terça-feira, outubro 29, 2024

Ana Patrícia lança chapa Muda OAB e apresenta propostas para advocacia

 Foto: Divulgação

Ana Patrícia lança chapa Muda OAB e apresenta propostas para advocacia29 de outubro de 2024 | 07:04

Ana Patrícia lança chapa Muda OAB e apresenta propostas para advocacia

bahia

Centenas de advogados e advogadas participaram na noite desta segunda-feira (28/10) do lançamento da Chapa Muda OAB, que traz a advogada Ana Patrícia Dantas Leão como candidata à presidência da Ordem dos Advogados do Brasil Seção Bahia (OAB-BA). O evento ocorreu no auditório do Hotel Wish (Campo Grande, antigo Hotel da Bahia). Acompanhada do candidato a vice-presidente, o advogado criminalista Ivan Jezler, e do candidato à presidência da Caixa de Assistência dos Advogados da Bahia (CAAB), o advogado Carlos Sampaio, Ana Patrícia fez questão de destacar que tem uma série de propostas a apresentar para toda a advocacia baiana. “Não serei uma candidata a presidente da OAB que apenas critica. Eu faço as críticas, mas trago propostas. Vamos lutar pela extinção, por exemplo, dos cartórios integrados do estado, que têm se mostrado um grande obstáculo para o exercício da advocacia. Vamos devolver a cada unidade a autonomia necessária para a gestão de seus processos. Isso vai melhorar a eficiência e agilidade nos serviços”, destacou Ana Patrícia.

A candidata assumiu também o compromisso de promover um diálogo amplo e inclusivo com toda a advocacia baiana para estabelecer um valor de piso salarial equilibrado, que garanta um mínimo de dignidade e de segurança financeira e que possa ser efetivamente aplicado em todo o estado. “Enquanto aguardamos a aprovação da lei estadual, implementaremos um piso salarial ético, que será previsto na tabela de honorários, promovendo condições justas de trabalho e incentivando o respeito à profissão”, disse a advogada.

Outras propostas foram destacadas, como a criação de um Pacto pela Justiça, por meio do qual se buscará uma integração, com independência e harmonia, dos poderes Judiciário, Legislativo e Executivo em prol do cidadão e da cidadã. Ana Patrícia propõe também a descentralização da procuradoria de Prerrogativas da OAB, implementação de eleições virtuais, implantação de uma nova sede para a seccional da OAB-BA e, entre várias outras sugestões, a criação de um novo clube dedicado à advocacia baiana, que contará com instalações modernas e serviços de qualidade.

Prevista para acontecer no dia 19 de novembro (entre os feriados de 15 de novembro, Proclamação da República, e 20 de novembro, dia da Consciência Negra), a eleição na OAB-BA está sendo bastante criticada por advogados e advogadas, devido à possibilidade de pouca participação no pleito, já que a data escolhida pela atual gestão, no meio de um feriadão, é vista como uma tentativa de enfraquecer o processo democrático e participativo, pois o voto será presencial, e não virtual, como nos outros estados da federação.

“Uma onda azul e amarela tomou conta deste auditório nesta noite, pois todos estamos insatisfeitos e indignados com o estado da advocacia na Bahia. Isso aqui, hoje, é a busca genuína de mudanças na OAB”, resumiu o advogado trabalhista Diego Oliveira. “A atual presidente da OAB tentou três vezes ser ministra do TSE. Isso é inaceitável”, observa ainda Oliveira. E acrescenta: “Não é saudável para nenhuma instituição um pequeno grupo dominar a gestão por mais de 12 anos”.

Protocolada no último dia 20 de outubro, na sede da OAB-BA, a chapa “Muda OAB” tem o número 52 e concorre ao comando da Ordem para o triênio 2025/2027. “A nossa proposta é resgatar a Ordem e devolvê-la aos advogados e advogadas do Estado da Bahia. Nossa mensagem é de transformação e renovação”, diz Ana Patrícia.

Para o presidente da Associação dos Advogados Criminalistas da Bahia (AACB), Joel Mendes, a necessidade de mudança na OAB é cristalina. “As pessoas me criticam dizendo que estou à frente da Associação fazendo política, mas não tenho culpa se toda a advocacia quer mudança. Há muita violação de prerrogativas no dia a dia da advocacia criminal, por isso queremos à frente da nossa OAB uma mulher guerreira como Ana Patrícia”.

Na avaliação da advogada Sílvia Cardoso, a candidatura de Carlos Sampaio à presidência da CAAB é um recado muito direto sobre a diversidade da chapa Muda OAB. “Somos ativistas e militantes da advocacia negra e em razão disso estamos aqui, porque não aceitamos mais a invisibilidade e a falta de inclusão na cidade mais negra fora da África e que tem uma advocacia pujante”, disse a advogada.

Já o candidato a vice-presidente Ivan Jezler elogiou o compromisso público de Ana Patrícia de não se candidatar a nenhum cargo eletivo no Judiciário. “Ela tem o firme propósito de fortalecer a independência da OAB e focar nas necessidades da advocacia. Não estamos aqui por um projeto de poder, nossa vitória vai inspirar advogados e advogadas a voltar a acreditar no exercício pleno da profissão “.

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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