quarta-feira, fevereiro 28, 2024

Denúncia sobre hospital do câncer irrita o governo Mitidieri

 em 28 fev, 2024 8:09

Adiberto de Souza

O governo de Sergipe saiu com quatro pedras nas mãos contra Henrique Prata, tudo porque este empresário se queixou que o Hospital do Amor, de Lagarto, ainda não está atendendo pacientes com câncer por culpa exclusiva da gestão Mitidieri. Rapidamente, a Secretaria da Saúde divulgou nota acusando a direção da moderna unidade de não cumprir as exigências da Vigilância Sanitária. A verdade é que, seja lá o que for, o Hospital de Lagarto está pronto, mas fechadinho da Silva Xavier. Aliás, a nota da Secretaria deixa a entender que aquela casa de saúde não é tão importante assim, pois já existem outros hospitais no estado especializados em oncologia. Pensando bem, Henrique Prata errou feio ao melindrar um governo festeiro, chefiado por um jovem político que sua a camisa correndo atrás de trios elétricos, dançando em alegres forrós e divertindo-se nas cavalgadas e vaquejadas de Sergipe. Ora, onde já se viu contrariar o animado governador justo na véspera do Projeto Verão, festança patrocinada pelos cofres públicos para deleite dos milhares de brincantes? Pensando bem, que o empresário vá se queixar ao bispo, de preferência longe de Sergipe, pois a sua moderna unidade de saúde não é uma prioridade para a burguesia e os políticos sergipanos, acostumados a pegar um avião e ir se tratar nos carríssimos hospitais particulares de São Paulo. Marminino!

Conversa fiada

Depois que a empresa Gol anunciou a suspensão do voo Aracaju-Salvador, a partir de março agora, a Secretaria Estadual do Turismo informou que está tentando fazer a aérea voltar atrás na decisão. No ano passado, quando essa mesma empresa deixou de fazer o voo entre as duas capitais, o governo de Sergipe disse a mesma coisa, porém a Gol só recolocou um avião no trajeto durante a alta estação turística. Portanto, quem está pensando em ir a Salvador ou de lá retornar para Aracaju é bom comprar uma passagem de ônibus, porque de “asa dura” só na próxima alta estação. Crendeuspai!

Derrota como exemplo

É bom o ex-governador de Sergipe, Belivaldo Chagas (PSD), pensar melhor com os seus botões antes de se aventurar numa candidatura em Aracaju, mesmo que seja a vice-prefeito. O “Galeguinho” não deve esquecer do tropeço sofrido por seu conterrâneo e também ex-governador Antônio Carlos Valadares (Solidariedade). Em 2000, “Vavá” se candidatou a prefeito da capital sergipana, teve apenas 22,08% dos votos e ficou em 3º lugar, num pleito vencido, ainda no 1º turno, pelo saudoso Marcelo Déda (PT). Conterrâneo de Belivaldo e Valadares, o petista bom de votos se elegeu governador de Sergipe seis anos após a vitória em Aracaju. Crendeuspai!

Magrela saudável

A maioria dos ciclistas usa a bicicleta como transporte, para ir ao trabalho (88,1%), e pedala cinco dias ou mais por semana (71,6%). Os números constam da pesquisa Perfil do Ciclista Brasileiro. O estudo revelou que 61,8% dos entrevistados usam a bicicleta como meio de transporte há menos de 5 anos. A maior parte (56,2%) leva entre 10 e 30 minutos em suas viagens, tem entre 25 e 34 anos de idade (34,3%) e renda entre um e dois salários mínimos (30%). E viva a “magrela”!

Eleições no cardápio

O MDB do senador Alessandro Vieira está investindo forte na pré-candidatura da secretária da Mulher, Danielle Garcia (MDB), a prefeita de Aracaju. O objetivo inicial do projeto é “detonar” a pretensão da deputada federal Yandra de André (União) em concorrer à Prefeitura e, por conseguinte, evitar que o pai da parlamentar tenha acesso ao cofre municipal. Ontem, por exemplo, Danielle almoçou com o também pré-candidato a prefeito Fabiano Oliveira (PP). Certamente ambos discutiram qual dos dois estará mais forte na hora de os governistas sentarem à mesa para definir com quem vão à disputa eleitoral de Aracaju. Então, tá!

Obras fiscalizadas

Uma equipe do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) deu com os costados em Aracaju. Veio fiscalizar os projetos executados pela Prefeitura com recursos da instituição financeira. São mais de R$ 300 milhões que estão sendo empregados diversas obras, a exemplo da construção da avenida Perimetral Oeste, do novo conjunto residencial do bairro Lamarão, com 484 casas, e da completa reforma do Parque da Sementeira. A chefe de operações do BID, Paola Arrunategui, informou que nos três dias de visita, a equipe pretende avaliar e entender como a gestão municipal tem trabalhado para entregar as obras dentro do prazo estabelecido. Ah, bom!

Ficou pra depois

Foi adiada de hoje para o próximo dia 6 a prestação de contas que a secretária estadual da Fazenda, Sara Andreozzi, fará na Assembleia Legislativa. A ilustre vai falar aos deputados sobre o comportamento das finanças do estado no 3º quadrimestre de 2023. Os parlamentares integrantes da Comissão de Economia, Finanças, Orçamento e Tributação terão acesso aos números atualizados sobre o comportamento das receitas, despesas, previdência, dívida do Estado e cumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal. Aff Maria!

Marcação serrada

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou uma resolução regulamentando o uso da Inteligência Artificial durante as eleições deste ano. O objetivo da medida é evitar a circulação de montagens de imagens e vozes produzidas visando para manipular declarações falsas de candidatos e autoridades. E para combater a desinformação durante a campanha, o TSE determinará que as redes sociais deverão impedir ou diminuir a circulação de fatos inverídicos ou descontextualizados. As plataformas que não retirarem conteúdos antidemocráticos e com discurso de ódio, como falas racistas, homofóbicas ou nazistas, serão responsabilizadas. Home vôte!

Relatório aprovado

O relatório da CPI da Braskem no Senado Federal foi aprovado, ontem, em votação simbólica. O plano de trabalho do relator, senador Rogério Carvalho (PT), visa investigar os impactos da exploração de sal-gema na cidade de Maceió. Também foram aprovados pedidos de informações a diversos órgãos públicos. Os 11 senadores titulares e sete suplentes terão até 22 de maio para, entre outras coisas, investigar as causas do colapso do solo na capital alagoana e dimensionar os passivos do desastre com responsabilização e reparação justa às vítimas. Cruz, credo!

Estranho silêncio

A classe política de Lagarto não deu um pio sequer sobre a grave denúncia de que o governo de Sergipe estaria boicotando a abertura do Hospital do Amor, construído naquele município para atender vítimas de câncer. Fizeram voto de silêncio os três deputados estaduais, os dois deputados federais – um está secretário – e o senador lagartenses. A prefeita Hilda Ribeiro (SD) também ficou muda. Tomara que na visita do governador Fábio Mitidieri (PSD), amanhã, a Lagarto, os seus aliados políticos o convidem para conhecer o moderno Hospital do Amor, que está pronto, mas permanece fechado, sem atender a quem precisa. Danôsse!

INFONET

Em destaque

E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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