quarta-feira, maio 29, 2024

Sergipe foi reprovado no quesito educação

 em 29 maio, 2024 8:32

Adiberto de Souza


Sergipe apareceu muito mal no indicador Brasil Alfabetizado divulgado, ontem, pelo governo federal. A pesquisa visa determinar o ponto de corte que indica a alfabetização de uma criança ao final do 2º ano do ensino fundamental. Ao contrário do Ceará, que lidera o ranking, o nosso estado aparece na rabeira da relação quando o assunto é o desempenho de crianças de 6 e 7 anos que estudam na rede pública. Para se ter uma ideia, o percentual de Sergipe nesse quesito é de apenas 31%, o mesmo índice aferido em 2019. Pelo levantamento, cerca de 70% da criançada sergipana não foram alfabetizadas, mesmo frequentando a escola. É muito triste que estejamos segurando a lanterna em um tema tão caro para o desenvolvimento sócioeconômico do estado. Com a palavra os senhores prefeitos. Só Jesus na causa!

Perdeu o mandato

O Tribunal Regional Eleitoral decidiu, por unanimidade, cassar o mandato do vereador aracajuano Doutor Gonzaga (sem partido) e a consequente substituição dele pelo suplente Adriano Taxista (PSD). Na decisão, o TRE determina que o novo parlamentar seja empossado em, no máximo, cinco dias. Na ação impetrada no TRE, Adriano alegou que, com o afastamento do vereador Josenito Vitale (PSD), ele seria o próximo suplente a ser empossado, em decorrência da desfiliação partidária sem amparo legal do Doutor Gonzaga. Este tomou posse em março passado, após Vitale ter se afastado para assumir uma cadeira na Câmara Federal. Ah, bom!

Oba-oba no interior

O governo estadual realiza, hoje, mais um mutirão visando oferecer serviços que deveriam chegar rotineiramente à população. Batizado de “Sergipe é aqui”, o evento acontece em Tomar do Geru e oferece aos moradores carentes ações simples, como medição de pressão arterial e da glicemia, consultas médicas, palestras diversas, jogos de futebol para a meninada, manicure e pedicure para as mulheres, corte de cabelo para os homens, etcétera e tal. Aliás, o presidente do Sindicato dos Médicos, Helton Monteiro, é quem está certo quando diz que saúde pública não se faz com oba-oba de um dia”. Educação, segurança, geração de empregos, combate à fome, etcétera e tal também não. Misericórdia!

De olho em 2026

Para muitos políticos, as eleições deste ano serão as preliminares do pleito de 2026. Bons exemplos são o prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira (PDT), o ex-deputado federal André Moura (União), o ministro Márcio Macêdo (PT) e os senadores Rogério Carvalho (PT) e Alessandro Vieira (MDB). Todos estão de olho é nas duas cadeiras do Senado. Já o governador Fábio Mitidieri (PSD) pretende pavimentar seu projeto de reeleição apoiando o maior número de candidatos a prefeito e vereador. Portanto, para boa parte da classe política, a disputa deste ano é apenas um passo a mais para se alcançar 2026. Arre égua!

A justiça é branca

Levantamento feito pelo Conselho Nacional de Justiça mostra que 14,25% de juízes se declaram negros. A Justiça Eleitoral (18,1%) é o ramo com o maior percentual de magistrados negros, seguido pela Justiça do Trabalho (15,9%), Justiça estadual (13,1%), Justiça Federal (11,6%) e Justiça Militar (6,7%). Na distribuição pelas regiões, os maiores índices de juízes negros estão em tribunais de Sergipe, do Acre, do Piauí e da Bahia. A pesquisa Justiça em Números também mostra o cenário da participação feminina no Judiciário. A média nacional indica o percentual de 36,8% de juízas em todo o Brasil. Então, tá!

