segunda-feira, março 23, 2026

TRE-BA aponta mais de 6,5 milhões de abstenções na Bahia entre 2020 e 2024 e detalha perfil do eleitor faltoso


O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), por meio do Grupo de Pesquisas Judiciárias (GPJ), apresentou nesta sexta-feira (20/03/2026) relatório sobre as taxas de comparecimento e abstenção nas eleições de 2020, 2022 e 2024, considerando primeiro e segundo turnos, com dados do estado da Bahia e de Salvador. Segundo o levantamento, 6.577.350 eleitores não compareceram às urnas nem justificaram a ausência nas três eleições analisadas. O estudo também identificou o perfil mais frequente do eleitor faltoso e reuniu propostas voltadas à ampliação da participação no processo eleitoral, com ênfase em acessibilidade, educação cidadã, logística de transporte e combate à desinformação.

Abstenção eleitoral supera 6,5 milhões na Bahia em três eleições

O relatório do GPJ/TRE-BA mostra que, no conjunto das eleições de 2020, 2022 e 2024, a Bahia registrou um volume expressivo de ausências não justificadas. De acordo com os dados apresentados, 2.240.067 eleitores deixaram de votar em 2020, enquanto 2.408.763 não compareceram em 2022. Já em 2024, o total foi de 1.928.520 abstenções.

O levantamento consolida um panorama de persistência da abstenção ao longo de diferentes ciclos eleitorais. Embora os números variem de uma eleição para outra, o relatório indica que o fenômeno segue como desafio estrutural para a Justiça Eleitoral, sobretudo diante da necessidade de ampliar a participação de segmentos mais vulneráveis ou com maior tendência à ausência.

Ao reunir informações de pleitos distintos, o TRE-BA buscou não apenas quantificar a abstenção, mas também compreender padrões de comportamento eleitoral. A proposta é utilizar esses dados como base para o planejamento de ações institucionais que fortaleçam o vínculo entre eleitorado e processo democrático.

Salvador registrou oscilações no comparecimento entre 2020, 2022 e 2024

Na capital baiana, os dados revelam variações relevantes no comparecimento ao longo do período analisado. Em 2020, durante a pandemia de Covid-19, Salvador tinha 1.897.098 eleitores aptos, dos quais 1.395.103 compareceram às urnas, o equivalente a 73,54%. Naquele pleito, 501.995 pessoas se abstiveram, o que correspondeu a 26,46% do eleitorado apto.

Em 2022, o comparecimento foi maior. Dos 1.983.198 eleitores aptos1.627.853 participaram da votação, representando 82,08% do total. Já a abstenção somou 355.345 eleitores, ou 17,92%. O dado indica uma redução significativa em relação ao pleito municipal de 2020.

Em 2024, Salvador voltou a registrar alta na ausência às urnas. O número de eleitores aptos chegou a 1.969.757, dos quais 1.508.864 votaram, correspondendo a 76,60%. Outros 460.893 não compareceram, o que levou a taxa de abstenção a 23,40%. A oscilação entre os três pleitos sugere que fatores conjunturais e estruturais seguem influenciando o comparecimento eleitoral.

Perfil do eleitor faltoso revela recortes etários, sociais e de acessibilidade

O relatório também traçou o perfil mais recorrente do eleitor que se abstém. Segundo o estudo, a ausência é mais frequente entre pessoas com mais de 70 anos e entre eleitores de 21 a 29 anos. O recorte etário sugere que a abstenção se distribui de forma mais intensa tanto em faixas de voto facultativo quanto entre adultos jovens.

Além da idade, o levantamento aponta incidência maior entre pessoas com baixa escolaridade e entre eleitores com estado civil viúvo ou separado judicialmente. Esses indicadores reforçam a importância de se observar dimensões sociais e demográficas no desenho de políticas voltadas ao aumento do comparecimento.

