segunda-feira, março 23, 2026

A Anatomia da Posse: O Silêncio Interrompido pelo Chumbo

  em 23 mar, 2026 3:32

Blog Cláudio Nunes: a serviço da verdade e da justiça

    “O jornalismo é o exercício diário da inteligência e a prática cotidiana do caráter.” Cláudio Abramo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O domingo em Aracaju e Capela não foi de descanso. Foi de sangue. Flávia Barros dos Santos, 38 anos, foi executada a tiros em um hotel na Orla de Atalaia. O autor, Tiago Sóstenes Miranda de Matos, tentou o suicídio logo após o crime, mas sobreviveu para enfrentar o peso da lei. Já em Capela, um homem matou a ex-companheira a facadas na casa dela no povoado Pirunga.

Não são casos isolados; é o sintoma de uma metástase social que se espalha do Nordeste ao Sudeste.

Em São Paulo, o processo contra o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, acusado de assassinar a esposa, a policial militar Gisele Alves Santana, revela as entranhas de uma ideologia de dominação. As mensagens periciadas e destacadas pelo Ministério Público e pela imprensa (como o portal Metrópoles e G1) expõem um “contrato” de submissão. O oficial exigia que Gisele fosse uma “escrava sexual” em troca de moradia, rotulando-a como “fêmea beta” sob o jugo de um “macho alfa”. Quando ela disse “não”, o “alfa” sacou a arma.

A Radiografia do Horror: O Que Dizem os Dados

A política armamentista dos últimos anos não foi apenas uma escolha de segurança pública; foi um projeto de empoderamento da violência doméstica. Ao pregar a virilidade como sinônimo de poder e o armazenamento de armas em domicílio, o Estado entregou o instrumento do crime nas mãos do agressor. O Brasil registrou um recorde histórico de feminicídios em 2025, com pelo menos 1.568 mulheres assassinadas (uma média de quatro por dia), representando um aumento de 4,7% em relação a 2024.A maioria dos crimes ocorre dentro da própria residência (66,3%), reforçando o caráter doméstico dessa violência. Os mesmos dados mostram que a arma de fogo de é o principal instrumento em crimes residenciais. Nos dados do anuário de segurança as medidas protetivas de urgência chegaram a +26,7% de solicitações.

A Reeducação do “Macho”: O Papel do CNJ

Para romper esse ciclo, o Direito não pode ser apenas punitivo; ele precisa ser pedagógico. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ), através da Resolução nº 254/2018 e das diretrizes da Lei Maria da Penha, tem fomentado os Grupos de Reflexão para Homens Autores de Violência.

ão se trata de “passar pano”, mas de desconstruir o atavismo da posse. O agressor precisa entender que a mulher não é um anexo de sua vontade. Esses grupos focam na responsabilização e na mudança do paradigma de “virilidade agressiva” para a “humanidade compartilhada”. É a tentativa de estancar a sangria na origem: a mente do homem que acredita que “manda porque provê”.

O Amanhã: A Educação como Escudo

O combate ao feminicídio começa no alfabeto. A nova geração precisa crescer em um ambiente onde o respeito à autonomia feminina seja um valor inegociável, e não uma concessão. Educar meninos para o cuidado e meninas para a liberdade é a única forma de garantir que, no futuro, o amor não seja confundido com cativeiro.

omo escreveu Clarice Lispector em A Hora da Estrela, sobre a força silenciosa, porém indestrutível, da existência feminina que resiste ao apagamento: “Ela acreditava em anjos, e, porque acreditava, eles existiam.”

Que a crença das mulheres em sua própria liberdade seja mais forte do que o metal das armas. A mulher não é “beta”, não é “subserviente” e não pertence a ninguém além de si mesma. O tempo dos senhores acabou; o tempo da vida urge. Viva as mulheres!

Deu no SE79 : Reportagem assinada pelo jornalista Wendal Carmo e publicada pela CartaCapital informa que o vice-presidente do Tribunal de Contas do Estado de Sergipe (TCE-SE), Luiz Augusto Ribeiro, pai do deputado federal Gustinho Ribeiro, foi autuado e multado em R$ 212,9 mil pela Adema, sob suspeita de desmatamento em uma propriedade rural no município de Estância em Sergipe. De acordo com a publicação, a autuação administrativa aponta a supressão de aproximadamente 42,58 hectares de vegetação nativa na Fazenda Flórida, atribuída ao conselheiro. A área corresponde a mais de duas vezes a extensão do Complexo do Maracanã. Ainda segundo a reportagem, a ocorrência foi identificada durante fiscalização realizada em setembro do ano passado, no âmbito da operação Mata Atlântica de Pé, iniciativa que reúne órgãos ambientais e Ministérios Públicos em diversos estados com foco no combate ao desmatamento ilegal no bioma Mata Atlântica. Procurado pelo Carta Capital, Luiz Augusto Ribeiro afirmou ter sido “pego de surpresa” com a autuação e declarou possuir autorização prévia de órgão ambiental competente para a realização de limpeza da vegetação. Em nota, a Adema informou que o processo segue em fase de recurso administrativo, não havendo decisão definitiva até o momento.  Dessa forma, conforme os próprios órgãos envolvidos, o caso permanece em análise na esfera administrativa, cabendo às autoridades competentes a apuração final sobre a regularidade ou não da intervenção ambiental.

 

https://www.gov.br/cidades/pt-br/assuntos/noticias-1/noticia-mcid-n-2029

 

 

 

 

 


https://infonet.com.br/blogs/claudio-nunes/a-anatomia-da-posse-o-silencio-interrompido-pelo-chumbo/ 

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