EDITORIAL: A Saúde no Divã – O Esforço de Jeremoabo contra o Descaso da Capital Aracaju
Falar de saúde pública no Brasil é tocar em uma ferida aberta que atinge desde o cidadão mais humilde até o mais abastado, pois todos, de uma forma ou de outra, dependem da engrenagem do SUS. Em Jeremoabo, acompanhamos o esforço hercúleo do prefeito Tista de Deda e sua equipe para reconstruir e humanizar o atendimento. Sabemos que ainda há reclamações quando um exame demora alguns meses, mas é preciso separar o joio do trigo: uma coisa é a dificuldade logística de um município em reconstrução; outra, bem diferente, é o descaso injustificável que vemos em grandes centros.
Para que o leitor entenda a gravidade de quando a gestão pública falha com a vida, reproduzo hoje um caso absurdo que ocorre na Secretaria Municipal de Saúde de Aracaju.
A Roleta Russa da Saúde em Aracaju: O Caso do TI-RADS 4
Não há outra forma de começar este relato senão com um grito de indignação. O que acontece nos corredores da saúde da capital sergipana é uma brincadeira perigosa com a existência humana.
Vejamos os fatos: em outubro de 2024, foi solicitada no Posto Sinhazinha uma punção aspirativa de tireoide (PAAF). O paciente apresentava um nódulo classificado como TI-RADS 4 — uma categoria que acende um alerta imediato para o risco de câncer.
O que a Secretaria de Aracaju fez? Deixou o pedido "mofando" em uma gaveta por quase um ano para, em agosto de 2025, negá-lo sem qualquer justificativa técnica. Enquanto o papel acumulava poeira, o nódulo acumulava tamanho. Agora, em 2026, o novo exame confirmou o pior medo: o nódulo cresceu.
É inadmissível que uma vida seja tratada como um número de protocolo descartável. O médico da família já emitiu uma nova requisição, e fica aqui a nossa pergunta: a Secretaria vai esperar o quadro se tornar irreversível para agir?
A Diferença entre Dificuldade e Desprezo
Enquanto em Jeremoabo vemos uma gestão lutando para colocar a casa em ordem, enfrentando as distâncias da zona rural e a falta de recursos históricos, em Aracaju vemos o que parece ser uma falha de humanidade.
A saúde não espera a boa vontade de quem está sentado em gabinetes refrigerados. Quem tem pressa é quem tem dor. Se o SUS é para todos, a eficiência também deveria ser. Não aceitaremos que a vida de um cidadão seja jogada à sorte em uma "roleta russa" administrativa.
Jeremoabo avança com suor e trabalho, mas o exemplo que vem da capital nos serve de alerta: onde a gestão cochila, a vida corre perigo.
Blog de Dede Montalvão: Defendendo o SUS e cobrando respeito à vida, doa a quem doer.
José Montalvão Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da ABI (C-002025)