segunda-feira, janeiro 30, 2023

Faleceu no Recife, aos 80 anos, o Professor Severino Alves de Oliveira Lima – Professor Silva

 

Publicada em 30/01/23 às 02:36h - 1223 visualizações

por Antônio Galdino


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Faleceu no Recife, aos 80 anos, o Professor Severino Alves de Oliveira Lima – Professor Silva
 (Foto: do livro Os caminhos da Educação)

Estamos recebendo, no começo desta madrugada de 30 de janeiro de 2023, a triste notícia do falecimento do querido Professor Severino Alves de Oliveira Lima, conhecido carinhosamente como Professor Silva.

Há mais de mês ele estava hospitalizado no Hospital Santa Joana, no Recife cuidado de uma infecção.

Na noite de 29 de janeiro, teve uma parada cardíaca e não resistiu. Em novembro de 2022, o Professor Silva completou 80 anos de vida intensa.

Me informa o seu filho Lito que o corpo virá para Paulo Afonso nesta segunda-feira, 30 de janeiro e em horário ainda não definido acontecerá o velório e o seu sepultamento.

Professor Silva foi professor e ex-diretor do COLEPA, Administrador da Chesf, Secretário de Planejamento e Secretário de Educação do município de Paulo Afonso, apaixonado por música, o que herdou do Sr. Sebastião, seu pai, que foi durante muitos anos o maestro da Banda da Chesf e um grande jogador de futebol do Esporte Clube Brasil e da Seleção de Futebol de Paulo Afonso.

Abraçamos, envolto em grande tristeza, os queridos Mano, Lito, Flavinho, Moacir e a minha também querida amiga, colega do COLEPA, Zezé. O abraço é extensivo à sua esposa, filhos, familiares.

O Professor Silva, como era carinhosamente conhecido, teve uma vida de intenso brilho no município de Paulo Afonso.

Na Chesf, além de ser professor, vice-diretor e diretor do Colégio Paulo Afonso, foi Administrador Regional da Chesf, o mais alto cargo da empresa nesta regional.

Na Prefeitura de Paulo Afonso, foi Secretário de Planejamento, na gestão do Prefeito Paulo de Deus e Secretário Municipal de Educação nas gestões de Anilton Bastos e primeiros anos da gestão de Luiz de Deus.

Deixo aqui o meu grande sentimento e reapresento o que sobre ele escrevi no livro Os Caminhos da Educação – de Forquilha a Paulo Afonso.

Professor Silva

Entre os anos de 1979 e 1984, na gestão do Professor Manoel Carlos Formigli Souza, o Professor Severino Alves de Oliveira Lima, conhecido como Professor Silva, assessorou a direção do COLEPA, como vice-diretor, tendo dirigido esse sistema de ensino da Chesf em várias oportunidades, o que sempre foi motivo de muito orgulho para este professor.

Severino Alves de Oliveira Lima nasceu em Jardim do Seridó/RN em 22/11/1942. Filho de D. Nininha e do Maestro Sebastião, chegou a Paulo Afonso somente em junho de 1958 por ter ficado em Taperoá/PB até completar o semestre letivo. Os seus pais chegaram em Paulo Afonso em abril de 1958.

O jovem Severino Alves passou a ser aluno do GPA a partir do 2º semestre de 1958 na 1ª série ginasial e, embora já tivesse feito o exame de admissão à Escola Comercial em Taperoá/PB, teve que, segundo ele,  “enfrentar o vexame, no final do ano, de ter que fazer o exame de admissão ao ginásio no GPA”.

Nos anos seguintes, Severino Alves viu despertarem nele duas grandes paixões: especialmente o futebol e a música.

No futebol, jogou muitos anos pelo Esporte Clube Brasil, um dos importantes times do futebol de Paulo Afonso e chegou à seleção pauloafonsina e a fazer testes no grande time do Náutico pernambucano.

Na música, passou a fazer parte da Banda Musical da Chesf, da qual seu pai foi maestro por muitos anos. Ali, como todos os demais músicos, passou a ganhar seus primeiros vencimentos...

No ano de 1960, aluno da 2ª série ginasial, ele diz ter passado por outro grande vexame em sua vida: “fui ‘atropelado’ por uma reprovação em Matemática”.

E ouviu do seu pai o que ele assegura ter sido a grande lição de sua vida: “Filho de pobre não pode ser reprovado”.

