domingo, fevereiro 12, 2012

O FIM E O RECOMEÇO.


Ontem à noite os policiais militares da Bahia resolveram suspender o movimento paredista que perdurou por 11 dias, para retornarem ao trabalho na caserna e nas ruas, pondo fim a um período de pânico que se estabeleceu em Salvador onde houve aumento dos crimes contra vida, saque a estabelecimentos comerciais, interdição de vias públicas, além da ocupação do prédio da Assembleia Legislativa do Estado.

O movimento paredista em Salvador criou um caos total com as pessoas evitando sair às ruas com medo da violência. No período solicitei ao Dr. Horlan, advogado em Salvador, para verificar o andamento de uns processos na 8ª Vara de Família e a resposta foi que pela insegurança, somente se saia às ruas em Salvador em casos de extrema necessidade.

Sem adentrar no âmago das reinvindicações dos militares que são justas, diga-se, no período, em Salvador, preponderou uma espécie de terrorismo cuja finalidade é levar o medo coletivo, prática comum nas lutas de libertação de vários povos da humanidade e que ali foi alcançado. Se a população mesmo com o movimento paredista militar fosse às ruas para o seu dia a dia e seus negócios, o movimento não teria a repercussão desejada, já que a Polícia Civil, parte de agrupamentos militares estaduais, a Força Nacional e o Exército Nacional se faziam presentes.

Aqui em Paulo Afonso que não foi o X do problema tudo ocorreu normalmente e os crimes cometidos no período são crimes que acontecem no dia a dia da cidade, sem acrescentar ou tirar. Graças ao Exercito Nacional que não tem como missão constitucional policiamento ostensivo interno nacional, podendo excepcionalmente intervir internamente, como foi o caso, o cidadão paulafonsino se sentiu seguro de ir para as ruas e confesso não entender o que levou a CEF suspender o expediente por um dia, criando embaraços para seu público cliente.

O certo é que o Exército Nacional foi efetivo nas ruas de Paulo Afonso e com mais a Guarda Municipal e os novos soldados em treinamento, Paulo Afonso teve segurança pública, embora circulasse rumores infundados de que estabelecimentos comerciais foram assaltados, o que não foi verdade. A instalação de barreiras nos acessos da cidade onde houve considerável apreensão de motos irregulares ou conduzidas por pessoas não habilitadas, o mesmo acontecendo em relação aos carros, o policiamento volante e colocação de soldados em pontos fixos foram fundamentais.

A par disso, quem efetivamente entende da bandidagem e modus operandi e áreas de atuação é a Polícia Civil, esta se manteve em atividade e com mais a segurança encontrada, tivemos o nosso dia a dia sem traumas.

O Governo do Estado na condução da greve estava meio perdido e o vazamento deliberado de conversas gravadas entre líderes do movimento salvou a pele de Jaques Wagner, pois, o movimento paredista militar perdeu sua credibilidade e aceitação parcial da opinião pública.

Como há vedação a associação de militar à entidade classista e ao direito de greve, o que na linguagem militar se diz motim, que é crime militar, e como as reivindicações dos militares do Estado são justas, me refiro ao como movimento paredista, por outro lado, defendo a desmilitarização da Polícia Militar dos Estados para se adotar Polícia Única (militar e civil) que tem previsão em PEC que tramita no Congresso Nacional e se encontra empancada no Senado Federal.

Finda a greve recomeça a novela da Feira de Paulo Afonso.

Raimundo Caires em seu mandato de Prefeito anunciou à intenção de construir o mercado público municipal de Paulo Afonso dando nova faceta a feira de Paulo Afonso, com um projeto mais abrangente e maior capacidade de absorção dos feirantes. Tanto naquela época como no modelo Anilton Bastos, me coloquei contra o investimento em razão do lugar.

Como projeto arquitetônico o Projeto Anilton tem valor inestimável e tudo indica que de futuro a médio ou longo prazo terá destinação melhor como uma Casa de Cultura de Paulo Afonso.

