quinta-feira, agosto 28, 2025

Deputados querem impunidade ampla, geral e irrestrita para eles mesmos

 

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Com a desculpinha de que são uns pobres coitados perseguidos pelos ministros supremos, os deputados querem fazer reformas na Constituição a toque de caixa. É PEC da blindagem, é PEC das Prerrogativas, é Anistia. O que querem os deputados? Uma impunidade ampla, geral e irrestrita. Tudo para que possam comercializar dinheiro público livremente, BRASEW. Ah, e claro que sempre tem a desculpa da liberdade de expressão.

Na edição de hoje ainda temos procurador sendo reconduzido, procurador arquivando inquérito contra o sócio supremo e União Brasil tretando com Lula (claro). Vem ler que o éNoite chegou.

O Huguito Motta passou duas semanas fingindo que tinha retomado o poder da Câmara. Mas eis que nesta semana provou que Lira, nosso bom e velho Arthurzito, continua dando as cartas. Lembram do motim dos bolsonaristas? Naquele episódio, Huguito ficou longos e infinitos seis minutos parado na mesa diretora da Câmara para retomar sua cadeira. Aí ficou sabendo que os líderes tinham fechado um acordo com Arthurzito para liberar a cadeira do Hugo e uma das condições foi a votação de projetos para “proteger” os parlamentares.

Huguito garantiu que nenhum acordo tinha sido feito com ele. Para mudar o assunto, usou o vídeo do Felca sobre adultização para pautar um assunto que já estava parado há meses na sua mesa: o projeto de lei 2628, que ele batizou de ECA Digital (e que foi aprovado hoje no Senado e agora vai para sanção presidencial).

Mas eis que, nesta semana, Huguito mostrou que tinha, sim, um acordo, que Lira ainda manda e pautou a PEC da blindagem em regime de urgência.

Nota nada aleatória: como me contou hoje um advogado com grande atuação no Congresso, vai ser mais um projeto que nenhum parlamentar lê e vai sendo aprovado. (Não leram nem a reforma tributária que ficou meses circulando por lá).

Os líderes decidem o que vai ter no texto de um determinado projeto e botam para votação. (Sendo justa, alguns deputados até querem ler, mas os projetos chegam tão rapidamente para serem votados que, mesmo que quisessem, não daria tempo de ler.)

Em poucas palavras, o que a PEC da Blindagem estipula é que investigações contra um deputado só possam seguir adiante com a aprovação do próprio Congresso. Só poderão ser presos com aprovação do próprio Congresso (ok, se for crime de terrorismo, eles podem ser presos anyway). Poderão falar o que quiserem. E assim por diante.

Efeito Orçamento Secreto

Sabe qual é uma das maiores broncas dos congressistas com o Supremo? O Orçamento Secreto. Há anos o Supremo vem pedindo o básico do básico: transparência na distribuição do dinheiro público que é destinado aos parlamentares. São as tais emendas. Como todo mundo sabe, desde o Bolsonaro, entrando no governo Lula, o Planalto só consegue votar projetos do seu interesse se liberar as tais emendas. O Supremo acabou com o primeiro Orçamento Secreto, mas eles vão se transformando e a destinação de verbas continua acontecendo de forma secreta.

No último domingo, o supremo Dino mandou investigar a distribuição de R$ 700 milhões em emendas Pix, enviadas sem qualquer projeto para uso do dinheiro, que é nosso! Adivinha o que acontece se a PEC da blindagem for aprovada no Congresso? Exato. Não será investigada. O Brasil é dos brasileiros. Só que não.

Depois da blindagem

Os deputados ainda querem acabar com o foro privilegiado achando que será mais fácil fugir da Justiça se eles caírem na primeira instância e não direto no Supremo.

E o Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara, ainda deu a real hoje: tudo isso para pavimentar a anistia. Então é isso, BRASEW. Quem não estiver blindado, ganha anistia.

Detalhe: mesmo passando pela Câmara, o projeto segue para o Senado (ganha uma lagartixa quem souber o que o Alcolumbre, a estrelinha de Davi do Senado, pensa a respeito).

Nota da editora: até o fechamento desta edição, o projeto seguia na pauta urgente da Câmara, mas não havia sido votado. Lógico que devem empurrar para a madrugada, para aproveitar o povo dormindo.

Guerra com o Judiciário

O relator da reforma Administrativa, o deputado Pedro Paulo, do PSD do Rio, já deu a deixa da outra frente de batalha com o Judiciário. O deputado disse que há muita chance de aprovação de algumas mudanças na carreira dos servidores e juízes, como limitar ganhos, o fim da aposentadoria compulsória para juízes que cometem irregularidades (finalmente, hein?) e o fim das férias de 60 dias. A gente só acredita, vendo.

O supremo Barroso, que estava no mesmo evento do deputado Pedro Paulo, disse que há necessidade de reforma para os Três Poderes.

Oi, Rueda!

Depois que Lula falou que não gosta do Rueda, o presidente do União Brasil, só se falou de ameaças do partido deixar o governo. Aff. Vamos parar de ameaças, gente, e liberar logo os carguinhos dos ministérios cheios de dinheiros e cheios de gente querendo?

Otimista e cantor, Tixa!

Haddad é um otimista

Nosso Fernandinho Cabelo esteve hoje no Canal UOL soltando otimismo. Ele disse que o tarifaço vai machucar um pouco, mas não muito. Que o curto-circuito com o Congresso já passou (ahã, claro). E que está confiante de que a reforma do imposto de renda vai passar. Na saída do ministério (ou na chegada), ainda disse a jornalistas que sentiu firmeza de Hugo Motta. (Invejo o otimismo do ministro que, meses atrás, tomou uma invertida do Hugo Motta no IOF.)

O procurador-geral

Lula antecipou a recondução do procurador que não é tão amigo geral da República, Paulo Gonet. O mandato só terminaria em dezembro, mas Lula resolveu antecipar a recondução bem nas vésperas do início do julgamento que pode levar à condenação de Bolsonaro no caso da trama golpista.

Por falar em Gonet

A Procuradoria-Geral da República decidiu arquivar um pedido de investigação sobre o supremo Gilmar Mendes no caso de suas decisões sobre a CBF. A investigação foi solicitada por um vereador do Novo, do Paraná, que acusou o ministro de dar uma decisão em benefício da antiga cúpula da CBF, mesmo estando sob suspeição, já que o seu instituto de ensino tinha um contrato com a confederação. Enfim, o pedido de arquivamento foi feito pelo braço direito de Gonet e não pelo próprio Gonet.

Curiosidades: o site BuzzFeed News Brasil revelou que Gonet e Gilmar fundaram juntos o instituto de ensino, o IDP, em 1998. Em 2017, Gonet vendeu suas cotas para Francisco Mendes, filho de Gilmar, por R$ 12 milhões.

O acordo do IDP com a CBF é de 2023, para o oferecimento de cursos de pós-graduação na área do futebol (gestão, negócios e direito esportivo).

Chega por hoje, BRASEW, que fiquei aqui esperando a Câmara votar e me atrasei. Amanhã tem mais. E, se quiser receber a Tixa pelo zap, é só clicar aqui que você já estará na comunidade.

 
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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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