sexta-feira, dezembro 27, 2024

Coral da PMBA leva emoção e esperança ao Hospital de Brotas

 






                               

                                               

                                                   

                                                     Foto Divulgação

Apresentação itinerante contou com músicas natalinas e levou acolhimento aos pacientes, acompanhantes e profissionais de saúde.

Na tarde do dia 26 de dezembro, o Hospital de Brotas foi tomado por um clima de esperança e celebração. O Coral da Polícia Militar da Bahia (PMBA) transformou o espaço em um cenário de emoção e alegria, com apresentações itinerantes que levaram a magia da música a pacientes, acompanhantes e profissionais de saúde. Apesar do natal já ter passado, o coral manteve viva a essência da data, tocando canções natalinas que trouxeram conforto e renovação do espírito festivo.

O Coral, composto por 19 integrantes, contou com a participação especial de SGT PM Bahia, CB PM Mirian, CB PM Elaine Lopes, CB PM Aline Costa, CB PM George, SD PM Adriana, SD PM Cunha e SD PM Costa Filho. Sob a regência do maestro e tenente Josué da Paz, o grupo levou emoção e serenidade com canções populares, reforçando a importância do vínculo entre a corporação e a comunidade.

O Coral fez homenagens diretamente nos leitos, levando emoção e conforto aos pacientes. Dona Zorilda de Santana Vieira, de 75 anos, que havia dado entrada no hospital no mesmo dia com dores abdominais, emocionou-se ao ouvir as canções: "Foi como um presente. Essa música me trouxe uma paz tão grande. Foi muito lindo esse momento. Fiquei muito feliz e agradecida."

Compartilhando a mesma enfermaria, Lúcia Flores Silva, 73 anos, internada há dois dias para tratamento de apendicite, também expressou sua gratidão:  "Foi um momento de muita alegria e paz. Esses gestos fazem toda a diferença."

Já Yasmim Cardoso de Freitas Costa, de 20 anos, estudante de veterinária da UFBA, internada devido a uma infecção urinária, descreveu o momento com emoção: "Achei muito bonito o gesto de trazer esperança e um pouco de alegria para quem está doente, especialmente nessa época de natal, quando muitas pessoas se sentem tristes ou desanimadas. Foi um momento de união, amor e renovação da esperança."

Gutemberg Lopes dos Santos, de 59 anos, que deu entrada no hospital após uma crise de convulsão e segue internado há 15 dias para acompanhamento clínico com indicação de cirurgia, também ficou emocionado: "Adorei! Me emocionei muito com as músicas. Para mim, o natal é o melhor momento do ano."

A música alegrando criança em hospital, em época de Natal

Na ala pediátrica, o pequeno Dimas encantou a equipe do Coral com sua participação carinhosa. Ele interagiu com gestos de afeto, fez coraçõezinhos com as mãos e demonstrou alegria ao acompanhar músicas infantis e natalinas. Sua expressão de felicidade tocou profundamente a todos que presenciaram o momento.

A psicóloga Ana Paula Soto falou sobre a iniciativa da ação: "Esse é um projeto de fundamental importância para a gente tentar minimizar as dores emocionais que a hospitalização acaba causando, principalmente, nessa época tão familiar do natal e do ano novo. Então, a gente tenta trazer um pouquinho de alegria para os nossos pacientes que ainda estão aqui, nesse momento de muita emoção, memória afetiva, lembranças e recordações. E a musicoterapia em si é fundamental no processo terapêutico."

No encerramento da ação, a CB PM Elaine Lopes refletiu sobre o impacto do Coral e o papel da Polícia Militar: "O nosso papel primordial é causar bem-estar, mostrando que, dentro de cada farda, existe um ser humano. A polícia reprime porque é necessário, mas também desenvolve um trabalho preventivo e comunitário. Fazemos um trabalho de polícia comunitária, que é enxergar antes que algo aconteça, levando amor através da música. Somos exemplo para muitos jovens, que muitas vezes nos dizem: 'Quero ser como você.' Isso também é trabalho de polícia. E, como mencionei, dentro de cada farda há um ser humano, um pai de família, alguém com amor para oferecer. Se agimos de forma ostensiva ou rígida, é porque, em algum momento, é necessário. Porém, muita gente desconhece esse lado humano da polícia, e estamos aqui para mostrar isso."

Finalizando a ação, Juliana Albuquerque, psicóloga e coordenadora de RH do Hospital de Brotas, agradeceu emocionada: "Vocês são um grande exemplo e, com certeza, deixaram a marca registrada do Coral aqui no hospital. Muito obrigada por proporcionar esse momento de grande emoção para todos nós."

Sobre o Hospital de Brotas

Desde sua inauguração em 21 de junho de 2024, o Hospital de Brotas se tornou uma referência exclusiva para os 500 mil beneficiários do Planserv, oferecendo assistência hospitalar, diagnósticos e consultas médicas em um ambiente totalmente reformado e humanizado.

A unidade conta com 131 leitos, sendo 20 de UTI adulto, 10 de UTI pediátrica, 30 para internação pediátrica e 71 para internação adulto. Além disso, oferece serviços como emergências adulto e pediátrica, tomografia computadorizada, ultrassonografia, raios X, ressonância magnética, centro cirúrgico com três salas e um centro médico.

O compromisso com a humanização é um dos pilares do hospital, e iniciativas como a apresentação do Coral da PMBA reforçam a missão de oferecer mais do que cuidados médicos: proporcionar acolhimento e bem-estar aos pacientes e suas famílias.

Pauta enviada pelo Jornalista Fábio Ameida







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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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