sexta-feira, maio 28, 2021

Em Aracaju, governador inaugura primeiro trecho da Orla Sul

 em 28 maio, 2021 10:22

Nesta primeira etapa, foram investidos cerca de R$ 9,1 milhões, para uma extensão de 2,16 quilômetros. (Foto: Arthuro Paganini)

O governador Belivaldo Chagas inaugurou, no fim da tarde da última quinta-feira, 27, o primeiro trecho da obra da Orla Sul, localizada logo após a Orla da Atalaia, em Aracaju. Belivaldo também assinou ordem de serviço para execução das obras dos Trechos 3-F e 3-G do mais novo cartão postal do estado.

“Essa obra como um todo terá aproximadamente 16km de calçadão e rodovia, com equipamentos esportivos. Estamos entregando, neste primeiro momento, a primeira etapa, temos mais duas sendo executadas nesse momento, outras duas autorizamos hoje e três estão em processo de licitação. A gente entrega, portanto, esse cartão postal, que já está muito bonito e vai ficar ainda mais bonito. E toda essa rodovia, também, será recuperada, já estamos, inclusive, em processo de licitação para dar Ordem de Serviço para asfaltar essa rodovia. E o governo do Estado está asfaltando, ainda, a parte duplicada da Melício Machado, um investimento de mais de R$ 2,7 milhões, recursos do Tesouro estadual, para que tenhamos toda essa região contemplada”, disse o governador.

Nesta primeira etapa, foram investidos cerca de R$ 9,1 milhões, para uma extensão de 2,16 quilômetros. O Trecho tem início no final da Passarela do Caranguejo, a partir da Rua deputado Clovis Rollemberg, e vai até o início dos 17 Bares padronizados já existentes, construídos pela Prefeitura Municipal de Aracaju, nas proximidades do Loteamento Aruana (no final do Tecarmo).

As obras dos Trecho 2 e Trecho 3-A continuam em execução, por meio da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Urbano e Sustentabilidade (Sedurbs) e da Companhia Estadual de Habitação e Obras Públicas (Cehop). O projeto conta com a parceria, também, da Secretaria de Estado do Turismo do Governo de Sergipe (Setur).

“O governo do Estado faz uma obra que cada vez mais vai ajudar na melhoria do turismo e na qualidade de vida da nossa cidade. É uma obra maravilhosa, com ciclovia, área de lazer, que contou também com a recuperação do Banho Doce. Tudo isso só vai melhorar significativamente o turismo no estado. É um investimento que colabora e prepara a cidade de Aracaju para o período pós-pandemia. Com isso, a Orla de Atalaia vai continuar sendo a mais bonita do Brasil e, assim, será imbatível”, afirmou o prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira.

Primeiro trecho

As obras do Trecho 1 contemplaram a implantação de 2,16 quilômetros de ciclovias e calçadas com acessibilidade (rampas, piso tátil e sinalização vertical e horizontal), para permitir o ordenamento de uso pelos ciclistas e pedestres; construção de 2,26 quilômetros de mureta, que servirão como bancos de assentos; construção de cinco passarelas de concreto para acesso à praia, com 100 metros de extensão cada uma delas; a revitalização do espaço do Deque do Banho Doce já existente; implantação de bicicletário, escadas e rampas de acesso à praia e a recuperação ambiental e paisagística através da inserção de espécies vegetais. Também foram implantados 04 bolsões de estacionamento com 71 vagas, aparelhos de ginástica, brinquedos temáticos, uma escultura típica de caju, paisagismo e construídas duas edificações para salva-vidas.

O Trecho 1 dispõe ainda de uma nova iluminação com medidas ambientais contra fotopoluição. Foram colocados 72 braços nos postes de concreto e 195 luminárias, além de 11 postes com quatro pétalas cada. No Banho Doce, foram colocadas quatro luminárias e mais sete no final da Passarela do Caranguejo.

Ordem de Serviço

Em relação às ordens de serviço dos trechos 3-F e 3-G da Adequação Urbanística das praias do Litoral Sul de Aracaju, serão investidos R$ 8.738.077,92 em 4.550 metros de extensão. Os Trechos 3-F e 3-G da Orla Sul têm início nas proximidades do Condomínio Morada da Praia I e se estendem até a Av. Dr. José Domingos Maia, onde tem início o Trecho 3H.

No espaço serão implantados 4.550 metros de ciclovias e calçadas para permitir o ordenamento de uso pelos ciclistas e pedestres; construídos 4.550m de mureta que servirão como bancos; implantados 04 bolsões de estacionamento com 92 vagas, escadas e rampas de acesso à praia e realizada recuperação ambiental e paisagística através da inserção de espécies vegetais. No local, será criado também um Largo com Posto Policial e Salva Vidas; implantados um ponto de apoio para pessoas com deficiência (Ponto PCD), brinquedos, espaço para práticas esportivas, inclusive quadra de Vôlei de Praia; assim como quiosques para piqueniques e descanso; aparelhos de ginástica para 3ª idade e paisagismo. Os trechos contarão, ainda, com nova iluminação com medidas ambientais contra fotopoluição.

Orla Sul

Realizada pelo Governo de Sergipe, a obra faz parte da ampliação da infraestrutura turística do estado, o que é um dos eixos do Programa de Recuperação da Economia – Avança Sergipe. O objetivo é acelerar a recuperação da economia sergipana no momento posterior às medidas de isolamento social e de restrição ao funcionamento de setores econômicos, tomadas no enfrentamento aos efeitos da pandemia da Covid-19.

“Hoje o governo Belivaldo Chagas está fazendo história no turismo de Aracaju e de Sergipe. O governador entregou um novo cartão postal para sergipanos e turistas. Uma obra de infraestrutura importantíssima, que está gerando uma grande expectativa em todo o trade turístico”, ressaltou o secretário de Estado do Turismo, Sales Neto.

O projeto total da Orla Sul tem início a partir da intersecção da Avenida Santos Dumont com a Rua Deputado Clóvis Rollemberg, no bairro Atalaia, seguindo a faixa litorânea da Rodovia SE-100 até Farol do Mosqueiro, no limite com o município de Itaporanga D’Ajuda, totalizando quatro trechos (Trechos 1, 2, 3-A, 3-B, 3-C, 3-D, 3-E, 3-F, 3-G, 3-H e 4), que somados à recuperação da rodovia terão investimentos previstos na ordem de R$ 85 milhões.

“Essa orla construída até o Farol e mais a reestruturação da rodovia SE -100 representam um marco para administração do governador Belivaldo Chagas, pela magnitude e, sobretudo, pelos benefícios que irão trazer ao povo sergipano”, destacou o secretário de Estado do Desenvolvimento Urbano e Sustentabilidade, Ubirajara Barreto.

Fonte: Governo de Sergipe

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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