Defesa de Jaques Wagner recorre ao STF para anular busca e apreensão em residência
Por Redação
22/06/2026 às 17:50
Atualizado em 22/06/2026 às 18:23
Foto: Política Livre/Arquivo
O senador Jaques Wagner (PT)
A defesa do senador Jaques Wagner (PT) apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta segunda-feira (22), um recurso para anular a decisão que autorizou a realização de busca e apreensão em sua residência. Segundo os advogados, a medida foi baseada em equívocos que comprometem sua validade.
De acordo com a defesa, o parlamentar nunca atuou no Congresso Nacional para beneficiar o Banco Master. Os advogados argumentam que a única emenda apresentada por Wagner sobre o tema, no âmbito da Medida Provisória 1106/2022, tinha como objetivo limitar juros e ampliar a proteção aos consumidores, posição que, segundo eles, contrariava os interesses da instituição financeira.
A defesa também afirma que o senador se posicionou contra a chamada “Emenda Master”, apresentada por outro parlamentar durante a tramitação da PEC 65/2023. Os advogados destacam que essas manifestações e atuações são públicas. Em nota, o senador Plínio Valério (PSDB-AM), relator da proposta, declarou que nunca foi procurado por Jaques Wagner para tratar do assunto.
Em relação aos valores em espécie apreendidos, os advogados de Wagner sustentam que todos possuem origem lícita e comprovada. Segundo a defesa, parte dos recursos corresponde a diárias pagas pelo Senado para missões oficiais no exterior, enquanto outra parcela foi obtida por meio de operações regulares junto a instituição financeira, devidamente registradas.
Os advogados acrescentam que o próprio Ministério Público Federal já havia considerado prematura a apreensão desses bens e afirma que não há qualquer irregularidade a ser ocultada.
Na última quinta-feira, 18, a Polícia Federal a nona fase da Operação Compliance Zero, que teve Wagner como principal alvo.
A investigação apura fraudes envolvendo o Banco Master e o PT da Bahia, os vínculos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e a suposta participação do parlamentar no esquema.
A PF suspeita que Jaques Wagner recebeu um imóvel de R$ 2,5 milhões e pagamentos de propina que totalizaram R$ 3,5 milhões por meio de uma empresa ligada a um de seus familiares.
Segundo os investigadores, a estrutura teria sido utilizada para ocultar vantagens indevidas supostamente pagas no contexto das fraudes investigadas na Compliance Zero.
A PF também investiga se Jaques Wagner usou a atuação parlamentar para defender pautas de interesse do Banco Master no Congresso. Segundo os investigadores, o senador teria tratado diretamente com o ex-sócio da instituição, Augusto Ferreira Lima, de propostas que poderiam beneficiar o banco controlado por Daniel Vorcaro.
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