sábado, janeiro 28, 2023

Articuladores da disputa pela presidência do Senado cantam vitória e apontam blefes dos adversários

 

Plenário do Senado


Por Maria Carolina Marcello

BRASÍLIA (Reuters) - A menos de uma semana da eleição da Mesa do Senado, negociadores das principais candidaturas à presidência da Casa trabalham intensamente nas últimas articulações e apostam, cada lado, nas chances vitória a partir de estimativas de placar e da expectativa de "traições" daqueles que prometeram apoio, já que o voto é secreto.

A conta não fecha. Enquanto articuladores envolvidos na tentativa de reeleição do atual presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), calculam ter entre 55 e 60 votos para a vitória do candidato preferido do governo, aliados de Rogério Marinho (PL-RN), ex-ministro do ex-presidente Jair Bolsonaro, garantem já contar com apoio suficiente para um empate e vislumbram um placar favorável a partir de movimentações políticas na próxima semana.

"Entendo que a gente está muito próximo da vitória", disse o senador Carlos Portinho (PL-RJ), que foi líder do governo Bolsonaro no Senado e é defensor da candidatura de Marinho.

"Nesta semana muita coisa evoluiu. Tem um vento soprando favorável à candidatura do Marinho e as articulações estão intensas aqui", acrescentou.

Para o senador, o cálculo de partidários de Pacheco é um "blefe". A candidatura de Marinho conta com o apoio declarado do PP, do PL e do Republicanos, um total de 23 votos, de acordo com o parlamentar, que também vislumbra o apoio de integrantes de outras legendas.

"Então ele teria que ter todos os outros (votos) e no caso de 60, só se tivesse 83 senadores", disse --o Senado tem 81 parlamentares.

Portinho adiantou ainda que na próxima semana deve haver o anúncio de apoio de outras siglas.

Duas fontes que acompanham de perto as negociações, uma do lado de Pacheco, e outra de posição não declarada, avaliam que Marinho não contaria com mais de 28 votos.

Rebatem a versão de aliados de Marinho --uma delas chega a dizer que a chance de vitória do senador do PL é nula-- e garantem que são os adversários que estão blefando.

"O pessoal do Marinho sabe jogar com a informação para pressionar", disse a outra fonte.

"É mais uma narrativa para conturbar o jogo", avaliou, considerando que a turma de Marinho trabalha para descredenciar o senador Davi Alcolumbre (União-AP), principal articulador da candidatura de Pacheco.

De fato, aliados de Marinho afirmam ouvir reclamações de colegas, segundo os quais haveria uma insatisfação com Pacheco por não se envolver diretamente nas conversas, como tem feito o adversário.

A articulação delegada a Alcolumbre esbarra na distribuição de cargos na Casa, o que teria, inclusive, virado votos a favor de Marinho, garante Portinho.

Segundo o líder do governo anterior, Alcolumbre pretende presidir novamente a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa, um importante colegiado e estaria de olho na presidência do Senado em 2025, deixando pouco espaço para uma alternância nas instâncias de comando no Senado. Alcolumbre já presidiu a Casa e foi o principal cabo eleitoral de Pacheco na eleição passada.

"Isso desagrada PSD, MDB e muitos, pelo que ouvi. Não querem jogo de carta marcada", disse Portinho.

Uma das fontes consultadas pela Reuters, a de posição não declarada, desconfia das investidas contra Alcolumbre e acredita que o ex-presidente da Casa "é bom de conversa".

Aposta, ainda, na margem de manobra que o governo federal tem para negociar o apoio a Pacheco, já que ainda estão sendo indicados os cargos no segundo e terceiro escalões.

Todo o cenário pode, entretanto, mudar no início da próxima semana, quando deve ocorrer um jantar oferecido por Marinho. O número de presentes poderá indicar as reais chances do senador.

"Se tiver mais de 32 votos presentes, declarando apoio formal, pode ser que a situação para o Pacheco se complique", disse essa fonte.

A eleição do presidente do Senado pelos próximos dois anos ocorre no dia 1º de fevereiro. Vence aquele que, segundo a tradição na Casa, receber 41 votos ou mais. A votação é secreta, por meio de cédulas de papel.

Aquele que sair vitorioso terá nas mãos o poder de definição da pauta da Casa, e também de aceitação ou recusa de pedidos de abertura de CPIs (Comissões Parlamentares de Inquérito) ou de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Também terá o papel de presidir o Congresso Nacional, sendo, assim, o representante do Poder em questões institucionais, além da condução das votações conjuntas para a análise de vetos presidenciais e projetos orçamentários, entre outras medidas.

À frente do Senado, Pacheco buscou atuação comedida, sem grandes atritos com o governo anterior. O senador serviu, no entanto, de anteparo na Casa para matérias controversas defendidas por Bolsonaro, principalmente as ligadas à pautas de costumes. Além disso, foi um contínuo defensor da confiabilidade das urnas eletrônicas e da lisura do processo eleitoral, seguidamente atacadas pelo hoje ex-presidente.

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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