
Arthur Rollo, advogado de Doria, explicou sua estratégia
Pedro Venceslau
Estadão
A pré-campanha do ex-governador João Doria à Presidência já prepara uma reação jurídica a uma eventual decisão da executiva nacional do PSDB de barrar sua candidatura e indicar apoio a senadora Simone Tebet (MS), pré-candidata do MDB. O paulista já havia se queixado da decisão tomada pelas cúpulas dos partidos de contratarem pesquisas para definir uma candidatura de consenso das duas siglas. O resultado desse levantamento deve ser anunciado nesta quarta-feira, 18.
Em resposta a Doria, o presidente do PSDB, Bruno Araújo, convocou para esta terça-feira, 17, uma reunião da direção da legenda após receber uma carta dura do ex-governador na qual ele pede que seja respeitada a “vontade democrática” do partido expressa no resultado das prévias do ano passado.
DIZ O ADVOGADO – “Qualquer decisão contrária à pré-candidatura do João Doria nessa reunião será nula. A convocação foi genérica e não houve sequer o direito de defesa para o ex-governador. A executiva nacional não tem esse poder. Está tudo errado”, disse ao Estadão o advogado eleitoral do ex-governador, Arthur Rollo.
Aliados do ex-governador acusam o PSDB de “golpe”, após a contratação de pesquisas internas pelas cúpulas do seu partido e do MDB para a definição de uma chapa única na disputa ao Planalto. Como mostrou o Estadão, a sinalização de Doria de que pode recorrer à Justiça Eleitoral isolou ainda mais o ex-governador dentro do partido.
Especialista em direito eleitoral, Rollo foi contratado por Doria comandar sua estratégia jurídica. Segundo o advogado, dependendo do resultado do encontro desta terça, ele irá protocolar uma medida judicial junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
QUESTÃO ESTATUTÁRIA – O gesto seria mais simbólico, já que, na avaliação de Rollo, qualquer anúncio da sigla seria inócuo. “O estatuto do PSDB tem regras bastante específicas. É a 1° vez que questionam o resultado de prévias no partido”, afirmou.
Mais cedo, Simone Tebet diz que será candidata se vencer pesquisa, mesmo com ameaça de Doria de judicialização.
“Nós aceitamos as regras do jogo e amanhã temos o resultado dela. Se porventura o meu nome for indicado na (pesquisa) qualitativa, eu serei pré-candidata pelo meu partido, independente de outros partidos se somarem conosco ou não”, afirmou a senadora, durante palestra em ciclo de debates promovido pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP).
NAS REDES SOCIAIS – Em outra frente, o coordenador da pré-campanha de Doria e presidente do PSDB-SP, Marco Vinholi, articula uma ofensiva nas redes sociais e aposta na militância tucana para evitar que o partido abra mão de ter candidato próprio.
“Vamos defender a manutenção do resultado das prévias e continuar com a pré-campanha. Politicamente o resultado das prévias fortalece nossa posição”, afirmou o dirigente.
A pré-campanha de Doria divulgou nesta segunda-feira, 16, um levantamento que aponta uma forte reação da militância tucana nas redes sociais após o presidente de honra do partido Fernando Henrique Cardoso sair em defesa do ex-governador em um tuíte pedindo respeito ao resultado das prévias.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – O país precisa desesperadamente de um candidato de terceira via, mas parece que todos os pretendentes pretendem entregar o ouro nas mãos dos bandidos, como se dizia antigamente. É lamentável. (C.N.)