sexta-feira, maio 28, 2021

Aracaju vacinará população de 58 e 59 anos a partir de segunda, 31

em 28 maio, 2021 17:00 

(Foto: André Moreira)

A Prefeitura de Aracaju avançará na campanha de vacinação contra a covid-19 e vacinará pessoas de 58 e 59 anos, sem comorbidades, a partir de segunda-feira, 31. Ao mesmo tempo, a gestão ampliará a imunização de professores e profissionais do transporte público para aqueles que tenham acima de 18 anos. O novo calendário municipal, divulgado pelo prefeito Edvaldo Nogueira Nogueira, através das redes sociais, nesta sexta-feira, 28, também dará continuidade à vacinação das pessoas com deficiência permanente grave, alcançando a população de 57 anos deste público. Também serão incluídos os trabalhadores do transporte aéreo.

“Com muita satisfação, avançaremos na vacinação de todos os cidadãos por faixa etária. É uma vitória da proposta que a Frente Nacional de Prefeitos, da qual sou presidente, apresentou ao Ministério da Saúde. Assim, na próxima semana, todos os aracajuanos com 58 e 59 anos já receberão a primeira dose da vacina contra a covid-19. Também vamos incluir novas faixas etárias dos trabalhadores da Educação e concluiremos os motoristas e cobradores. Além disso, pessoas com deficiência permanente grave, sem BPC, de 57 e 58 anos, já podem se vacinar”, afirmou Edvaldo.

A vacinação dos trabalhadores do transporte aéreo já teve início nesta sexta-feira, 28, e prossegue até o domingo, dia 30. Este grupo está recebendo a primeira dose da imunização no auditório da Escola Presidente Vargas, no bairro Siqueira Campos.

Vacinação 58 e 59 anos

A vacinação do novo grupo começará pela população de 59 anos na segunda-feira, 31. Neste dia, recebem a primeira dose do imunizante aqueles que nasceram nos meses de janeiro a abril. Na terça-feira, 1º, será a vez dos nascidos entre maio e agosto. Na quarta-feira, 2, serão imunizados os que nasceram entre setembro e dezembro.

Já na quinta-feira, 3, começam a receber a vacinação os aracajuanos de 58 anos, nascidos de janeiro a março. Na sexta-feira, 4, avançará para os cidadãos nascidos entre abril e junho, e no sábado, 5, para aqueles que aniversariam entre julho e setembro. Por fim, no domingo, 6, serão imunizados aqueles que nasceram entre outubro e dezembro.

Para organizar o fluxo e evitar aglomerações, a Secretaria da Saúde de Aracaju disponiblizará 10 pontos fixos para este público. São eles: UBS João Augusto Barreto (bairro Japãozinho); UBS Augusto Franco (bairro Farolândia); UBS Santa Terezinha (Zona de Expansão); UBS Marx de Carvalho (bairro Ponto Novo); UBS Adel Nunes (bairro América); CRAS João de Oliveira Sobral (bairro Santos Dumont); UBS Manoel de Souza Pereira (bairro Jabotiana); UBS Hugo Gurgel (bairro Coroa do Meio); UBS Cândida Alves (rua São João); e UBS Edézio Vieira de Melo (bairro Siqueira Campos). Para receber a 1ª dose nestes locais, é necessário apresentar documento de identificação com foto e comprovante de residência.

Também será possível receber a vacina no drive-thru, instalado no Parque da Sementeira, após cadastramento no portal “VacinAju” e liberação do código autorizativo.
Pessoas com Deficiência Permanente

A vacinação das pessoas com deficiência permanente grave (auditiva, visual, motora e mental), sem o Benefício de Prestação Continuada (BPC) também foi ampliada. Agora, aqueles que se encaixam neste grupo e estão na faixa etária de 57 e 58 anos já podem se vacinar. É obrigatória a apresentação de relatório médico comprovando a deficiência. Este grupo pode se vacinar no drive-thru (o cadastro é feito no Portal da Vacina) ou nos 10 pontos fixos que estão vacinando a população em geral de 58 e 59 anos.

Professores e rodoviários

Já entre os profissionais da Educação, poderão receber a vacina aqueles que atuam em creches, pré-escolas e no 1º e 2º ano do Ensino Fundamental, com idade acima de 18 anos. Pelo cronograma estabelecido pela Secretaria Municipal da Saúde, a vacinação desses profissionais ocorrerá de forma escalonada. De segunda-feira, 31, até quarta-feira, 2, serão vacinados os trabalhadores de 35 a 39 anos. Na segunda os nascidos entre janeiro e abril; na terça os que nasceram entre maio e agosto, e na quarta os nascidos entre setembro e dezembro.

Na quinta- feira, 3, será a vez dos trabalhadores de 30 a 34 anos que nasceram entre janeiro e junho, e na sexta-feira, 4, serão vacinados os educadores destas faixas etárias nascidos entre julho a dezembro. Já no sábado e domingo, dias 5 e 6, recebem a primeira dose os profissionais de 18 a 29 anos – no sábado os nascidos entre janeiro e junho, e no domingo os que nasceram entre julho e dezembro.

O mesmo esquema será adotado para os profissionais do transporte coletivo. Na segunda-feira, 31, serão vacinados os motoristas e cobradores de 35 a 39 anos que nasceram entre janeiro e junho, e terça-feira, 1º os nascidos entre julho e dezembro. Já na quarta-feira, 2, recebem a 1ª dose os trabalhadores de 30 a 34 anos, e, para finalizar, na quinta-feira, 3, os rodoviários de 18 a 29 anos.

Para este grupo, é necessário realizar cadastramento no portal “VacinAju” para emissão do código autorizativo. Também é preciso apresentar comprovante de vínculo com a instituição ou empresa na qual trabalha, RG, CPF e comprovante de residência. Com o código validado em mãos, os trabalhadores da Educação e do transporte público poderão se dirigir aos seguintes pontos: UBS Francisco Fonseca (bairro 18 do Forte); UBS Oswaldo de Souza (bairro Getúlio Vargas); UBS José Calumby (bairro Bugio); UBS Amélia Leite (bairro Suíssa); e Colégio CCPA (bairro Grageru).

150 mil vacinados

A Prefeitura de Aracaju vacinou 150.127 pessoas até esta quinta-feira, 27, o que representa 22,57% da população total do município e 29,21% dos residentes em Aracaju acima dos 18 anos. Até aqui, já foram imunizados idosos, profissionais de Saúde, pessoas com Síndrome de Down e Autismo, pessoas com comorbidades, profissionais de segurança pública, agentes de limpeza, pessoas privadas de liberdade e trabalhadores do sistema prisional, além dos profissionais da Educação e motoristas e cobradores do transporte público.

Fonte: AAN

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

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