segunda-feira, novembro 27, 2023

Emendas de R$ 34 mi do senador Weverton Rocha bancaram alvos da PF


Por Fabio Serapião e Mateus Vargas | Folhapress

Emendas de R$ 34 mi do senador Weverton Rocha bancaram alvos da PF
Foto: Agência Senado

Emendas parlamentares do senador Weverton Rocha (PDT-MA) bancaram obras pagas pela Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba) e realizadas por duas empresas investigadas pela Polícia Federal na operação Odoacro.
 

Levantamento feito pela Folha com base em convênios firmados pela estatal comandada pelo centrão em cidades do Maranhão mostra como ao menos R$ 34,4 milhões destinados pelo senador foram parar nos cofres da Construservice Empreendimentos e da Pentágono Comércio e Engenharia.
 

As duas são apontadas pela PF como de propriedade do empresário Eduardo José Barros Costa, conhecido como Eduardo DP, embora ele não apareça formalmente no quadro societário. O empresário é o pivô do suposto esquema de desvios de verba de emendas parlamentares investigado pela Odoacro.
 

As obras conquistadas pelas empresas no Maranhão e pagas com dinheiro de emendas parlamentares já colocaram ao menos dois políticos no centro da investigação da PF: o ministro das Comunicações de Lula (PT), Juscelino Filho (União Brasil-MA), e Josimar Maranhaozinho (PL-MA). Ambos direcionaram verba para obras executadas pela Construservice.
 

Até o momento, não se tinha notícia sobre a relação do senador Weverton Rocha com as empresas investigadas por desvios na Codevasf. A única informação era que ele possui uma casa no mesmo condomínio de luxo em que Eduardo DP mora e foi preso em 2022, em Barreirinhas (MA).
 

Em nota, o senador disse que não tem vínculo com as empresas e que é absurdo insinuar que exista relação econômica entre ele e Eduardo DP por compartilharem o mesmo condomínio.
 

"Lamento que estejam tentando forçar uma relação inexistente numa situação em que sequer sou citado na investigação. Não sou licitante, nem dono de empresa", afirmou o senador.
 

"E é tão sem nexo que chega a ser absurdo o fato de a reportagem insinuar que há relações econômicas com Eduardo DP por ele ter uma casa no mesmo condomínio em que eu tenho casa", disse na nota.
 

Procurada, a Construservice não se manifestou. A Folha não conseguiu contato com a Pentágono.
 

As obras bancadas com emendas do senador e que abasteceram as empresas suspeitas são todas feitas a partir de convênios firmados em 2020, ainda no governo de Jair Bolsonaro (PL).
 

No governo Lula (PT), o senador indicou um apadrinhado, Clóvis Luis Paz Oliveira, ao cargo de superintendente da Codevasf no Maranhão.
 

Foi no estado da região Nordeste onde as suas emendas pagaram obras executadas pela Construservice e Pentágono. A emenda de Weverton de maior valor usada em contrato com as empresas investigadas pela PF foi destinada ao município de Timon, onde a Construservice executou obras de R$ 13,37 milhões de pavimentação asfáltica.
 

Weverton também destinou recursos a Presidente Dutra, Pinheiro, Carutapera e Igarapé Grande para esse tipo de convênio.
 

No total, a Construservice venceu três licitações com emendas do senador, cujos contratos somam R$ 21 milhões. A Pentágono, por sua vez, recebeu R$ 13,3 milhões a partir da verba indicada por Weverton.
 

Na representação que baseou a terceira fase da operação Odoacro, que teve Juscelino Filho como um dos alvos, a PF aponta que o próprio Eduardo DP "confirma ser o dono da referida empresa [Pentágono]" em mensagens de celular encontradas pelos investigadores.
 

O Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) também aponta que a Pentágono repassou cerca de R$ 2,3 milhões para a Construservice de dezembro de 2016 a junho de 2021. O relatório de inteligência financeira é utilizado pela PF como indício de que Eduardo DP se vale de uma rede de laranjas para desviar recursos de emendas parlamentares.
 

No mesmo período, a Construservice repassou R$ 150 mil para a Pentágono, ainda segundo o relatório do Coaf. A Pentágono também recebeu R$ 182 mil de outra empresa da qual Eduardo DP seria sócio oculto, a Topázio, entre agosto de 2020 e o mesmo mês do ano seguinte.
 

A Construservice chegou a se tornar a vice-campeã de licitações da Codevasf em 2021, na gestão Bolsonaro. Dados do portal da transparência indicam que há cerca de R$ 160 milhões empenhados para a empresa de Eduardo DP pelo governo federal, sendo que mais de R$ 24 milhões foram pagos.
 

Esses valores não consideram contratos firmados com a Construservice em convênios da Codevasf com prefeituras, como aqueles que receberam verba indicada por Weverton. Nesses casos, o contrato é firmado com a prefeitura, ainda que receba recurso federal.
 

A Construservice também avançou em contratos públicos do governo do Maranhão nos últimos anos. A empreiteira recebeu mais de R$ 700 milhões de 2015 a 2022, período em que o estado foi comandado pelo atual ministro da Justiça, Flávio Dino (PSB), e seu vice, Carlos Brandão (PSB).
 

Eduardo DP fez alianças com autoridades do entorno de Dino e chegou a aparecer em ao menos duas fotografias ao lado do atual ministro, que nega qualquer relação com o empresário.
 

A PF encontrou ao menos 16 cartões bancários e dois carimbos de empresas diferentes ao realizar buscas na casa do sócio oculto da Construservice, na primeira fase da Odoacro, em julho de 2022.
 

A Polícia Federal afirma que os itens apreendidos estão "em nome de pessoas físicas interpostas, confirmando-se a tese da propriedade de fato das empresas e da lavagem de dinheiro".

Bahia Notócias

Em destaque

E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

Mais visitadas