Por José Montalvão
Caro Secretário Gilmar,Seu vídeo levanta uma questão real e técnica: o impacto do tráfego pesado sobre a malha viária urbana. Esse não é um problema político isolado, mas estrutural, que envolve engenharia, planejamento urbano, fiscalização e responsabilidade administrativa.
O pavimento urbano, na maioria das cidades brasileiras, é projetado para tráfego leve e moderado. Quando caminhões de grande porte e carretas passam continuamente por essas vias — muitas vezes com excesso de carga — o desgaste se acelera de forma exponencial. A engenharia de pavimentos demonstra que o dano causado por um eixo pesado não é proporcional ao peso, mas exponencial. Ou seja, um único caminhão pode causar um desgaste equivalente ao de milhares de veículos leves.
O resultado são rachaduras, afundamentos, trilhas de roda e, posteriormente, buracos. Esse processo reduz drasticamente a vida útil do asfalto, exigindo recapeamentos frequentes e operações tapa-buracos que consomem recursos públicos de forma contínua.
Do ponto de vista financeiro, o custo recai sobre o erário municipal. A prefeitura é responsável pela manutenção das vias urbanas, e os recursos utilizados vêm dos tributos pagos pela população. Quando não há controle adequado do tráfego pesado, o município passa a gastar mais do que o necessário com manutenção corretiva — dinheiro que poderia ser investido em saúde, educação ou infraestrutura planejada.
Além disso, há o prejuízo indireto ao cidadão. Veículos particulares sofrem danos na suspensão, pneus e alinhamento. O risco de acidentes aumenta, especialmente para motociclistas e ciclistas. O transtorno no trânsito e o impacto econômico também afetam o comércio local.
A solução não é simples nem imediata, mas passa por medidas técnicas e administrativas claras:
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Definição de rotas específicas para caminhões pesados.
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Fiscalização de excesso de carga.
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Implantação de sinalização adequada e controle de tráfego.
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Planejamento viário que considere áreas industriais e corredores logísticos.
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Projetos de pavimentação dimensionados para carga pesada onde for inevitável sua circulação.
Cidades que adotam políticas de restrição e monitoramento conseguem preservar melhor suas vias e reduzir gastos recorrentes com manutenção emergencial. O problema não é apenas “tapar buraco”, mas enfrentar a causa estrutural do desgaste.
Em síntese, quando não há planejamento e fiscalização, quem paga é sempre a população — duas vezes: nos impostos e nos prejuízos do dia a dia. A discussão precisa sair do campo emocional e entrar no campo técnico e administrativo, porque pavimentação urbana é questão de engenharia, responsabilidade pública e gestão eficiente.