quarta-feira, maio 29, 2024

Mensagem do presidente da Mesa do Conselho Deliberativo


28/05/2024


Prezados Conselheiros e Conselheiras da Associação Brasileira de Imprensa

A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) desempenha um papel fundamental na defesa da Democracia, da Liberdade de Imprensa e de Expressão em nosso país. A sua atuação reflete o seu compromisso histórico com esses valores essenciais para uma sociedade justa e democrática.

Ao iniciarmos o segundo mandato para o período 2024/2025, na presidência do Conselho Deliberativo da ABI, em nome dos companheiros da Mesa Diretora, Laurindo Lalo Leal Filho, Primeiro Secretário e Terezinha Santos, Segundo Secretário, gostaríamos de expressar nossos mais sinceros agradecimentos pelos votos e pela confiança depositada em nosso trabalho. Este apoio é uma honra e uma responsabilidade que aceitamos com grande compromisso e dedicação.

Estamos cientes dos desafios e das oportunidades que se apresentam e, com o respaldo de todos vocês, renovamos nosso empenho em fortalecer ainda mais a ABI, a Casa do Jornalista, fundada há 116 anos pelo jornalista negro catarinense Gustavo de Lacerda.

Contra o genocídio em Gaza

A situação na Faixa de Gaza envolvendo o genocídio da população palestina pela ação covarde do governo de Israel, tem sido um foco constante de tensão. Marcado por repetidos ciclos de violência, essa agressão já resultou em grandes perdas humanas e no sofrimento para a população civil. Desde o início dessa invasão pelo menos 107 jornalistas e profissionais de mídia foram mortos. Os jornalistas em gaza enfrentam riscos extremos devido aos ataques aéreos contínuos, interrupções nas comunicações e severa escassez de suprimentos, dificultando significativamente a capacidade de documentar e reportar o conflito.

Fake News

A luta contra a praga das fake news é uma das missões mais importantes da ABI. Durante a pandemia da Covid-19 vimos como as fake news podem ser utilizadas para nos matar. Durante a última eleição presidencial assistimos como as fake news quase roubaram a nossa democracia e agora, diante de um evento climático extremo, no Rio Grande do Sul, uma avalanche de fake news despejada por negacionistas torna ainda mais difícil a vida de quem perdeu familiares, amigos, animais de estimação e propriedades. Até agora são 169 mortos, 56 pessoas desaparecidas e 581 mil desalojados.

A disseminação de informações falsas representa um grande desafio para a sociedade contemporânea, porque mina a confiança nas instituições, polariza a opinião pública e dificulta o acesso a informações verídicas e relevantes.

Pela Liberdade de Julian Assange

Nós, integrantes da Mesa Diretora do Conselho Deliberativo da ABI queremos celebrar a recente decisão da justiça britânica, que representa um sopro de esperança para a liberdade do jornalista australiano Julian Assange, que se encontra preso na Inglaterra onde enfrenta um pedido de extradição para os Estados Unidos por divulgar documentos secretos do governo norte-americano. A ABI já está nessa luta, tendo até recebido em agosto do ano passado, no auditório Belisário Souza, o sr John Shipton, pai de Assange, entre as diversas manifestações de solidariedade ao editor do site WikiLeaks.

Julian Assange tornou-se um símbolo global da luta pelo direito à informação e à transparência governamental. Através do WikiLeaks, ele expôs práticas e decisões que têm implicações profundas para a compreensão pública das ações de governos, especialmente no contexto de guerras, direitos humanos e corrupção. A perseguição judicial que Assange enfrenta representa uma ameaça direta à liberdade de imprensa e ao direito dos cidadãos de serem informados sobre as ações de seus governantes.

A criminalização da publicação de informações verídicas de interesse público coloca em risco o trabalho jornalístico e a capacidade da imprensa de desempenhar seu papel essencial nas sociedades democráticas.

Quero ressaltar ainda que um dos nossos objetivos também é tornar a ABI verdadeiramente nacional, alcançando todos os estados da federação para que esteja ao alcance das demandas de todos os jornalistas, comunicadores comunitários e das periferias, indígenas e quilombolas.
Para isso, conclamamos todos os Conselheiros a se unirem nesta missão. É essencial que trabalhemos juntos, com determinação e espírito de colaboração, para assegurar que a ABI continue sendo uma voz forte e representativa para todos os profissionais da comunicação no Brasil.

Contamos com a participação ativa de cada um de vocês para que possamos, juntos, construir uma ABI cada vez mais inclusiva, abrangente e comprometida com os princípios do jornalismo ético e responsável.

Sem racismo

E, para finalizar deixo aqui uma reflexão baseada na filosofia Ubuntu, de origem africana, da etnia Bantu, que enfatiza a interconexão e a humanidade compartilhada de todas as pessoas. Uma expressão comum associada a Ubuntu é “Eu sou porque nós somos”, e destaca a importância da comunidade, da solidariedade e do reconhecimento da dignidade e valor de cada indivíduo. A filosofia Ubuntu desafia e refuta a ideia de que não estamos preparados para ocupar postos importantes. Ao contrário, ela nos ajuda a construir um futuro mais inclusivo e equitativo, para que todos – pretos, pardos, brancos, indígenas e amarelos – tenham a oportunidade de alcançar seu pleno potencial.

Muito obrigado a todos pela confiança e pelo apoio contínuo.

Rio de Janeiro, 27 de maio de 2024

Cordialmente,
Marcos Gomes, Presidente
Laurindo Lalo Leal Filho, Primeiro Secretário
Terezinha Santos, Segunda Secretária
Mesa Diretoria do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira de Imprensa

Em destaque

E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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