sábado, fevereiro 07, 2026

Mudança de discurso ou coerência de postura? O exemplo que veio de Gandu

 Mudança de discurso ou coerência de postura? O exemplo que veio de Gandu


Por José Montalvão


Ainda bem que o período eleitoral oficialmente não começou. Porque, se já tivesse começado, estaríamos assistindo ao velho roteiro: discursos inflamados sobre “mudança”, promessas genéricas de renovação e ataques automáticos ao governo federal. A palavra da vez da oposição é “mudar”. Mas mudar como, se muitos dos protagonistas são os mesmos camaleões políticos que apenas trocam de partido, preservando os mesmos métodos e práticas?

Na contramão desse discurso vazio, um episódio ocorrido em Salvador, durante a cerimônia de entrega de ambulâncias e equipamentos do Novo PAC Saúde, trouxe um contraste importante. O pronunciamento da prefeita de Gandu, Daiana Santana, a Dai de Léo de Neco, foi mais que uma fala protocolar: foi um testemunho político e social.

Enquanto parte da oposição constrói sua narrativa na negação sistemática do presidente Lula e das políticas federais, a prefeita de Gandu fez questão de reconhecer publicamente o impacto dessas ações na vida real das pessoas. Em um discurso emocionado, relembrou sua origem humilde, vinda do campo, o esforço para estudar e se formar, até chegar ao cargo de prefeita. Sua fala não foi ideológica no sentido partidário estreito; foi experiencial. Ela conectou a própria trajetória às oportunidades geradas por políticas públicas inclusivas.

Ao declarar:
“O senhor já está eternizado no coração de todo o Brasil, mas principalmente está eternizado no coração daquelas pessoas que, assim como eu, foram marcadas por sua vida. O senhor não vive para o senhor, o senhor vive para nós”,
a prefeita traduziu o sentimento de uma parcela da população que se reconhece nas políticas voltadas aos mais pobres, ao homem do campo, ao trabalhador invisível.

Esse ponto é central. Parte da oposição nunca aceitou — e ainda não aceita — um modelo de governo que prioriza quem historicamente ficou à margem do orçamento público. Quando recursos federais chegam em forma de ambulâncias do SAMU, kits de UBS, telessaúde e investimentos superiores a R$ 300 milhões para estruturar o SUS na Bahia, isso não é retórica: é política pública concreta.

Dai de Léo de Neco reforçou essa dimensão prática ao afirmar que entregas como essas “vêm resgatando as nossas famílias” e ajudam os prefeitos “na ponta” a oferecer saúde de qualidade. Ao agradecer o presidente por ser “amigo do SUS” e “parceiro dos prefeitos”, ela reconheceu algo que muitas vezes se perde no debate ideológico: municípios dependem da cooperação federativa para funcionar bem.

Enquanto alguns repetem a palavra “mudança” como slogan, a prefeita de Gandu apresentou algo mais sólido: coerência entre discurso e realidade. Mudança verdadeira não se mede pela troca de legenda partidária, mas pela capacidade de transformar a vida das pessoas com ações concretas.

Isso não significa que gestores públicos estejam imunes à fiscalização. Pelo contrário. O eleitor deve acompanhar o noticiário, consultar o histórico dos candidatos, verificar processos, analisar prestações de contas e usar ferramentas como os portais de transparência. Democracia exige vigilância constante. Mas também exige honestidade intelectual para reconhecer quando políticas públicas produzem resultados positivos.

Outro aspecto essencial é compreender as atribuições de cada cargo. Promessas fora da competência legal revelam despreparo ou oportunismo. Propostas sérias respeitam os limites constitucionais e apresentam caminhos viáveis. Frases genéricas como “vamos mudar tudo” não governam. O que governa são planejamento, orçamento, parceria institucional e responsabilidade.

O discurso da prefeita de Gandu ganhou destaque justamente porque foi além do protocolo. Em palavras simples, ela simbolizou o impacto social de políticas públicas estruturantes. Em meio ao ruído político, sua fala lembrou que gestão pública não é guerra de narrativas — é entrega de resultados.

Se a oposição deseja falar em mudança, precisa demonstrar, na prática, o que pretende fazer de diferente. Caso contrário, continuará apenas trocando de cor, enquanto a realidade concreta — ambulâncias nas ruas, equipamentos nas unidades de saúde, investimentos no SUS — seguirá mostrando que mudança de verdade não se anuncia; se realiza.

 José Montalvão -  Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública,  pós-graduação em Jornalismo proprietário do Blog DedeMontalvão, matrícula ABI C-002025



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