terça-feira, maio 28, 2024

O racha dos governistas lembra o mortal abraço de afogados

 em 28 maio, 2024 7:22

Adiberto de Souza


A falta de um líder com poder para agregar está impedindo que os governistas sergipanos cheguem a um consenso em torno da disputa pela Prefeitura de Aracaju. Mesmo sabendo que divididos dificilmente chegarão à vitória, os liderados do governador Fábio Mitidieri (PSD) insistem em manter várias pré-candidaturas.  Na melhor das hipóteses, o grupo da situação chegará às convenções com dois pretendentes à Prefeitura, o que não acaba com a divisão interna e, por consequência, com o risco de ficarem pelo caminho. Os interesses pessoais dos líderes partidários, muitos já de olho nas eleições de 2026, tem dificultado a busca pela unidade e pode prejudicar sobremodo a reeleição de Mitidieri. Portanto, se permanecerem intransigentes, os governistas poderão dar com os burros n’água, numa semelhança ao desesperado abraço de afogados. Crendeuspai!

Feriadão a caminho

Quem tem alguma coisa para resolver nas repartições públicas do governo de Sergipe e da Prefeitura de Aracaju deve se apressar, pois o governador Fábio Mitidieri (PSD) e o prefeito Edvaldo Nogueira (PDT) decretaram ponto facultativo na próxima sexta-feira. Como na quinta-feira é feriado pela passagem do dia de Corpus Christi, os servidores vão curtir um belo feriadão. O ponto facultativo não alcança os órgãos e entidades que prestam serviços considerados essenciais ou que não possam sofrer descontinuidade. Ah, bom!

Abaixo a intolerância

A Câmara de Vereadores de Aracaju promoveu, ontem, uma audiência pública para debater sobre a dispensa da exigência de licenciamento ambiental aos templos religiosos. Os participantes propuseram a alteração do Código de Proteção Ambiental do Município para garantir o funcionamento das igrejas evangélicas e dos terreiros de religiões de matriz africana. O promotor estadual de Justiça, Eduardo Matos, defendeu a aprovação de um projeto que diferencie os templos religiosos de estabelecimentos como bares e casas de show. A falta dessa legislação tem estimulando a prática de intolerância religiosa, com base na lei do silêncio. Santo Cristo!

Copia e cola

Treze dos maiores especialistas em água e saneamento do Brasil assinaram uma Carta Pública denunciando graves erros e omissões nos documentos sobre a privatização da Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso). Existem partes copiadas da privatização feita no Rio de Janeiro. Assinada pelo jornalista Cristian Góes, essa informação foi publicada no portal Mangue Jornalismo. Segundo o coleguinha, a Carta aponta “graves falhas que comprometem o Plano Microrregional de Abastecimento de Água e de Esgotamento Sanitário de Sergipe, documento que fundamenta a entrega do serviço público essencial de água e esgoto para uma empresa privada”. Misericórdia!

Vice do PSD

A deputada federal Katarina Feitoza é a nova vice-presidente do PSD de Sergipe. Ao anunciar a indicação, o governador Fábio Mitidieri (PSD) disse que a parlamentar tem ajudado na missão de fazer o partido crescer no estado. Mitidieri está presidindo a legenda desde o começo do mês passado. O fidalgo assumiu o comando do PSD em substituição ao ex-governador Belivaldo Chagas, que se transferiu para o Podemos contrariado por não ter sido consultado antes de Katarina ser lançada pré-candidata a prefeita de Aracaju. Home vôte!

Quase impossível

A +Milionária, loteria da Caixa Econômica Federal, está completando dois anos nesta terça-feira, com 149 jogos sem vencedor no prêmio principal. O próximo sorteio, acumulado em R$ 214 milhões, ocorrerá amanhã. As chances de alguém acertar as seis dezenas e os dois trevos é de uma em 238,3 milhões. Em comparação, a chance de um apostador ganhar o prêmio máximo da Mega-Sena é de uma em 50 milhões. “Imagine uma família com 26 filhos, todos do mesmo sexo. A probabilidade de isso acontecer é comparável à chance de ganhar na Mega-Sena”, afirma o professor de matemática Luis Felipe Mengual Loch. Aff Maria!

Gavetas arrumadas

Pré-candidata a prefeita de Aracaju, a delegada Danielle Garcia (MDB) já arrumou as gavetas, devendo deixar a Secretaria Estadual de Política para Mulheres no próximo dia 5, visando se desincompatibilizar. Entrevistada pela rádio Fan/FM, a distinta informou que será substituída por uma amiga muito próxima dela e ligada ao senador Alessandro Vieira (MDB). Sem citar nome, Danielle disse que a nova secretária atuou como uma das coordenadoras de suas campanhas eleitorais em 2020, para a Prefeitura de Aracaju, e em 2022, para o Senado. Marminino!

Sonegação milionária

Os auditores fiscais tributários da Secretaria Estadual da Fazenda descobriram uma sonegação bilionária na comercialização de milho em Sergipe. O lançamento tributário aponta uma movimentação de mais de R$ 1,1 bilhão e uma sonegação tributária de R$ 157 milhões em ICMS. O crime vinha sendo praticado há três anos. A sonegação consistia no fornecimento de notas fiscais fraudadas por empresas abertas visando unicamente fornecer este documento. Foram autuadas 21 empresas e lavrados cerca de 50 autos de infrações, representando R$ 224 milhões em multas e imposto devido. Só Jesus na causa!

Professores reunidos

As professoras e os professores da rede estadual de ensino participam, hoje, de uma assembleia geral no Cotinguiba Esporte Clube, em Aracaju. Na pauta os informes sobre o processo de negociação com o governo e o judiciário sobre as reivindicações do magistério. Também serão discutidos os encaminhamentos de lutas pela garantia dos direitos dos educadores. O sindicato da categoria ressalta que o governador Fabio Mitidieri (PSD) segue sem querer dialogar. Assim também já é demais também!

Noite de autógrafos

A escritora Ana Medina lançará, amanhã, o livro “As exéquias do Monsenhor Olímpio Campos”. Será a partir das 18 horas, no espaço cultural Djenal Queiroz, no hall da Assembleia Legislativa de Sergipe. Medina é uma historiadora bastante conhecida dos sergipanos e o conjunto de sua obra já lhe rendeu um prêmio nacional. Entre os livros de Ana Medina se destacam “Ponte do Imperador”, “Memória da Ordem do Mérito Serigy”, “Cartas de Hermes Fontes, angústia e ternura”, entre outros. Prestigie!

INFONET

Em destaque

E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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