Licitação a caminho

O edital de licitação do transporte público será lançado nos próximos 15 dias. Pelo menos foi o que garantiu, ontem, o prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira (PDT). Reunido com os gestores de São Cristóvão, Marcos Santana (MDB), Barra dos Coqueiros, Alberto Macedo (MDB), e Barra dos Coqueiros, Padre Inaldo (PP), o pedetista afirmou que a partir do lançamento do edital será iniciada a licitação do transporte coletivo da Grande Aracaju. Aguardemos, portanto!

Balaio de gatos

A falta de ideologia e as mudanças na regra eleitoral vão colocar no mesmo balaio políticos das mais diversas tendências. As conversas de bastidores sobre as eleições deste ano deixam claro que muitos adversários de 2020 em Aracaju estarão no mesmo palanque agora em 2024. Aliás, a maioria dos políticos está mais preocupada em se eleger, não importando se, para tanto, tenha que mudar o discurso, elogiar quem criticava há quatro anos e descer a madeira nos aliados que jurava “amor eterno”. Esse negócio de “ideologia, eu quero uma pra viver” ficou restrito à música do imortal Cazuza. Home vôte!

Vitória duvidosa

Veja o que publica hoje a jornalista Rita Oliveira no site ROacontece: “O vereador Ricardo Vasconcelos (Cidadania) teria confidenciado a um colega de parlamento de que não aceitou convite da pré-candidata a prefeita de Aracaju, Emília Corrêa (PL), para ser seu vice por não está convicto de que ela ganhará a eleição. O vereador acredita que se disputar a reeleição tem chances de continuar na Câmara Municipal por mais quatro anos”. Ressalte-se que Emília também sonha em ter como parceiro de chapa o vereador Ricardo Marques (Cidadania), que também demonstra mais interesse em disputar a reeleição. Marminino!

Grana na mão

A Prefeitura de Aracaju paga, hoje, os salários dos servidores municipais, referente a este mês de maio. Também será creditada nesta quarta-feira, a primeira parcela do décimo terceiro para os trabalhadores que fizeram aniversário nos meses de março e abril. Com a iniciativa, serão injetados na economia do município R$ 120 milhões. A Secretaria Municipal de Comunicação destacou que o pagamento do salário em dia é um compromisso que o prefeito Edvaldo Nogueira (PDT) honra desde quando deu início ao seu mandato anterior. Aff Maria!

Braços cruzados

Os professores da rede estadual aprovaram uma nova greve. Invocados com a disposição do governador Fábio Mitidieri em não recebê-los, os educadores decidiram cruzar os braços nos próximos dias 4, 5 e 6. Caso o governo não apresente uma reposta concreta às reivindicações da categoria, já há um indicativo de greve por tempo indeterminado para o 2° semestre do ano letivo. O magistério estadual reclama da perda de direitos, da falta de condições de trabalho, das precárias condições das escolas, entre outras. Crendeuspai!

Saúde na UTI

Os deputados estaduais Paulo Júnior (PV) e Linda Brasil (Psol) criticaram o que chamam de falta de empenho do governo estadual para resolver a falta de leitos pediátricos em Sergipe. Segundo o parlamentar verde, o governador Fábio Mitidieri (PSD) foi ver a superlotação do Hospital da Criança, “mas da visita não saiu nada de concreto”, fustigou. Por sua vez, Linda lamentou que a Secretaria Estadual da Saúde tenha feito vista grossa a um planejamento estratégico produzido pelo Hospital Santa Isabel visando evitar a superlotação e, por consequência, a consequente falta de leitos na área pediátrica. Danôsse!

Hoje é sexta-feira

Para a grande maioria dos servidores públicos esta quarta-feira tem o sabor de sexta, véspera de sábado. É que amanhã é feriado em homenagem a Corpus Christi e na sexta o funcionalismo estadual e da Prefeitura de Aracaju ganhou um ponto facultativo. Depois de amanhã, o comércio da capital sergipana também funcionará a meia-boca, pois sem as repartições funcionando na sexta-feira a freguesia diminuiu muito. Portanto, se você também terá direito a esse feriadão aproveite, mas evite dirigir após encher a caveira com água que passarinho não bebe. Quem avisa, amigo é!

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Em destaque

E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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