quinta-feira, setembro 30, 2021

Presidente da Petrobras esvazia o poder administrativo do governo Bolsonaro


Bolsonaro já desistiu de interferir na política da Petrobras

Pedro do Coutto

Na tarde de segunda-feira, o general Silva e Luna, presidente da Petrobras, rebateu as afirmações feitas pela manhã pelo presidente Jair Bolsonaro fazendo restrições à política de reajuste de preços. Além disso, no dia seguinte, terça-feira, Luna anunciou um novo reajuste no preço do óleo diesel que subiu de R$ 2,61 para R$ 3,06 o litro. Assim agindo, o general reafirmou, na prática, num espaço de 24 horas, a sua disposição de manter a política até então adotada pela Petrobras de ajustar os preços às oscilações do petróleo no mercado internacional e do dólar no sistema de câmbio brasileiro.

Na prática, mostrou que Jair Bolsonaro não exerce poder administrativo em relação às orientações que ele traça como presidente da Petrobras, confirmando a posição dos acionistas, entre os quais o próprio governo. O presidente Jair Bolsonaro, evidentemente, não ficou bem no episódio. Pelo contrário. Ficou ainda pior do que se encontrava antes de ter se referido à influência da subida do preço dos combustíveis na escalada inflacionária.

RECUO – A nova etapa dos preços dos combustíveis levou claramente o presidente da República a um recuo na medida em que ele desistiu de interferir na política da Petrobras e passou a questionar o peso do ICMS cobrado pelos estados sobre a comercialização final nas bombas de abastecimento. O acréscimo do óleo diesel significa um aumento de 8,9%, como assinala a reportagem de Stephanie Tondo, O Globo de quarta-feira.

A matéria assinala também que o óleo diesel é o combustível dos caminhões que transportam os alimentos em todo o país. Com o acréscimo, o custo do transporte vai subir e o preços dos gêneros alimentícios, em consequência, também. Mas o consumo do óleo diesel não se restringe aos caminhões. Estende-se também às frotas de ônibus de transporte de passageiros. Tanto os transportes interurbanos, quanto os transportes interestaduais.

Tentando equacionar a questão, o presidente da Câmara, Arthur Lira, matéria de Fernada Trisotto e Manoel Ventura, O Globo, quer colocar em discussão na Câmara um projeto capaz de determinar um valor fixo para incidência do ICMS sobre os combustíveis. Esse valor hoje é diversificado. O Rio de Janeiro, por exemplo, pratica o ICMS de 14%.

CONSEQUÊNCIA  – Como não existe, a exemplo do que digo sempre, débito sem crédito, se alguém deixar de pagar uma parcela, o mesmo valor é debitado na conta de quem recebe. Com isso, no caso da gasolina e do diesel, o governo federal, consequência do recuo de Jair Bolsonaro, quer transferir a redução do preço da receita dos estados.

Os estados certamente reagirão negativamente alegando, por exemplo, que não têm vinculação alguma com os preços do mercado internacional ou com as oscilações de câmbio. O reflexo eleitoral da transferência de redutor será sem dúvida bastante sensível, atingindo o comportamento do eleitorado nas urnas de 2022.

SELIC – Reportagem do Estado de S. Paulo publicada ontem, revela que a tendência do Banco Central é reajustar novamente a taxa Selic elevando-a em mais um ponto percentual no mês de outubro. A meta de acordo com a matéria é fixá-la em 9% ao ano. Trata-se de uma consequência lógica que condiciona o mercado financeiro não só do Brasil, mas de todos os países. O índice que reajusta os títulos públicos do Tesouro não pode ser menor do que a realidade inflacionária.

No Brasil, por exemplo, a taxa Selic encontra-se abaixo da inflação oficial do IBGE que já atinge 10% nos 12 meses, entre setembro de 2020 e setembro de 2021. Caso contrário, os bancos, os fundos de investimento e os fundos de pensão que são aplicadores e credores dos papéis do Tesouro estariam operando com juros negativos, resultado da diferença entre 10% e o valor atual da taxa que regula a rolagem do pagamento dos juros pelo governo.

“ZERO À ESQUERDA” – O endividamento do país eleva-se a R$ 6 trilhões. Se, por hipótese, a Selic passar para 10%, só o custo dos juros representará um desembolso anual de R$ 600 bilhões. Isso em um orçamento federal que é de R$ 3,6 trilhões. O presidente Jair Bolsonaro afirmou, está na matéria de Stephanie Tondo, que é um “zero à esquerda” em matéria de Economia, mas que deposita a sua confiança no presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Um detalhe: até o final da semana passada, o exemplo de especialista em Economia era o ministro Paulo Guedes. Agora, parece que passou a ser Roberto Campos Neto.

Um aspecto que a meu ver merece uma observação é a influência do câmbio na comercialização de petróleo. Isso porque o Brasil é tanto exportador de petróleo quanto importador de gasolina e óleo diesel. Se o dólar de um lado representa elevação de custos, de outro significa também captação de receitas. Eis aí um problema a ser equacionado.  

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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