terça-feira, janeiro 31, 2023

Políticos só voltam a trabalhar depois do Carnaval

 em 31 jan, 2023 7:57

Adiberto de Souza

Diferente do pobre mortal, que sua a camisa de sol a sol pela sobrevivência, os políticos com mandatos só retornarão ao “batente” depois do Carnaval. Aliás, muitos vão permanecer na vida mansa mesmo após a folia. É claro que há exceções, mas são poucas. Como 2023 é um ano sem eleições, boa parte da classe política empurrará os problemas da população com a barriga, só devendo prometer resolvê-los em 2024, por ser um ano eleitoral. Não pense que com retorno das atividades legislativas, nessa quarta-feira, os políticos vão arregaçar as mangas, trabalhar pelo povo. Como não precisam bater ponto, eles comparecem ao Parlamento quando podem, bebem água gelada e cafezinho, jogam conversa fora e tchau. Para muitos vereadores, deputados e senadores, se a vida parlamentar não fosse essa maciota não valeria a pena suar a camisa de quatro em quatro anos para conseguir um rendoso mandato. Êita Brasilzão sem jeito!

Voto bolsonarista

Ex-eleitor de Bolsonaro, o senador Alessandro Vieira (PSDB) deve votar no bolsonarista Rogério Marinho (PL) para a presidência do Senado. E ele já tem discurso para justificar o voto: “Quem descreve a eleição no Senado como uma disputa entre democracia e autoritarismo está enganado ou enganando alguém. A disputa é entre a permanência do grupo Alcolumbre/Pacheco na direção da casa e a eventual mudança de rumos”. Adversários do senador ex-bolsonarista juram que ele está tendo uma recaída. Home, vôte!

Comes e bebe

O governador de Sergipe, Fábio Mitidieri (PSD), reúne a imprensa sergipana em torno de uma farta mesa para falar sobre seu primeiro mês de gestão. Durante o regabofe, agendado para hoje, um hotel da Orla de Atalaia, o pessedista deve falar sobre as ações do governo visando enfrentar a fome que assola milhares de sergipanos. Fábio Mitidieri também falará aos coleguinhas sobre as promessas que lhe foram feitas pelos ministros do presidente Lula (PT). Ah, bom!

Dois a um

Dos três senadores de Sergipe, dois devem votar em Rogério Marinho (PL) para a presidência do Senado. Laércio Oliveira (PP) justifica seu voto afirmando que Marinho “é um amigo de longa data, com quem atuei, ainda como deputado, em diversas pautas para melhorar a geração de empregos no Brasil”. Alessandro Vieira (PSDB) também não deve votar em Rodrigo Pacheco (PSD), a quem já denunciou à Procuradoria Geral da República por suspeita de mal uso de recursos do orçamento secreto. Portanto, da bancada sergipana o pessedista só conta com o voto do senador Rogério Carvalho (PT). Marminino!

Apoio feminino

Mesmo estando com a reeleição garantida para presidente da Câmara Federal, o deputado Arthur Lira (PP) não dispensa votos, nem se cansa de fazer promessas. Ontem, o fidalgo reuniu as 91 deputadas federais para lhes prometer espaços no parlamento. Numa carta compromisso, o pepista jurou que vai aumentar a participação feminina na Câmara, enfrentar a violência contra a mulher, investir saúde da mulher, etcétera e tal. Nem precisa dizer que com esse discurso Lira já garantiu os votos das deputadas sergipanas Yandra Moura (União) e Katarina Feitoza (PSD). Então, tá!

De olho em 2024

Este é um ano sem eleições, porém os políticos só pensam nelas. Bastam ver um microfone ou um gravador na frente para eles citarem o pleito municipal de 2024. Era de se esperar que, terminada a refrega eleitoral do ano passado, a classe política se envolvesse de corpo e alma com os problemas da população, mas quem pensou assim errou feio. Portanto, os nossos políticos vão se ocupar agora em 2023 com especulações, possíveis costuras políticas e nada mais. Crendeuspai!

Troca de postos

O empresário Maurício Vasconcelos é o novo presidente da Associação Comercial e Empresarial de Sergipe. O distinto foi eleito, ontem, numa chapa única, para substituir Marco Pinheiro. Maurício é proprietário de uma loja de variedades no centro de Aracaju. Comandando uma diretoria que possui 50% de renovação, o presidente eleito promete dar um gás novo, com novas ideias e oportunidades para melhorar o ambiente de negócios em Sergipe. Entre os principais objetivos da nova diretoria da Acese, estão o trabalho para trazer novos associados e a realização de eventos, como o Almoço com Negócios. Aff Maria!

A mulher na política

Passados mais de 90 anos da conquista do voto feminino, as mulheres continuam com pouca representação na política. Embora sejam quase 50% dos filiados de todas as legendas, as distintas ficam com apenas 30% das vagas nas chapas proporcionais. Para que isso mude é preciso condenar o surrado argumento de que “elas não sabem fazer política”. Isso não passa de preconceito. Aliás, alguém já disse, com razão, que a presença feminina no meio político traz benefícios para todo o conjunto da população, além de contribuir para se alcançar a igualdade de gênero, algo essencial na sociedade machista em que vivemos. Misericórdia!

Índio quer transporte

A cheia do Rio São Francisco atingiu duramente os índios Xokós. Desde que a vazão diária do “Velho Chico” chegou a quatro mil metros por segundo, eles estão enfrentando dificuldades para deixar ou retornar à aldeia localizada na Ilha de São Pedro. As águas cobriram o único acesso à comunidade por uma estrada de terra, obrigando as famílias a se arriscarem em pequenas canoas. Os índios acusam a Prefeitura de Porto da Folha de fazer vistas grossas para o problema e temem que ocorra uma tragédia, pois as pequenas canoas podem virar devido a força da correnteza. Só Jesus na causa!

Festa para Yemanjá

Para marcar o 2 de fevereiro, dia de Yemanjá, adeptos das religiões de matriz africana vão lavar as escadarias da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Socorro. Nesta mesma data, os católicos comemoram Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, padroeira daquele município da Grande Aracaju. Yemanjá é considerada protetora dos pescadores e jangadeiros, mãe das águas, mãe de todos e todas. Também é conhecida como Ìyá Orí, “mãe de todas as cabeças”. Odò Ìyá!

Uma cidade diferente

Aracaju é mesmo a cidade dos contrastes. Já teve um cabaré chamado ‘Vaticano’ e uma ‘Padaria Central’ que ficava na esquina da rua Santo Amaro. Outro dia, fecharam a banca de revistas localizada justamente na Praça da Imprensa, sem falar que, no século passado, ao aportar em Aracaju o chinês Eng Fook Mau ganhou o apelido de “seo João”. Cruz, credo!

INFONET

Em destaque

E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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