sábado, novembro 25, 2023

Aqui é permitido roubar




A corrupção continua a impedir que o Brasil saia do subdesenvolvimento, da ignorância e da ditadura em câmera lenta, que a impunidade sistemática e seletiva vai construindo dia após dia

Por J.R. Guzzo (*)

Os dez países mais corruptos do mundo, de acordo com o último Índice de Corrupção Global da GRP, uma agência internacional de avaliação de risco, são Síria, Coreia do Norte, Congo, Iêmen, Sudão, Eritreia, Líbia, Guiné Equatorial, Venezuela e Afeganistão. A lista da Transparência Internacional, outra reconhecida autoridade na medição da roubalheira mundial, é muito parecida. Entram, por exemplo, o Haiti, a Somália ou o Burundi, e os que são deslocados para dar seus lugares a eles ficam logo abaixo na tabela — ou seja, rouba-se do mesmo jeito em toda essa turma. Há duas realidades iguais em todos esses abismos da ladroagem oficial — todos são pobres, e todos são ditaduras. E os dez países mais honestos do mundo, segundo essas mesmas organizações? São a Noruega, em primeiro lugar, e logo depois Finlândia, Suécia, Dinamarca, Estônia, Nova Zelândia, Holanda, Islândia, Austrália e Irlanda. Os Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra, Suíça, Canadá e outros do mesmo gênero vêm imediatamente em seguida. Há, também aqui, duas realidades indiscutíveis: todos são ricos, e todos são democracias. Sobra uma conclusão racional, e só uma. A corrupção é responsável direta pelo subdesenvolvimento e pela tirania; há outras causas, é claro, mas essas duas estão acima de qualquer dúvida. A honestidade do poder público, da mesma forma, é condição indispensável para a riqueza e a liberdade.

O Brasil está numa situação realmente assombrosa em relação a isso tudo. Teria de ser um dos países mais honestos do planeta, pois não há no momento um único preso por corrupção no sistema penitenciário nacional — nem o ex-governador Sérgio Cabral, condenado a 400 anos de cadeia por corrupção e atualmente não apenas solto, mas também figura de destaque no “campo progressista”. Mas o Brasil está lá na parte de baixo da classificação, a caminho da zona do rebaixamento, ao lado de lugares como Etiópia, Tanzânia ou Marrocos. Que mistério é esse? Se não há nenhum corrupto na cadeia, a única conclusão lógica é que não há corrupção no Brasil — assim como não há ninguém preso por comer carne humana, por exemplo, ou por assar bebês no forno, ao estilo do Hamas. Mas é exatamente o contrário: o Brasil, pela avaliação técnica de observadores imparciais, é um dos países mais ladrões sobre a face da Terra. Rouba-se tanto que até a OCDE, a organização que reúne os países mais bem-sucedidos do mundo do ponto de vista econômico e social, considerou necessário divulgar uma advertência oficial sobre a corrupção brasileira. Registra especificamente o seu espanto, ali, com a anulação de todas as provas da ladroagem confessa de dinheiro público que foi cometida pela construtora Odebrecht nos governos de Lula e de Dilma, de 2003 a 2016 — anulação determinada por ninguém menos que o Supremo Tribunal Federal.

