Publicado em 22 de junho de 2026 por Tribuna da Internet

Delúbio tenta voltar à Câmara e critica Joaquim Barbosa
Yago Godoy
O Globo
O ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, pré-candidato a deputado federal por Goiás, chamou o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa (DC) de “desqualificado”, e afirmou que irá pedir revisão criminal do processo do Mensalão. Pré-candidato à Presidência da República, Barbosa foi o relator do caso na Corte que, dentre outras ações, condenou o petista por corrupção ativa.
Em entrevista ao portal Poder360, Delúbio comparou o Mensalão com a Operação Lava-Jato, alegando que ambas “não tinham provas contra os condenados”. Ao ser questionado sobre a intenção de Barbosa em concorrer ao Planalto, o petista ressaltou ter feito esforços para convencer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a indicá-lo ao Supremo.
“DESQUALIFICADO” – “Esse ex-ministro é um desqualificado”, atacou Delúbio. “Ele saiu pela porta dos fundos do STF, correu, foi morar em Miami, e agora diz que está voltando. Quero ver se ele volta mesmo e disputa as eleições, participa dos debates. É bom todo mundo saber quem é Joaquim Barbosa, que tinha um currículo espetacular”, completou.
O ex-tesoureiro, sem citar o nome do senador Sergio Moro (PL), afirmou que “o ex-juiz da 13° Vara de Curitiba (responsável por conduzir a Lava-Jato) copiou todos os erros do Mensalão”. Delúbio também foi condenado no âmbito da operação, o que definiu como “esdrúxulo”.
“Eu vou pedir revisão criminal após o período que eu achar necessário, inclusive deixei um documento com a minha neta para que, se eu morrer e não pedir, ela possa pedir revisão criminal do Mensalão. Outros que foram condenados no Mensalão também vão pedir”, declarou. “Eu não tenho raiva nem ódio de ninguém, mas eu não convidaria Joaquim Barbosa para jantar na minha casa”, acrescentou..
INDULTO DE PENA – Em novembro de 2012, Delúbio foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a oito anos e 11 meses de prisão no contexto do Mensalão. Em 2016, no entanto, o ex-ministro Luís Roberto Barroso concedeu o indulto da pena após o petista preencher os requisitos legais para a concessão do benefício — como sentença remanescente não superior a oito anos e cumprimento de um quarto da pena.
Depois, também chegou a sofrer condenação na Lava-Jato, mas o Superior Tribunal de Justiça (STJ) considerou que a vara federal do então juiz Sergio Moro, no Paraná — hoje senador e pré-candidato ao governo —, não tinha competência para julgá-lo.
ELEIÇÕES EM GOIÁS – Ainda ao Poder360, Delúbio afirmou que seu objetivo “ajudar Lula a governar” e ajudar Goiás “a ter mais proximidade” do governo a fim de conquistar benefícios para o estado. O petista defendeu a necessidade de haver “harmonia política” com nomes de campos adversários.
“Todos os demais crimes imputados a mim, que eram 144 processos, eu fui inocentado de todos e hoje estou à disposição da população de Goiás para essa eleição”, disse.
OFICIALIZAÇÃO – Em relação ao governo do estado, Delúbio afirmou que o PT em Goiás apresentou o nome do ex-deputado Luis Cesar Bueno como pré-candidato, como mostrado pelo O Globo. Apesar disso, ele ressaltou que a indicação ainda aguarda pela oficialização do diretório nacional, bem como a aprovação de siglas aliadas.
“O Diretório Nacional não se posicionou ainda, não bateu o martelo. Se o Diretório Nacional sugerir, junto com os partidos que estão formando a base do governo federal, não teria problema em mudar o candidato. Não vou contestar nada”, afirmou. “Eu batalhei muito por uma aliança com o ex-governador Marconi Perillo, com a federação PSDB-Cidadania. O PT tinha um acordo com ele apoiando a candidatura do presidente Lula e nós o apoiaríamos aqui para governador”, lembrou Delúbio, destacando que o acordo não teve continuidade.