terça-feira, março 31, 2026

EDITORIAL: Entre Fatos e Boatos – A Responsabilidade de quem Fiscaliza e o Rigor da Lei


EDITORIAL: Entre Fatos e Boatos – A Responsabilidade de quem Fiscaliza e o Rigor da Lei


Por José Montalvão

Existem assuntos que, por mim, já estariam encerrados na lata do lixo da história política de Jeremoabo, como é o caso das pré-candidaturas que a região já conhece de sobra. No entanto, os debates acalorados no grupo "Jeremoabo Hoje" me obrigam a tecer comentários sobre pontos fundamentais: a coragem de denunciar, a situação jurídica de quem quer o voto do povo e a verdade sobre a justiça brasileira.

Não se faz política séria com omissão. O que assistimos agora é o choque entre a transparência e as velhas práticas que tanto mal fizeram ao nosso município.


1. O Papel do Cidadão: A Denúncia do Professor Marcelão

Acredito piamente que o Professor Marcelão, um homem de responsabilidade, não iria a público denunciar ninguém sem ter provas em mãos. Tratar do suposto uso de "funcionários fantasmas" pagos com dinheiro do FUNDEF — recurso sagrado da educação — para bancar cabos eleitorais é algo de extrema gravidade.

  • Direito e Dever: Ao denunciar, o professor não está sendo "perseguidor", está exercendo seu direito constitucional de cidadão.

  • Omissão é Covardia: Covardia seria tomar conhecimento de uma suposta improbidade com o dinheiro público e permanecer calado. Quem não deve, não teme a investigação; quem deve, tenta desqualificar quem denuncia.

2. Ficha Limpa: A Lei é para Todos

Sobre a situação eleitoral de candidatos que colecionam contas rejeitadas no TCU e no TCM, não há o que discutir: é uma questão de fato e de lei.

  • Inelegibilidade: A menos que ocorra uma mudança drástica na legislação até as eleições, a Lei da Ficha Limpa é clara. Gestor que teve contas rejeitadas por irregularidade insanável e decisão definitiva fica fora do jogo.

  • Consciência do Eleitor: O povo precisa entender que votar em quem está inelegível é jogar o voto fora e flertar com a insegurança jurídica.


3. A Verdade sobre Lula e o Papel do STF

Ainda ecoam vozes tentando repetir narrativas superadas sobre o presidente Lula. É preciso restabelecer a verdade jurídica: até hoje, ninguém conseguiu provar roubo, tanto que as injustiças cometidas contra ele foram derrubadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Para os desavisados ou mal-intencionados, vale o esclarecimento técnico:

  • Não é Terceira Instância: O STF não existe para reanalisar fatos ou "contar provas" (conforme a Súmula 279).

  • Guardião da Constituição: O Supremo atua quando a sentença ofende diretamente a Constituição Federal. No caso de Lula, o que o STF reconheceu foi que o processo estava viciado, com um juiz parcial e fora de sua competência legal. Quando a regra do jogo é quebrada pelo juiz, a partida é anulada. Isso é o que garante que nenhum cidadão — seja ele presidente ou operário — seja perseguido pelo Estado.


Conclusão: O Título como Ferramenta de Limpeza

A política em Jeremoabo não pode mais ser terreno para quem deve à justiça ou para quem usa o dinheiro do estudante para fazer campanha. O debate no "Jeremoabo Hoje" mostra que o povo está atento.

Que cada um use sua consciência e seu título de eleitor para separar o joio do trigo. A verdade pode até ser abafada por um tempo, mas ela sempre encontra o caminho da luz através daqueles que têm coragem de falar.


Blog de Dede Montalvão: Onde o debate é livre, mas os fatos são sagrados.

José Montalvão Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da ABI (C-002025)

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