'Como é possível não haver corrupção maciça num país em que o próprio tribunal supremo de Justiça decide que provas materiais de corrupção, como a livre confissão dos culpados e a devolução de milhões em dinheiro roubado, não valem nada?
Um exame do Enem, produzido pelos comissários do atual Ministério da Educação, obrigaria os alunos a responderem a qualquer pergunta sobre a responsabilidade do STF nesse delírio com a seguinte alternativa: “Nenhuma”. (A alternativa certa seria cravar: “Tudo culpa do Bolsonaro, junto com o agronegócio, a procura do lucro e os mecanismos de exploração do sistema capitalista”.) Mas o mundo não é o Enem, nem o plenário do Supremo, nem a elite subdesenvolvida que não vê nada de errado com esses sintomas de metástase no organismo público; acham, ao contrário, que agir contra a corrupção é uma manobra da direita para enfraquecer o “estado democrático”. O puro e simples exercício da lógica comum mostra que, se o sistema de Justiça de um país é incapaz de punir um delito, ou tomou a decisão de não punir, esse mesmo delito se torna legal para todos os efeitos práticos. Como é possível não haver corrupção maciça num país em que o próprio tribunal supremo de Justiça decide que provas materiais de corrupção, como a livre confissão dos culpados e a devolução de milhões em dinheiro roubado, não valem nada? É algo simplesmente incompreensível em qualquer sociedade civilizada. A OCDE, por exemplo, não entende; é uma das organizações mais respeitadas do mundo, e não entende, nem poderia entender. Um brasileiro racional, também não. Nem a OCDE nem o brasileiro racional entendem, da mesma forma, como a Justiça superior manda devolver a traficantes de drogas os iates, jatinhos e casas de praia comprados com dinheiro que ganharam no tráfico. Não entendem, igualmente, qual é a doutrina jurídica que leva o STF, o STJ e outras altas instâncias a absolverem automaticamente todos os acusados de corrupção. É corrupção? É no Brasil? Então não é crime. Não entendem por que são “bolsonaristas” — ou “fascistas”, na interpretação do ministro Barroso. É porque não faz nexo'

Não se trata, apenas, de passar vergonha na frente de todo o mundo democrático — o mundo que sabe pensar e que não fica fazendo passeata pela Palestina. Também não é o caso de deixar claro, mais uma vez, a piada que é a pretensão de dar o Prêmio Nobel da Paz para um político que ocupa a Presidência da República depois de ter sido condenado, justamente, pelos crimes de corrupção passiva e de lavagem de dinheiro. (As coisas não melhoram em nada quando esse presidente, segundo acabou de dizer um dos ministros do próprio STF, não estaria no cargo se não fosse a atuação da “suprema corte”.) O verdadeiro desastre, em toda essa legalização militante da ladroagem, é a progressiva construção de um regime político que pretende viver da falsificação permanente da realidade. É como a confederação de interesses que manda hoje no Brasil pretende continuar mandando, se possível para sempre, sem os inconvenientes de ser aprovada pela população, de entregar resultados e de respeitar os fatos. O “projeto de país”, aí, é a criação de falsos problemas durante os 365 dias de cada ano — e a sabotagem de toda e qualquer possibilidade de soluções verdadeiras. O Ministério da Educação não quer educar — quer provar que o agronegócio está destruindo o Brasil, enquanto mantém no país um dos piores sistemas de ensino público do mundo. O Ministério da Justiça não quer ser justo. Quer que Portugal devolva o “ouro de Minas Gerais”. O Ministério do Meio Ambiente não quer proteger o meio ambiente. Sua ministra diz que “estamos lançando nanomísseis na atmosfera”, que há mudanças na “regularidade cósmica” e que o mundo precisa de um “corretor humanitário para salvar as crianças”. Salvar do quê? Daquilo que ela chama de “guerra do clima”. Não diz nada sobre como salvar os adultos — e muito menos sobre a ONG pró-Amazônia com a qual está envolvida e que gasta com a própria folha de pagamentos 80% das verbas que recebe.

A coisa vai daí para o infinito — e, enquanto a farsa é santificada, a corrupção continua a impedir que o Brasil saia do subdesenvolvimento, da ignorância e da ditadura em câmera lenta, ou nem tão lenta assim, que a impunidade sistemática e seletiva vai construindo dia após dia. É o nosso grande projeto de chegar ao nível do Congo, da Eritreia ou do Haiti — e fora da OCDE e das sociedades mais prósperas, menos desiguais e capazes de oferecer oportunidades aos que têm pouco. Essa marcha para a calamidade, obviamente, não é culpa só do STF. Tão ou mais responsáveis são os milhares de deputados e senadores que passaram pelo Congresso Nacional nos últimos 35 anos. Foram eles que, ano após ano, eleição após eleição, aprovaram uma legislação suicida do ponto de vista penal. Todas as leis que impuseram ao Brasil nesse período foram feitas para beneficiar o crime e os criminosos. Sem exceção, até agora, só deram mais direitos para os acusados de violar o Código Penal e criaram mais obstáculos para a ação policial. O princípio geral é um insulto à sociedade: o criminoso é sempre vítima das condições sociais, a polícia é sempre suspeita de abusar da sua autoridade, cometer violência e desobedecer à lei. Como resultado, criou-se uma situação em que a polícia não pode prender, o promotor não pode acusar, e o juiz não pode condenar. Se a polícia prende, tem de soltar. Se o promotor acusa, as suas provas não valem. Se o juiz condena, o tribunal acima dele absolve. Se nada disso funcionar, a solução 100% segura para os corruptos, traficantes e criminosos com milhões para se defender é correr para o STF ou o STJ. Foi colocado em vigor, em ambos, um sistema permanente de indulgência plenária para todos eles. É recorrer da sentença e correr para o abraço.

