sábado, janeiro 28, 2023

Povos originários da Bahia cobram demarcação dos territórios indígenas

Estudos para demarcação do TI Barra Velha começaram em 1980

Publicado sábado, 28 de janeiro de 2023 às 00:00 h | Autor: Miriam Hermes





Insegurança vivida pelos Pataxó foi denunciada na última semana à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) - Foto: Leo Ramirez | AFP

Enquanto o Brasil e o mundo se chocam com as notícias vindas da Amazônia, onde os Yanomamis tem neste momento como prioridade máxima reforço na saúde e alimentação, entre os povos Pataxó no extremo sul da Bahia, região da Mata Atlântica, a cobrança principal neste momento é segurança e demarcação definitiva das terras para assegurar a paz.

Cacique do Território Indígena (TI) Barra Velha, município de Porto Seguro, Suruí Pataxó disse que o Brasil “está deixando o povo original ser morto pela ganância e desrespeito pelas nossas vidas. Desde 1.500 nós estamos resistindo. Muito triste ver nossos parentes morrerem deste jeito. Nós não somos bichos. Queremos nossa terra demarcada!”, enfatizou.

Ele preside o Conselho de Caciques e Lideranças da Barra Velha Monte Pascoal, formado por 22 comunidades, somando na região quase 10 mil indígenas. Pontuou como exemplo ameaças cotidianas que resultaram nos últimos cinco meses na morte de três jovens Pataxó, alvejado por tiros “em ataques de pistoleiros contratados para perseguir e matar nosso povo, que não tem armas”.

Ainda de acordo com o representante indígena, os estudos para demarcação do TI Barra Velha começaram em 1980 e desde 2019 o território está com a Portaria Declaratória pendente. “Temos esperança que agora seja concluído, porque é só isso que vai devolver nossa paz”, afirmou, ressaltando que os conflitos estão mais acirrados desde que os indígenas estão “retomando” fazendas que fazem parte do TI, mas que estavam ocupadas por fazendeiros e posseiros.

A insegurança vivida pelos Pataxó dos TIs Barra Grande e Comexatiba, este último no município de Prado, foi denunciada na última semana à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), da Organização dos Estados Americanos (OEA). Também Itabela e Itamaraju tem comunidades ameaçadas, com denuncias de ataques.

À frente desta iniciativa estão as organizações Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e a Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (Apoinme), que querem apoio da CIDH, para pressionar as autoridades brasileiras a intensificarem as ações para garantir com urgência a integridade dos grupos ameaçados.

Em outra providência a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP) criou a Força Integrada (FI) formada por representantes das polícias que atuam na força estadual (Civil, Militar, Técnica e Bombeiros). 

A missão é aprofundar as investigações para identificar e responsabilizar  os criminosos que estão aterrorizando os Pataxó na região, sem prazo definido para o fim da FI, que deve atuar  em conjunto com outras forças, como a Polícia Federal.

Segundo o conselheiro e membro da Comissão de Liberdade de Imprensa e dos Direitos Humanos e da comissão de Meio Ambiente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Fábio Costa Pinto, a expectativa é que com o novo governo federal, este e outros conflitos sejam solucionados.  

A entidade denunciou a escalada da violência no extremo sul baiano em agosto do ano passado através de uma carta dirigida ao governo da Bahia, mas endereçada também para outros destinatários, pedido interferência urgente pela gravidade da situação. Na oportunidade foi criada a primeira Força Tarefa do governo do estado.

Estruturação

A Bahia tem cerca de 37 mil descendentes dos povos originários e 16 grupos étnicos, conforme o último censo (IBGE 2010). Um número atualizado será divulgado no Censo Demográfico que está em andamento no Brasil. 

O estado tem 19 comunidades já homologadas pela União, sendo a maioria nas regiões Norte e Oeste. No entanto, 70% dos baianos originários estão radicados nas regiões Sul e Extremo Sul. A soma de todas as terras identificadas pela Funai como dos povos originários da Bahia, representam apenas 0,5% do território estadual.

A defesa dos seus interesses ganhou reforço no Brasil, com a recente criação do Ministério dos Povos Originários e na Bahia, com a instituição da Superintendência de Políticas para os Povos Indígenas, da Secretaria de Promoção da Igualdade (Sepromi), assumida pela advogada baiana Patrícia Pataxó. 

Ela explicou que a homologação é o passo final de um processo que tem início com a identificação do território pela Fundação Nacional do Índio (Funai). O órgão faz a publicação do relatório, com posterior abertura de prazo para possíveis contestações. Só depois acontece a publicação da Portaria Declaratória definitiva.



Conforme Patrícia Pataxó, todos os processos ficaram parados nos últimos quatro anos e agora estão passando para o Ministério dos Povos Originários, cujas equipes terão que revisar, atualizar e reencaminhar para dar seguimento à regularização das terras. 

Ainda de acordo com a superintendente de Políticas dos Povos Indígenas, embora o processo seja da alçada federal, o Estado está empenhado em solucionar as demandas. Neste sentido esta semana (5ª feira) ela participou em Brasília de uma reunião com a presença de equipes da Funai e do Ministério dos Povos Originários, com o Ministro da Justiça, Flávio Dino, para debater as questões relacionadas à temática.

https://atarde.com.br/bahia/povos-originarios-da-bahia-cobram-demarcacao-dos-territorios-indigenas-1218158  


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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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