Noticia-se uma insatisfação de parte dos feirantes em razão do espaço interno para cada um, 2X2 ou 4X4. No primeiro caso, teríamos um espaço de 16m2 para cada feirante, e na segunda hipótese, 4m2 apenas para cada um. Não sei se todos os feirantes foram contemplados ou quais os critérios adotados pelo Município para destinação de cada espaço.

A Feira especialmente no Nordeste é uma manifestação cultural de múltiplas faces com situações variadas e adequar todas as situações a uma situação comum é problema. De inicio acho até possível acolher internamente os feirantes atuais, resultando problema para aqueles que comercializam produtos sazonais ou quem reforça o orçamento familiar com a comercialização de produtos como cebolinha, cuentro, feijão de corda, macaxeira e outros, que são pessoas que expõe o seu produto em bacias. São feirantes que não poderá se fazer presente em toda feira.

Minha preocupação maior é com o impacto urbanístico, ambiental e até de segurança, se o mercado funcionar 24 horas.

Hoje temos uma população de 110 mil habitantes e a tendência será de crescimento como continuará acontecendo com o Brasil nos próximos 30 anos. Aumentando a população crescerá a demanda e fatalmente isso levará a uma ocupação das pistas paralelas ao mercado público e se anunciará a necessidade do Município desapropriar todos os imóveis até o limite do mercado, das Ruas Otaviano Leandro e Landulfo Alves, o impacto urbanístico de que tratei.

Sou um aficionado por mercado público e quando vou as grandes cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza e Aracajú não deixo de visitá-los. O mercado público de Aracaju aqui perto é um bom exemplo.

Estive com representantes da Associação dos Feirantes que me expuseram algumas preocupações justas e que terão que ser resolvidas pelo Município.

Embora um belo monumento arquitetônico não se idéia dos impactos urbanístico e ambiental que poderão advir e nem também não sei se houve estudo prévio para tanto.

No artigo que escrevi para o jornal eletrônico www.paulo afonsonoticias.com.br, edição de 19.09.2009, sob o título “O Projeto Arquitetônico Aparenta Beleza” eu já expunha:

“Quanto à construção do mercado Público já era projeto do Governo Raimundo Caíres também com recursos diretos do Município. Não há inovação. Poderá ter havido alterações no projeto original ou elaboração de um novo projeto, conservando a proposta como do Governo Municipal anterior, de construção na Praça da Feira. Sobre o projeto de Raimundo eu já havia tecido críticas em razão da localização da obra e o efeito da impactação e a transformações urbanísticas que serão impostas.

Não me coloco na turma que tudo que se fizer é bom para o Município. Que o Município precisa de um mercado público compatível com as necessidades não há dúvida. Embora sem conhecer o projeto como elaborado, faço minhas restrições pessoais quanto à localização dele. Vamos ver o posicionamento do Conselho Municipal de Meio Ambiente que deverá conceder a licença ou não para execução da obra. Mercados Públicos como de São Paulo, Aracajú, Rio de Janeiro e outros são modelos. Paulo Afonso deve seguir no mesmo caminho.

Espero que a bancada de oposição da Câmara se preocupe com o projeto de construção do Mercado Público, não somente por ser de oposição, como se fosse boliviana (hay gobierno soy contra), quanto ao impacto urbanístico, estético, cultural, em razão das consequências negativas dele para a cidade, numa cidade que padece muito de áreas verdes no centro.

Creio que as entidades de Paulo Afonso não devem ficar a reboque de que bom é construir. Se assim fosse e se removido o centro da cidade para construção de uma fábrica pela geração de empregos que viria, isso seria válido? e não é assim? O projeto do mercado deverá ser questionado e exaurido.”

Enfim, como todo cidadão de Paulo Afonso, esperemos que a coisa dê certo. Se a cidade se desenvolve, mais chances para os negócios.

Paulo Afonso, 12 de fevereiro de 2012.

Fernando Montalvão.

Tit, do Escrit. Montalvão Advogados Associados.

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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