terça-feira, fevereiro 27, 2024

As eleições de Aracaju vão estimular traições e rompimentos políticos

 em 27 fev, 2024 8:06

Adiberto de Souza

Nem todas as juras de apoio político feitas agora serão respeitadas quando chegar a hora de se definir os candidatos à Prefeitura de Aracaju. Já tem gente apostando que a ampla coligação governista não permanecerá no mesmo barco, pois nem todos concordam com as pré-candidaturas anunciadas.  No PSD, por exemplo, enquanto alguns torcem por Luiz Roberto (PDT), outros apostam em Yandra de André (União). O PT parece mais uma corda de caranguejos, que ao ser desatada esparrama crustáceos para todos os lados. Até o nanico Psol está dividido entre a deputada Linda Brasil e a advogada Niully Campos.  Claro que as lideranças partidárias estão apostando que no andar da carruagem as abóboras se arrumam. Os mais experientes, contudo, concordam ser difícil manter os aliados de hoje no mesmo palanque de amanhã. Os governistas já reconhecem a divisão quando admitem a hipótese de lançarem duas candidaturas a prefeito de Aracaju. No PT é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que o grupamento do ministro Márcio Macedo subir no palanque da pré-candidata Candisse Carvalho. Portanto, não se surpreenda se nos próximos festejos juninos os aliados de hoje estejam dançando com outros parceiros. Misericórdia!

Plano de trabalho

O relator da CPI da Braskem, senador Rogério de Carvalho (PT), deverá apresentar seu plano de trabalho nesta terça-feira. Segundo o petista, as investigações vão focar nas causas dos danos ambientais provocados pela extração de sal-gema pela petroquímica em Maceió. Ele vai sugerir os nomes dos primeiros convocados para saber sobre a atuação do poder público quando do recebimento das denúncias e as providências adotadas ou não pela Braskem por ocasião dos primeiros alertas. Danôsse!

Conversa fiada

Vejam algumas mentiras que nunca faltam em todas as campanhas eleitorais, e que certamente reaparecerão agora em 2024: “Você me conhece!”; “Se eleito for, vou construir mais escolas e casas populares”; “Podem vasculhar o meu passado. Não vão encontrar nada!”; “Sou melhor do que os que aí estão!”; “Nesse bolso nunca entrou dinheiro desonesto!”; “Vote em mim que você não se arrependerá”. O eleitor deve ficar atento para não ser enganado pelos milhares de candidatos que vão perambular por Sergipe na campanha que se avizinha. Home vôte!

Novo dono

Descartado pelo prefeito de Itabaianinha, Danilo de Joaldo, o PSDB voltou para as mãos do ex-senador Eduardo Amorim. Ele havia perdido o partido para o senador Alessandro Vieira, que resolveu se mudar de mala e cuia para o MDB. De volta à tucanagem, Eduardo sonha em ser candidato a vice-prefeito de Aracaju, de preferência numa chapa encabeçada pela vereadora Emília Corrêa. A questão é que a ilustre ainda não decidiu se permanece no PRD ou se pula a janela pras bandas do PL, comandando em Sergipe pelo dublê de político e empresário Edvan Amorim, que vem a ser irmão do novo emplumado. Marminino!

Prestando contas

A secretária estadual da Fazenda, Sara Andreozzi, apresentará aos deputados o balanço das ações da pasta. Será às 11 horas de amanhã, na Sala das Comissões da Assembleia Legislativa. A distinta dará explicações sobre o cenário atual das arrecadações e investimentos do estado. Ontem, Sara Andreozzi discutiu com a deputada federal Katarina Feitosa (PSD) e uma comissão de auditores fiscais sobre a restruturação da carreira desta categoria profissional. Legal!

Lei dos vigilantes

O senador Laércio Oliveira se reuniu com o diretor-geral da Polícia Federal, delegado Andrei Rodrigues, para apresentar o projeto de lei que cria o Estatuto da Segurança Privada. A propositura determina que os bancos tenham um plano de segurança que conte com alarme monitorado, circuito interno de imagens, cofres com fechadura programada e pelos menos dois seguranças armados, vestidos com coletes à prova de bala. Segundo Laércio, os vigilantes precisam ter garantias para sua própria proteção. O projeto prevê ainda piso salarial, seguro de vida e assistência jurídica para a categoria. Ah, bom!

Blá-blá-blá político

O PSD volta a exibir propaganda partidária em rede nacional de rádio e televisão nesta semana. As inserções serão transmitidas na programação noturna das emissoras hoje e na próxima quinta-feira, sempre entre 19h30 e 22h30. No total, serão 10 minutos de propaganda partidária da legenda, distribuídos da seguinte forma: cinco minutos na terça e cinco na quinta. Neste ano, o PSD tem direito a 40 inserções, com um tempo total de 20 minutos. Caso você não tenha paciência para ouvir ou assistir esse enfadonho blá-blá-blá, desligue o rádio ou a televisão. Crendeuspai!

Grana na mão

O governo de Sergipe inicia, hoje, o pagamento dos servidores públicos estaduais referente a este mês de fevereiro. Recebem primeiro os aposentados e pensionistas. Amanhã, botam a grana no bolso os servidores das secretarias de Estado da Educação, da Saúde e das Fundações de Saúde. Por fim, na próxima quinta-feira será a vez dos servidores públicos das demais secretarias, empresas, autarquias e fundações. O pagamento da primeira parcela do 13º salário também será depositado para os servidores que fazem aniversário neste mês. Supimpa!

Endereço novo

O prefeito de Simão Dias, Cristiano Viana, vai trocar o PSB pelo PT. Agendada para o próximo dia 9, a filiação promete ser festiva e prestigiada, entre outros, pelo ministro Márcio Macedo (PT), responsável pela decisão de Viana em ingressar no partido da estrelinha. Aliado político dos Valadares, o prefeito se sentiu desconfortável no PSB depois que a legenda caiu nas mãos do vice-governador Zezinho Sobral. Além do PT, Cristiano contará com o apoio do Solidariedade, que agora é presidido em Sergipe pelo ex-deputado federal Valadares Filho. Então, tá!

Virou livro

Será na próxima sexta-feira, o lançamento do livro “A trajetória de uma intelectual orgânica: múltiplos olhares”, que aborda a vida, a história e luta da professora e ex-deputada estadual Ana Lúcia (PT). Ao convidar os colegas de parlamento para a noite de autógrafos, o vereador aracajuano Camilo Daniel (PT) disse ter “muito orgulho de conviver com a maior líder política de Sergipe. Me espelho muito em sua força e coragem”. O lançamento vai acontecer na praça Tobias Barreto, em Aracaju, e terá a participação de grupos culturais, exposição fotográfica, etcétera e tal. Prestigie!

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Em destaque

E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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