sábado, maio 29, 2021

Mais vulneráveis à Covid, idosos só terão maior proteção após vacinação em massa


por Everton Lopes Batista | Folhapress

Mais vulneráveis à Covid, idosos só terão maior proteção após vacinação em massa
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

As vacinas não protegem a todos da mesma maneira. Os imunizantes dependem do sistema imunológico para gerar os anticorpos e outras moléculas que funcionam como uma barreira contra a infecção, e em pessoas que têm um sistema imune mais fraco a tendência é que essa resposta seja menor ou até mesmo inexistente.
 

Os mais velhos, pelo acúmulo de doenças crônicas, geralmente contam com um sistema imunológico mais debilitado. Pessoas infectadas pelo HIV, que tenham doenças que enfraquecem o sistema imune ou que tomam algum remédio que inibe a ação das moléculas de defesa --caso de pacientes que receberam transplante de órgão ou alguns pacientes com câncer-- também podem ter menor ou nenhum benefício com o uso de uma vacina.
 

"Qualquer doença crônica pode comprometer o sistema imune, e quanto mais tempo o paciente carrega a doença, pior fica a resposta imunológica. Há um comprometimento do organismo como um todo", afirma a médica pediatra Flávia Bravo, presidente da Comissão de Informação e Orientação da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações).
 

Para a infectologista Raquel Stucchi, coordenadora da Comissão de Infecção em Transplantes da ABTO (Associação Brasileira de Transplante de Órgãos) a expectativa dos cientistas é que as vacinas anti-Covid sejam menos potentes nos públicos mais frágeis. "De uma maneira geral, sabemos que as vacinas conhecidas para outras doenças têm eficácia menor nessas pessoas", diz.
 

Os dados sobre o resultado da vacinação contra o coronavírus nesses grupos ainda são poucos, mas já apontam na direção de uma eficácia menor dos imunizantes, como os especialistas esperavam.
 

Em artigo publicado em abril na revista científica American Journal of Transplantation, cientistas de Israel mostraram que pacientes com transplante de rim tiveram um benefício muito inferior ao da população geral após a aplicação da vacina da Pfizer/BioNTech.
 

Apesar de a vacina ter uma das maiores taxas de eficácia entre os imunizantes em uso (acima de 95% nos testes clínicos), somente 51 dos 136 pacientes acompanhados no estudo israelense desenvolveram anticorpos contra a doença (cerca de 37%).
 

Outro estudo, publicado em abril no periódico Clinical Infectious Diseases, revelou que a vacina Pfizer/BioNTech induz menos anticorpos contra o Sars-CoV-2 em pessoas mais velhas.
 

Dados de um estudo brasileiro divulgado neste mês indicou que a eficácia da Coronavac também é menor para os mais velhos.
 

Assim, se nenhum vacinado pode relaxar as medidas básicas de proteção contra o coronavírus devido à alta circulação do patógeno no país atualmente, as pessoas mais velhas e as que têm algum comprometimento do sistema imune ainda podem ter risco elevado de complicações causadas pela doença até que a campanha de imunização alcance uma parcela grande da população e derrube as taxas de transmissão do vírus.
 

Quantas pessoas precisam ser vacinadas para que haja tranquilidade nesses grupos? A ciência ainda não tem uma resposta definitiva. Usamos vacinas com eficácias variadas em grupos que respondem aos imunizantes de maneira diversa, o que torna o cálculo muito complexo.
 

Os pesquisadores concordam que pelo menos 70% da população precisa estar completamente imunizada para vermos os melhores resultados da campanha, com uma redução drástica no número de casos. Até a sexta-feira (28), pouco mais de 10% da população brasileira estava com a imunização completa (duas doses).
 

"É necessário manter os cuidados como uso de máscara e distanciamento social, não tem outro jeito agora", diz Flávia Bravo, da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações).
 

Segundo Bravo, as investigações atualmente em curso devem apontar os caminhos para trazer maior proteção aos mais suscetíveis. Uma solução pode ser a aplicação de doses de reforço, como é feito para prevenir outras doenças.
 

Essa é uma proposta que depende de muitos dados ainda inexistentes, como o comportamento dos anticorpos desenvolvidos pela vacina nos pacientes ao longo do tempo. É natural que a quantidade dessas moléculas caia após alguns meses, mas espera-se que alguma proteção seja mantida mesmo com quantidades reduzidas de anticorpos.
 

Somente os estudos vão dizer quando pode ser uma boa hora para receber mais uma dose de vacina --e isso não apenas para o público mais suscetível, mas também para a população geral. Cientistas vêm admitindo a possibilidade de que a vacinação contra o coronavírus se torne periódica.
 

Diante de um cenário de escassez de imunizantes, porém, a proposta só poderá ser viável se a capacidade produtiva dos fabricantes for ampliada e os entraves logísticos superados.
 

Outra opção, de acordo com Bravo, seria a vacinação das pessoas que convivem com o paciente que não responde bem à vacina. Dessa forma, seria formada uma barreira de proteção para evitar que o vírus chegue até ele.
 

O caso dos pacientes com comprometimento do sistema imune evidencia que a vacinação é uma estratégia coletiva para proteção da população. As pessoas que não conseguem nenhum benefício com as vacinas dependem que os demais também recebam o imunizante para ficarem livres de riscos.
 

Pessoas que podem não ter boa eficácia com o uso da vacina devem recebê-la assim que for oferecida a possibilidade, dizem as especialistas. Os imunizantes usados no país (Coronavac, AstraZeneca/Oxford e Pfizer/BioNTech) são seguros para esses públicos, de acordo com a Anvisa. "Mesmo com limitação, o paciente pode gerar anticorpos. Qualquer proteção é melhor do que nenhuma proteção", afirma Stucc

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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