segunda-feira, novembro 27, 2023

A campanha eleitoral estimulará as traições políticas

em 27 nov, 2023 8:11

Adiberto de Souza 


Nem todas as juras de apoio político feitas na próxima ceia de Natal serão respeitadas quando chegar a hora de a onça beber água. Muitas fotografias de grupos políticos flagrados de deleitando com as comidas e bebidas nas festas de final do ano servirão apenas para provar que nem tudo que se diga agora será verdade em 2024. Legendas que estão jurando amor eterno neste momento, deverão compor coligações diferentes na disputa pela Prefeitura de Aracaju. Claro que muitos brincantes do réveillon que se avizinha chegarão juntos ao altar eleitoral, porém outros selarão o divórcio antes das convenções. Há quem jure, inclusive, que o PSD e o PDT não andam tão unido quanto antes e que, a depender da habilidade de suas lideranças, podem tomar rumos diferentes na campanha eleitoral. Portanto, não se surpreendam se nos festejos juninos de 2024 pessedistas e pedetistas estejam dançando com outros parceiros ao som da música ‘A Carta’, de Luiz Gonzaga: “O que houve entre nós dois foi apenas fantasia/ Nosso passado terminou como termina/ Todas as ilusões/ Doravante seguiremos caminhos diferentes….”. Misericórdia.

Sem vergonha

O senador Alessandro Vieira (MDB) se posicionou contra a chamada PEC do Quinquênio, a ser votada nos próximos dias e que beneficia juízes e procuradores. Pelo texto, os ilustres terão direito a um adicional de 5% do salário a cada cinco anos, no limite de 35%. Segundo o emedebista, este “é mais um privilégio para uma elite que não se envergonha de encostar a faca no pescoço do Parlamento para exigir suas vantagens. O nosso Poder Judiciário, na sua mais alta cúpula, perdeu completamente a vergonha”, fustigou Vieira. Crendeuspai!

Justa homenagem

A Assembleia Legislativa vai promover, amanhã, uma sessão especial para homenagear os 150 anos de nascimento do lagartense Laudelino Freire. Nascido no dia 26 de janeiro de 1873, este ilustre sergipano se formou em Direito em 1902 e, além de advogado, foi professor, jornalista e crítico de arte, tendo produzido vasta obra cultural. Eleito para a Academia Brasileira de Letras, Laudelino Freire foi empossado em 10 de março de 1924, na cadeira nº 10, sucedendo o baiano Rui Barbosa. O escritor lagartense faleceu aos 64 anos, no Rio de Janeiro. Ah, bom!

Queimando dinheiro

Já aprovada pela Comissão Mista de Orçamentos do Congresso Nacional, a proposta de reajuste do fundo eleitoral prevê que será de R$ 4 bilhões o montante a ser torrado na campanha municipal de 2024. Se o valor do fundão for aprovado pelos deputados federais e senadores, será praticamente o mesmo das eleições majoritárias de 2022 e 150% maior do que o disponibilizado nas eleições municipais de 2020. Há dois anos, os partidos receberam cerca de R$ 2 bilhões. É muito dinheiro público pra ser queimado na caça aos votos. Só Jesus na causa!

Sucesso festejado

O vereador aracajuano Fabiano Oliveira (PP) comemorou, ontem, com uma suculenta feijoada o sucesso do Pré-Caju 2023, realizado no período de 3 a 5 deste mês. A comemoração foi prestigiada por políticos, amigos, familiares de Fabiano e as pessoas que trabalharam durante a prévia carnavalesca. Presente ao comes e bebes, o prefeito Edvaldo Nogueira (PDT) lembrou que o Pré-Caju é uma festa da cidade: “Além de toda alegria e felicidade que traz para a população, traz desenvolvimento, turismo e gira a nossa economia, gerando mais empregos e renda”, discursou. Aff Maria!

A chaga da escravidão

Mais de 39% dos trabalhadores resgatados no Brasil de condições análogas à de escravo não tinham concluído o 5º ano do ensino fundamental, 32,8% eram analfabetos e 14,6% tinham do 6º ao 9º ano escolar incompletos. De acordo com a Comissão Pastoral da Terra (CPT), esse crime está tão enraizado no Brasil que o aumento da fiscalização levará também ao crescimento da descoberta de trabalhadores submetidos a situações degradantes. “Aonde o fiscal do trabalho vai, encontra trabalho escravo”, denuncia a CPT. Danôsse!

QI de quem indica

Um conselho a quem sonha em conseguir um bom emprego federal em Sergipe: procure o ministro Márcio Macêdo (PT), os deputados federais João Daniel (PT), Fábio Reis (PSD), Katarina Feitoza (PSD), Yandra de André (União) e os senadores Rogério Carvalho (PT) e Alessandro Vieira (MDB). Apoiadores do governo Lula da Silva (PT), eles dispõem do QI de quem indica. Portanto, sem o “ok” deles e delas o suplicante não punga num bom cargo comissionado federal nem que a vaca tussa. Home vôte!

Conversa fiada

Vejam algumas mentiras que nunca faltam em todas as campanhas eleitorais, e que certamente reaparecerão quando 2024 chegar: “Você me conhece”; “Se eleito for, vou construir mais escolas e casas populares”; “Podem vasculhar o meu passado. Não vão encontrar nada!”; “Sou melhor do que os que aí estão!”; “Nesse bolso nunca entrou dinheiro desonesto!”; “Vote em mim que você não se arrependerá”. O eleitor deve ficar atento para não ser enganado pelos milhares de candidatos que vão perambular por Sergipe na próxima campanha. Vixe!

Eleição suplementar

Os moradores dos bairros Santa Maria, 17 de Março, Aruana, Mosqueiro, Robalo, São José dos Náufragos, Areia Branca e Gameleira elegeram, ontem, cinco conselheiros tutelares para o 6° Distrito de Aracaju.  18 candidatos concorreram às cinco vagas, tendo sido eleitos Amarante (380 votos), Irmã Neide (363 votos), Henrique da Expansão (326 votos), Erlândia (315 votos) e Marcos Collor (290 votos). A posse dos novos conselheiros de Aracaju está marcada para o dia 10 de janeiro de 2024. Então, tá!

Orai por eles

Como costumam escrever os coleguinhas colunistas sociais, políticos de A a Z prestigiaram, ontem, em Carira a procissão dos padroeiros Santa Cruz e Sagrado Coração de Jesus. O ex-prefeito de Itabaiana, Valmir de Francisquinho (PL), aproveitou para conversar com pré-candidatos do município e avaliar a sua popularidade junto ao eleitorado carirense. Com um olho pregado no andor da imagem e o outro fixo nos fieis eleitores, os políticos acompanharam a procissão pedindo saúde e sucesso na vida pública. Amém!

INFONET

Em destaque

E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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