domingo, março 29, 2026

Lulinha, Bolsonaro e Flavitcho

 

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Arte: Marcelo Chello

O supremo não sextou na quinta e ainda botou todo mundo para trabalhar até sábado quando determinou que a CPI do INSS não poderia ser prorrogada. Resultado: a notícia ainda está acontecendo neste momento e talvez quando você estiver lendo já estaremos desatualizados. Dito isto, para surpresa de zero pessoas, o relator da CPI, senador Alfredo Gaspar (PL), pediu o indiciamento do Lulinha e mais umas trocentas pessoas (foram umas duzentas na verdade) e a situação, leia-se, o governo, já maneja para emplacar outro relatório que indicia Bolsonaro e Flavitcho, o filho 01.

Mas mesmo que se aprove, por um lado ou por outro, a gente já sabe que é sexta e acaba em pizza. O que vai definir mesmo daqui pra frente é a investigação da Polícia Federal, que já está em cima do Lulinha, diga-se de passagem. Lulinha era amigo do “careca do INSS” e a suspeita é que ele pode ter atuado para facilitar o esquema. Como todos hão de se lembrar, o caso do INSS é aquele em que uma série de instituições descontava ilegalmente do salário dos aposentados, sem autorização. Estamos falando de um esquema que começou no governo Bolsonaro e explodiu no governo Lula, com bilhões sendo retirados dos beneficiários do INSS. O governo Lula diz que pelo menos eles começaram a investigação. Mas o ministro da Previdência caiu e todo mundo questionou a demora da investigação.

Xandão também não sextou na quinta

Xandão mandou prender o Bacellar, o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio, que é acusado de atuar como líder do núcleo político de uma organização criminosa ligada ao Comando Vermelho. Ele teria vazado informações sigilosas de operações da polícia que estavam atrás do TH Joias e otrascositasmas.

E o Xandão também decidiu hoje restringir as atividades do Coaf, aquele órgão que fiscaliza as movimentações financeiras. Lá atrás, foi o Coaf que descobriu a movimentação atípica do Flavitcho Bolsonaro no esquema das rachadinhas e que depois acabou em nada porque a investigação foi barrada no Supremo. Agora o Xandão diz que o Coaf não pode ter acesso livre e irrestrito a contas bancárias e não pode ficar fazendo relatórios sob encomenda. O supremo disse que o Coaf só pode produzir relatórios se existe uma investigação criminal formalmente aberta (ou um processo administrativo ou judicial). Nada de ficar fazendo pescaria em conta bancária alheia.

Até parece razoável, não é? A questão é que a decisão chega depois que as CPIs em curso no Congresso andaram usando documentos do Coaf para mostrar relações comerciais e financeiras do supremo Dias Toffoli (dono do Tayayá) e do filho do supremo Nunes Marques.

Impeachment, diz Dudu

O Dudu Bolsonaro disse que eles estão certos de que terão maioria no Senado e que com isso vão fazer o impeachment do Xandão. Crônica de uma morte anunciada, todo mundo já sabe que se o bolsonarismo conseguir maioria no Senado os ministros do Supremo terão trabalho. Mas Dudu não pensa muito estrategicamente levando em conta que abandonou seu mandato no Brasil, foi para os EUA e lá ficou e assim perdeu a chance de ser um destes senadores eleitos. Há alguns meses a expectativa era de termos uns 4 Bolsonaros no Senado, agora já caiu pra dois. Dudu não será candidato, Flávio será candidato a presidente. Ficaram Michelle e Carluxo.

Temos um Marçal candidato à presidência?

Flavitcho Bolsonaro já tem um Marçal no sapato. Renan Santos do MBL, que agora é do partido Missão (eles não podiam ter registrado o nome do partido como MBL para facilitar nossa vida?), já começou a tática Marçal. Ele só tem uma chance de bagunçar o rolê que é conseguindo os votos da direita. Então começou a tirar sarro de Flavitcho dizendo que ele é um boneco de posto ao dançar, já fica dizendo nas redes que Flavitcho está traindo a direita e votando a favor de lei do feminismo (no caso é a lei que transforma misoginia em crime equivalente ao racismo) e por aí vai. E parece que o Flavitcho se abalou com essa história de ser chamado de boneco de posto. Bobagem, Flavitcho, assume o bonecão.

O que ele está olhando são as pesquisas, Renan já desponta em terceiro lugar na pesquisa AtlasIntel.

O fim do peru

O supremo acabou com os penduricalhos dos salários dos juízes e agora apresentaram uma estimativa que na média, com a decisão, os juízes vão receber cerca de 25 mil reais a menos. Antes recebiam uns 95 mil e agora vão receber 70 mil. Um desses não cai na minha conta. E bote reparo que o teto constitucional é de 46 mil reais.

Chega, BRASEW, que a CPI nem acabou, mas a gente já quer ir devorar uma pizza.


Em destaque

E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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