Pouco se fala da destruição das leis penais por parte do Congresso; como em geral acontece, desastres coletivos são perdoados com muito mais facilidade. A Procuradoria-Geral da República e o ministro Alexandre de Moraes poderiam classificar como “crime multitudinário” a ação dos parlamentares na área penal. Não fazem isso, é claro. A história é muito diferente do que acontece neste momento com os brasileiros que estão sendo condenados a até 17 anos de cadeia por participarem de um quebra-quebra. A multidão, nesse caso, é culpada ao mesmo tempo pelos crimes de “golpe de Estado” e de “abolição violenta do estado de direito”. No caso das leis penais, a multidão de deputados e de senadores esconde quem é culpado — e o resultado é que ninguém tem culpa de nada. É o procedimento-padrão do sistema judiciário de hoje no Brasil. O réu não é culpado ou absolvido em função daquilo que fez. É preso ou solto em função daquilo que é. Ladrão do Tesouro Nacional, por exemplo, é sempre inocente — desde que esteja, é óbvio, do “lado certo da contradição histórica” e da luta de classes, tal como elas são entendidas pelo PT, o STF e os professores do Enem. O lado certo no momento é o lado de Lula e de tudo o que pode ser associado à esquerda em geral — ou de quem pode pagar a partir de R$ 1 milhão em honorários para os seus advogados.

O ministro Nunes Marques, num dos melhores votos já dados no STF nas últimas décadas, observou que os réus do distúrbio do dia 8 de janeiro não poderiam ser condenados por tentativa de golpe de Estado, pois estão sendo acusados, como explicou, de cometer um “crime impossível”. Ou seja, não poderiam, segundo a realidade física, objetiva e elementar dos fatos, dar um golpe de Estado contra coisa nenhuma — da mesma forma como não poderiam ser acusados de invadir o território da Transilvânia ou de alterar o movimento de rotação da Terra. Seu voto, naturalmente, foi derrotado com exclamações públicas de indignação por parte de oito dos seus nove colegas atuais. Mas chamou a atenção por permitir uma nova análise do Código Penal Brasileiro em vigor — a corrupção, no Brasil de 2023, é um crime impossível. Pode ser praticado à vontade por quem está na relação de beneficiários das altas instâncias do sistema judiciário. Mas não pode ser punido — e, se não existe entre os 200 milhões de habitantes do Brasil nenhum preso por corrupção, embora haja centenas de condenados top de linha, a corrupção, na prática, passa a ser um crime impossível de se cometer. Vamos ter, aí, mais um dos prodígios do nosso exemplar regime democrático.

(*) J.R. Guzzo é jornalista. Integrante do Conselho Editorial de Oeste, foi um dos criadores da Veja, revista que dirigiu durante quinze anos, a partir de 1976, período em que sua circulação passou de 175.000 para 1 milhão de exemplares semanais. Correspondente em Paris e Nova York, cobriu a guerra do Vietnã e esteve na visita do presidente Richard Nixon à China, em 1972. Responsável pela criação da revista Exame, atualmente escreve no Estado de S. Paulo e na Gazeta do Povo.

Revista Osete / O Povo Amazonense

Em destaque

E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

Mais visitadas