Publicado em 16 de junho de 2026 por Tribuna da Internet
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Zambelli sacou uma arma e apontou para Luan
Yago Godoy
O Globo
A Justiça de São Paulo decidiu revogar, nesta segunda-feira, a ordem de prisão em regime aberto contra o jornalista Luan Araújo, que foi alvo de uma perseguição armada da ex-deputada Carla Zambelli durante as eleições de 2022. Depois do ocorrido, a então parlamentar moveu uma ação contra Araújo pelos crimes de injúria e difamação após alegar ter sido ofendida a partir de um texto publicado pelo jornalista em um site, com críticas sobre o episódio em que a ex-deputada sacou uma arma contra ele.
A determinação da prisão, divulgada no início deste mês, ocorreu pelo fato do jornalista não pagar a indenização de R$ 2.216,30 prevista no processo. Em nota divulgada na noite de ontem, a defesa de Araújo afirmou que a multa foi quitada graças a uma “grande mobilização popular” para uma campanha de arrecadação online.
MOBILIZAÇÃO POPULAR – “O apoio da sociedade foi fundamental para reverter uma decisão anterior que havia determinado a conversão da pena em prisão, demonstrando a desproporcionalidade da medida frente à comprovada hipossuficiência financeira de Luan”, diz o comunicado, assinado pelo advogado Renan Bohus.
Na atual decisão, o juiz José Fernando Streinberg determinou a extinção da punibilidade pelo cumprimento da pena, o que encerra o processo e impede que novas sanções sejam aplicadas. Conforme a defesa, isso ocorre devido ao “cumprimento integral das penas impostas”.
“A defesa celebra a decisão, que não apenas encerra o processo, mas também reafirma a importância da solidariedade e da mobilização social como instrumentos de justiça. Agradecemos a todos os que contribuíram e se manifestaram em apoio a Luan Araujo”, completa a nota.
PRESTAÇÃO PECUNIÁRIA – Na decisão anterior, Streinberg havia afirmado que “o condenado, apesar de devidamente intimado, não cumpriu a prestação pecuniária imposta”. A ex-deputada diz que foi ofendida por Araújo em um texto publicado no portal Diário do Centro do Mundo, no qual ele conta sobre o episódio vivido em 2022.
No artigo, Araújo escreve que Zambelli usou o episódio como “mais um espaço para fazer o picadeiro clássico de uma extrema-direita mesquinha, maldosa e que é mercadora da morte”.
A PERSEGUIÇÃO – Em outubro de 2022 a ex-deputada federal Carla Zambelli sacou uma arma e apontou para um homem no bairro nobre dos Jardins, em São Paulo. A deputada afirmou ter sido hostilizada por “militantes de Lula”.
O local, na Alameda Lorena, fica a um quilômetro da Avenida Paulista, onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) realizava um ato de campanha. Araújo contou ao O Globo que saía de um chá de bebê quando ouviu Carla Zambelli dizer “amanhã é Tarcísio”, em referência à possível eleição de Tarcísio de Freitas, candidato bolsonarista ao governo de São Paulo.
Araújo disse ter xingado Zambelli nesse momento e defendido voto em Lula, e que a partir de então as pessoas que estavam com a deputada começaram a filmá-lo: “No fim da discussão, eu disse “te amo, espanhola”, que é a frase do (senador) Omar Aziz na CPI da covid “, afirmou.
VIOLÊNCIA – Um vídeo mostra Zambelli se desequilibrar e cair nesse momento. Ela levanta rapidamente e corre atrás de Luan, junto com alguns de seus apoiadores. Um deles, que é branco, aparece com uma arma na mão. Araújo é chutado por esse homem. O apoiador de Lula segue pela Alameda Lorena até entrar num bar na mesma via. Na sequência, é possível ver a deputada chegando no local, com uma arma na mão.
Nas redes sociais, Luan Araújo se descreve como “jornalista e vendedor de artigos para o lar”. Formado na Universidade São Judas Tadeu, ele publicou no início da semana um vídeo no qual afirmava ter sido “bem menos vocal do que poderia ser sobre a violência” que sofreu da ex-deputada.
Luan Araújo trabalhou como jornalista esportivo. Em fotos publicadas nas redes sociais, ele aparece em jogos de futebol e com camisas da Gaviões da Fiel, torcida organizada do Corinthians. Luan Araújo também é integrante do Coletivo Democracia Corinthiana, que afirma reunir “irmãs e irmãos corinthianos que lutam pela democracia, pela liberdade, contra o racismo, o machismo, a lgbtfobia e o fascismo”.