncio de chapa, Wagner teria evitado que Lula avalizasse troca de Jerônimo por Rui em viagem à Índia

 

Ao antecipar anúncio de chapa, Wagner teria evitado que Lula avalizasse troca de Jerônimo por Rui em viagem à Índia

Por Política Livre

21/02/2026 às 11:36

Atualizado em 21/02/2026 às 16:50

Foto: Ricardo Stuckert / PR

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Ao desautorizar publicamente Jerônimo Rodrigues (PT) e anunciar a chapa do governo à sucessão estadual numa entrevista a uma rádio no interior, ontem, o senador Jaques Wagner (PT) atuou para abortar uma trama que visava substituir o governador pelo ministro Rui Costa (Casa Civil) como candidato do grupo ao Palácio de Ondina.

A informação foi passada a este Política Livre agora pela manhã por fontes ligadas ao PT e aos três políticos. Segundo elas, Wagner passou a temer que, influenciado por Rui, o presidente Lula convencesse Jerônimo a abrir mão de disputar a reeleição em favor do ministro, durante uma viagem que os três fazem, neste momento, à Índia.

A própria escalação de Jerônimo por Lula para participar da comitiva teria levado o senador petista a desconfiar de que estivesse em curso uma operação neste sentido. Ao antecipar o anúncio sem a presença de Jerônimo, ainda que mantendo na chapa um vice fraco como Geraldo Jr. (MDB), Wagner considerou que conseguiria sustar qualquer articulação por mudança.

Considerada extrema, a atitude foi interpretada pelas mesmas fontes como uma demonstração de que a animosidade política entre Wagner e Rui, negada de público pelos dois, só vem se agravando, estimulada pelo grau de inimizade das duas ex-primeiras damas Fátima Mendonça e Aline Peixoto, pivô dos desentendimentos entre os dois políticos.

As especulações em torno da substituição de Jerônimo pelo ministro como candidato do grupo ao governo circulam desde o ano passado, incentivadas por pesquisas de opinião para consumo interno que apontariam o favoritismo do candidato das oposições ao governo ACM Neto (União) e a fragilidade da candidatura de Jerônimo à reeleição.

Os números teriam sido levados diretamente por Rui a Lula, preocupando imensamente o presidente, para quem o fraco desempenho de Jerônimo poderia atrapalhar sua campanha na Bahia e sua vitória nacional. Como as mesmas sondagens mostram que Rui é eleitoralmente o político mais forte dos três petistas, o ministro teria passado a defender sua candidatura em Brasília.

Antes da viagem ao Exterior com Lula e Jerônimo, Rui teria procurado o deputado federal Diego Coronel (PSD) para pedir que seu pai, Angelo Coronel (PSD), retardasse o anúncio de sua candidatura à reeleição ao Senado na chapa de Neto sob o argumento de que mudanças ainda poderiam acontecer do lado governista que levassem o senador a repensar o rompimento.

Na prática, se assumisse a candidatura ao governo, Rui poderia negociar com Coronel sua manutenção na chapa como candidato à reeleição ao lado de Wagner. O senador é apontado como o responsável pela saída de Coronel do grupo, depois que decidiu concorrer de novo ao Senado, rompendo um trato que fizera com o próprio ministro na campanha de 2022.

Um possível retorno do ministro ao governo preocupa Wagner porque ele e seu grupo político controlam a gestão hoje, condição que desaparecia na eventualidade de um novo governo de Rui, em cujas gestões à frente do Estado o senador petista ficou, segundo relatos, a pão e água.

Trocando em miúdos, é como se hoje Wagner temesse mais Rui do que Neto ou considerasse os dois produtos do mesmo material.

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