Esta frase do Sr. Sebastião levou o jovem Severino a tomar uma importante decisão que mudou a sua vida. E ele disse à diretora do GPA, D. Neyde, o seguinte: “Vou ser o melhor aluno de Matemática do Colepa”. E foi mesmo.

O Professor Silva hoje, lembra com alegria do que ele considera uma grande vitória pessoal quando o Professor que o havia reprovado em Matemática teve a enorme surpresa ao ver Severino Alves sentado na sala dos professores do GPA na condição de Professor. E Professor de Matemática.

Terminado o ginasial, Severino Alves foi fazer o único curso técnico de 2º grau existente em P.A no ano de 1964 e, nesse mesmo ano (1964) começou a primeira experiência como Professor.

Professor Silva, aluno do 3º ano (concluinte) do Curso de Contabilidade, ensinou Matemática Comercial e Financeira aos alunos do 1º e 2º anos do Curso Técnico de Contabilidade, embora os diários de classe fossem assinados por outro professor do curso.

No ano de 1960, ainda menor de idade, ele começou a trabalhar na CHESF, como auxiliar de escritório e chegou ao cargo maior da empresa que foi a chefia da Administração Regional da Chesf de Paulo Afonso.

A doação do Professor Silva ao COLEPA, que começou ainda nos tempos do GPA, Ginásio Paulo Afonso se estendeu por muitas décadas.

Ele lembra que no ano de 1967 ele trabalhava no escritório de Apropriação e Custos da Chesf mas todos os dias, por volta das 10 e meia da manhã, o Jeep que ficava à disposição do Ginásio ia apanhá-lo neste escritório para que ele, às 10 horas e quarenta minutos desse as duas últimas aulas do turno matutino. Depois vieram o que ele chama de “grandes vitórias”. Ele foi Coordenador de turno, Coordenador Pedagógico, vice-diretor e diretor do maior sistema de educação da região, várias vezes considerado como exemplo de ensino para o Nordeste, o Ginásio/Colégio Paulo Afonso.

Quando da realização do 2º Encontro de Ex-alunos do COLEPA, em 2013, ao lado da placa colocada nos jardins internos do prédio onde funcionou o GPA/COLEPA por 50 anos, ao lado da Rosa dos Ventos, o Professor Silva, ladeado pelos filhos, fez emocionado discurso sobre a importância do COLEPA para milhares de ex-alunos e declarou que “ao morrer, gostaria que meu corpo fosse sepultado em um pedacinho desse espaço do COLEPA”.

Dos tempos em que foi aluno, professor e diretor do Ginásio/Colégio Paulo Afonso, o Professor Silva faz alguns registros.

Ele assegura que, como aluno, dentre muitos outros motivos dois lhe enchem de orgulho: “defender as cores do COLEPA, como atleta e ter sido percussionista da Banda Marcial do COLEPA”.

Como Professor, ele destaca que, apesar de ter recebido críticas por isso, ser dele “a criação, da exigência da entrega mensal do caderno nobre”, foi  um ação importante. Destaca também com motivo de alegria “dar conta de uma carga horária semanal, em média de 48 horas” e “ao concluir a licenciatura em Matemática ser convidado para ensinar em Arcoverde/PE”, convite que declinou.

Como coordenador e diretor, ele assegura que sempre teve todo o cuidado em “tratar com respeito, atenção e carinho os alunos, professores e funcionários do COLEPA” e que um dos momentos mais marcantes em sua vida foi quando presidiu a solenidade de colação de grau dos cursos técnicos do COLEPA” em um dos anos da década de 1980, pouco antes de ser nomeado pelo Presidente da Chesf, Antônio de Oliveira Brito, para assumir a gestão da Administração Regional da Chesf.

O Professor Severino Alves de Oliveira Lima, Professor Silva, além destas importantes funções desempenhadas na Chesf, teve grande participação na gestão do município de Paulo Afonso, tendo assumido a chefia da Secretaria de Planejamento e mais recentemente a Secretaria Municipal de Educação de Paulo Afonso.

Em todo as conversas, quando o assunto é COLEPA, o Professor Silva tem uma frase que o acompanha sempre: “Ao Colepa que tanto amei e que tanto me ensinou, entreguei meu coração!”

https://www.folhasertaneja.com.br/noticias/colunistas/676580/1

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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