O estudo também registra taxas mais elevadas de abstenção entre pessoas com deficiência e entre eleitores com voto facultativo. Esse dado amplia o debate sobre barreiras materiais, informacionais e estruturais que podem dificultar o exercício do voto, especialmente entre grupos que demandam atenção específica da administração eleitoral.

Bases de dados e metodologia do levantamento

As informações utilizadas no relatório foram extraídas do Portal de Estatísticas Eleitorais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Relatório Gerencial Eleições 2024 do TRE-BA. A partir dessas bases, o GPJ combinou análises quantitativas e qualitativas com o objetivo de identificar padrões de abstenção e possíveis caminhos para enfrentá-la.

A coordenadora do Grupo de Pesquisas Judiciárias, Tatiana Almeida, afirmou que o estudo pode servir de apoio para o aprimoramento das ações do Tribunal. Segundo ela, os resultados têm potencial para subsidiar iniciativas voltadas tanto ao processo eleitoral quanto ao fortalecimento da cidadania e à melhoria dos serviços prestados à população.

A manifestação da servidora reforça o caráter institucional do relatório, que não se limita à descrição estatística. Ao identificar perfis e recorrências, o material passa a funcionar como instrumento técnico para orientar decisões administrativas e estratégias de inclusão eleitoral.

TRE-BA propõe medidas para reduzir a abstenção

Entre as recomendações apresentadas, o relatório destaca a necessidade de ampliar ações de acessibilidadeeducação cidadãlogística eleitoral e combate à desinformação. Uma das propostas centrais é a expansão das seções eleitorais acessíveis para pessoas com deficiência, até que essa condição alcance a totalidade das seções.

O documento também sugere a oferta de transporte acessível e o fortalecimento de campanhas informativas em formatos inclusivos, como vídeos com Librasáudio-descrição e materiais em braille. A diretriz indica preocupação com a eliminação de barreiras que extrapolam o espaço físico e alcançam a comunicação institucional.

No campo da formação cidadã, o relatório recomenda o reforço de parcerias entre a Justiça Eleitoral baiana, escolas públicas e universidades, com o objetivo de promover atividades educativas sobre a importância do voto. A proposta aponta para uma estratégia de longo prazo, baseada na consolidação da cultura democrática e no estímulo à participação política.

Logística, segurança e enfrentamento à desinformação

O estudo ainda propõe a garantia de transporte público gratuito ou subsidiado nos dias de eleição, com atenção especial a comunidades periféricas e áreas rurais. A recomendação parte do entendimento de que o deslocamento continua sendo um obstáculo concreto para parte do eleitorado.

Outro ponto mencionado é o reforço da segurança nos locais de votação situados em áreas de maior vulnerabilidade, medida que busca reduzir fatores de intimidação ou dificuldade de acesso. Trata-se de uma frente que relaciona comparecimento eleitoral a condições mínimas de ordem e mobilidade.

No combate à desinformação, o relatório defende o fortalecimento de campanhas permanentes e a ampliação de canais oficiais de esclarecimento rápido de boatos eleitorais. A proposta reconhece que a circulação de informações falsas pode afetar diretamente a confiança do eleitor e, por consequência, sua disposição de participar do pleito.

Monitoramento contínuo deve orientar políticas mais eficazes

Além das medidas imediatas, o relatório recomenda o monitoramento contínuo dos dados de abstenção com base em recortes sociodemográficos. Entre os critérios sugeridos estão escolaridadefaixa etáriagêneroraça/cor e deficiência.

A intenção é permitir que a Justiça Eleitoral atue de maneira mais direcionada, com políticas calibradas para os segmentos onde a ausência se mostra mais recorrente. Esse tipo de acompanhamento tende a ampliar a precisão das estratégias e a evitar respostas genéricas para realidades distintas.

Ao apostar em monitoramento, acessibilidade, informação qualificada e parcerias educacionais, o TRE-BA indica que a redução da abstenção depende de uma ação institucional contínua, e não apenas de iniciativas pontuais em períodos eleitorais.

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