terça-feira, novembro 28, 2023

De olho em 2024, os políticos plantam uma roça de votos

 em 28 nov, 2023 7:18

Adiberto de Souza

As lideranças políticas de Sergipe estão na fase de plantio de ideias visando garantir os apoios necessários para a campanha do ano que vem. É como se estivessem plantando agora uma roça de votos. Alguns pretensos candidatos às 75 prefeituras já se movimentam, como se a disputa eleitoral tivesse começado. E eles estão certos: ficar parado agora é perder terreno fértil para os adversários, pois lideranças políticas e cabos eleitorais se transformam em presas fáceis quando não recebem os frequentes mimos dos interessados em seus serviços. Esse jogo vai continuar até depois do carnaval de 2024. Será nessa próxima fase que começa a “colheita”, época em que as investidas aos “currais” opositores ficarão mais frequentes. Portanto, quem não souber remar nas águas turvas da política poderá virar o barco, perder o que plantou e, consequentemente, morrer afogado antes de chegar às convenções partidárias. Misericórdia!

Senador desconfiado

O senador Laércio Oliveira (PP) voltou a questionar uma possível postergação pela Petrobras sobre o início da operação do Projeto Sergipe Águas Profundas. Notícias desmentidas pela petrolífera revelam que o investimento poderá ficar para depois de 2030, em vez de 2028. O projeto objetiva viabilizar a exploração de petróleo e gás natural na costa de Sergipe. Em discurso no Senado, Laércio afirmou que se trata de uma “iniciativa vital para o desenvolvimento do estado e de toda a Região Nordeste”. No entanto, para o senador, a Petrobras demonstra interesse em retardar a sua implementação. Crendeuspai!

Transferência abortada

A Justiça do Trabalho suspendeu a transferência de uma cidadã que precisava cuidar da mãe idosa. Ela havia sido contratada para trabalhar em Aracaju, mas foi transferida para o interior do Rio de Janeiro. Na audiência, a empregada afirmou que ocupava cargo na área administrativa, sem contato com o público e que não pode ir para o Rio porque cuida da mãe.  A Justiça, então, determinou que a empresa mantivesse o trabalho da funcionária em casa cinco dias por semana ou pelo menos que os dias de trabalho presencial pudessem ser realizados em Aracaju. Ah, bom!

Sergipe de fora

Sergipe não está entre os oito estados selecionados pela Petrobras para participar da chamada pública visando doação de notebooks a escolas públicas federais e estaduais. Doados pela estatal, os seis mil aparelhos deverão ser utilizados em atividades pedagógicas e de educação digital. Para serem elegíveis ao processo, as escolas devem ser da rede pública federal ou municipal de ensino, podendo ser de ensino infantil, fundamental I ou II, médio ou ensino de jovens e adultos. Então, tá!

Pés na estrada

E o secretário Estadual do Desenvolvimento Urbano, Luiz Roberto (PDT), tem percorrido Aracaju de cima abaixo. Sempre que encontra um tempinho fora da agenda oficial de trabalho, o distinto bota os pés nas ruas, avenidas e vielas da capital visando discutir soluções para os problemas apresentados pelos aracajuanos. Pelo visto, até que os governistas definam quem será o candidato a prefeito, Luiz Roberto vai gastar as solas de vários sapatos em suas andanças pela capital sergipana. Marminino!

Livro de ficção

A Constituição Federal completou 35 anos agora em 2023, mas ainda não pode ser considerada uma obra acabada. Um levantamento feito pela Câmara dos Deputados mostra que a lei máxima do país contém 163 dispositivos ainda não regulamentados. Um exemplo é o imposto sobre grandes fortunas. Previsto pelos constituintes em 1988, o tributo não existe até hoje porque o artigo 153, que trata sobre o tema, não foi disciplinado. Os dispositivos que precisam de regulamentação são aqueles que enunciam um direito, um dever ou uma regra com a ressalva de que eles serão cumpridos “na forma da lei” ou “nos termos definidos em lei”. Home vôte!

PSD é o maior

Com maior número de prefeitos em Sergipe – 23 ao todo – o PSD passou a ser, pela 1ª vez desde a sua criação, a legenda que comanda o maior número de prefeituras no Brasil. São 968 executivos municipais filiados à sigla, 308 a mais do que os 660 alcançados nas eleições de 2020. Diferente do partido presidido no estado pelo ex-governador Belivaldo Chagas, o PSC não tem entre os filiados nenhum prefeito em Sergipe, enquanto os PSDB, Avante e Cidadania só possuem, cada, um gestor municipal. Danôsse!

Posse agendada

O Tribunal de Justiça de Sergipe está distribuindo convites para a posse do novo desembargador Etélio de Carvalho Prado Junior. A solenidade está agendada para às 10 horas dessa quarta-feira, no prédio do TJ, centro de Aracaju. Oriundo do Ministério Público Estadual, o novo magistrado ocupará a vaga aberta pela aposentadoria do desembargador Edson Ulisses. Etélio tem 48 anos de idade, e ingressou no MPE em 2003, atuando na Promotoria de Justiça de Lagarto. Boa sorte na nova empreitada!

Dindin na conta

A Prefeitura de Aracaju vai pagar amanhã a folha salarial deste mês. Com o pagamento do salário, a administração injetará na economia R$ 105 milhões. Já o funcionalismo estadual começa a receber os salários nesta terça-feira. O pagamento da folha, juntamente com a segunda parcela do décimo terceiro será concluída na próxima quinta-feira. Segundo o governo de Sergipe, os salários e o 13º representam uma injeção de R$ 800 milhões na economia estadual. Supimpa!

Dino festejado

O senador Rogério Carvalho (PT) elogiou a indicação de Flávio Dino (PSB) para ministro do Supremo Tribunal Federal. Segundo o petista, a escolha feita pelo presidente Lula da Silva (PT) “é reconhecida como uma decisão que valoriza a trajetória exemplar desse grande homem público”, frisou. Quem também se apressou em festejar a indicação de Dino foi o presidente do PSB sergipano, Valadares Filho: “Sua experiência e compromisso são fundamentais para fortalecer a justiça e contribuir para o desenvolvimento do país”, escreveu vavazinho nas redes sociais. Aff Maria!

Noite de autógrafos

Está agendado para o próximo dia 6, o lançamento do livro “Antônio Carlos Valadares: O realizador de senhos”. A noite de autógrafos da obra literária escrita por Antônio Camilo acontecerá no Museu da Gente Sergipana, centro de Aracaju. Vavá é o segundo ex-governador sergipano biografado este ano. O outro foi Jackson Barreto (MDB), que teve a longa trajetória política escrita pelo professor Jorge Carvalho do Nascimento. O livro sobre Valadares tem prefácio do ex-presidente da República, José Sarney (MDB). Prestigie!

INFONET

Em destaque

E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

Mais visitadas