segunda-feira, dezembro 30, 2024

Políticos são encarados por jovens como influenciadores, com destaque na direita

 Foto: Leonardo Sá/Arquivo/Agência Senado

Congresso Nacional30 de dezembro de 2024 | 06:44

Políticos são encarados por jovens como influenciadores, com destaque na direita

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Jovens da América Latina comparam políticos muito ativos nas redes sociais a influenciadores, e essa maneira de encará-los pode impactar expectativas sobre o tempo da política e o que fazem seus atores.

Ao mesmo tempo, os mais ativos nas redes são associados a uma “política moderna e nova” mais próxima do cidadão e menos arrogante.

Embora políticos de linhas ideológicas opostas se destaquem no cenário, predomina a lógica voltada a temas como empreendedorismo e individualismo, mais alinhada ao discurso da direita.

Essas são algumas das conclusões apontadas por estudo divulgado pelo InternetLab, centro de pesquisa sobre direito e tecnologia, a respeito de influenciadores e política na percepção de jovens da América Latina.

Feito em três etapas, o estudo teve uma primeira fase iniciada em outubro de 2023, quando 350 jovens de 16 a 24 anos do Brasil, Argentina, Chile, Colômbia e México responderam a questionário sobre o tema.

Em uma segunda etapa, realizada entre junho de 2023 e janeiro de 2024, os pesquisadores aprofundaram os resultados do questionário por meio de minigrupos focais com 90 participantes no total. Houve ainda uma terceira etapa de entrevistas em profundidade com influenciadores e especialistas da indústria digital para compreender as dinâmicas da produção de conteúdo.

A pesquisa mapeou os influenciadores mais citados pelos jovens e identificou entre eles celebridades, nativos digitais surgidos nas redes e políticos que adotam estratégias típicas das plataformas, como a realização de lives e divulgação de memes, uso de humor e danças no TikTok.

Nesse contexto, o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, é um fenômeno transnacional conhecido por meio das redes sociais. Ele é identificado como “alguém jovem, não rendido aos grandes meios de comunicação” e bem-sucedido no cuidado com a segurança pública mesmo entre aqueles que se dizem progressistas.

Já o Brasil, segundo o estudo, se destaca pela “fadiga e afastamento” dos jovens em relação à política, relacionados com a polarização vivida nos últimos anos.

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) aparece na pesquisa em papel relevante entre influenciadores no Brasil, ficando ao lado de políticos com destaque em seus países, como Javier Milei, presidente da Argentina, Bukele e o ex-candidato à Presidência do Chile José Antonio Kast, todos alinhados à direita.

À esquerda, a pesquisa identificou Gabriel Boric, presidente do Chile, Gustavo Petro, da Colômbia, Claudia Sheinbaum, do México, e seu antecessor Andrés Manuel López Obrador.

Segundo o estudo, jovens consomem mais conteúdo de políticos de direita no Brasil, Chile e Argentina. Na Colômbia e no México, a preferência é por personagens de esquerda.

No cenário brasileiro, Bolsonaro e Nikolas Ferreira, deputado federal de Minas Gerais pelo PL, são os únicos políticos que aparecem dentre os 85 perfis mais citados espontaneamente pelos jovens quando questionados sobre influenciadores que seguem e com quem se identificam.

Em pergunta fechada sobre se seguiam o perfil de políticos, o ex-mandatário aparece em 30% das citações, Nikolas, em 23%, e o presidente Lula (PT), em 42%. O petista, entretanto, não é citado espontaneamente pelos jovens, o que pode indicar que não é necessariamente visto como influenciador, afirma Thais Pavez, uma das autoras do estudo.

Bolsonaro —indicado em novembro pela Polícia Federal por envolvimento em uma trama golpista para impedir a posse de Lula— tem 25,8 milhões de seguidores no Instagram e 6 milhões no TikTok. Nikolas tem 12,1 milhões e 6,2 milhões, respectivamente. No caso de Lula, os valores são 13,2 milhões e 4,9 milhões.

O levantamento foi feito antes da projeção conquistada pelo influenciador Pablo Marçal (PRTB) nas eleições deste ano. Com perfil próximo daquele destacado no estudo, ele ficou em terceiro lugar na disputa à Prefeitura de São Paulo.

De acordo com Ester Borges, coordenadora de pesquisa do InternetLab, o que parece haver em comum entre os políticos identificados como influenciadores é o fato de usarem as redes para propagar soluções que os jovens estão procurando em um mundo em crise.

“Constatamos que esses políticos que acabaram ficando mais populares e famosos entre os jovens eram aqueles que respondiam de alguma forma aos anseios deles. O jovem, no geral, está bem pessimista em relação à política e à economia dos seus países”, afirma.

Ela diz que comparar políticos muito ativos nas redes a influenciadores pode trazer como implicação a busca por uma “política cada vez mais imediatista”, uma vez que o tempo próprio do campo é diferente daquele das plataformas.

Os jovens também tendem a vincular a coerência de comportamento dos influenciadores à ideia de autenticidade. Por isso, podem não compreender alterações de posicionamento que fazem parte da política como espaço de negociação, diz Borges. “A nuance do jogo político acaba ficando perdida se a gente encara mudanças de postura como falsidade ou manipulação”, afirma.

Apesar de identificar uma política “nova e moderna” com os influenciadores, proporção significativa dos jovens prefere não falar do tema nas redes, cenário acentuado no Brasil, onde 40% dos que responderam à pesquisa afirmam que conversar sobre política nas plataformas “é ruim, prefiro conversar pessoalmente”. O segundo maior grupo, 29%, disse que fazer isso é importante para formas suas opiniões.

Ana Gabriela Oliveira Lima/FolhapressPoliticaLivre

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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