terça-feira, fevereiro 28, 2023

Em uma década a inflação foi de 80%. E quanto subiram os salários e aposentadorias?


Charge do Jota A. (Arquivo do Google)

Pedro do Coutto

Uma matéria importante, sem dúvida, a de Artur Nicoceli, Estado de S. Paulo desta segunda-feira, focalizando a rentabilidade de investimento no mercado financeiro no período de 2013 a 2023. A inflação do IBGE foi de 80%.

Para Nicoceli a melhor aplicação de capital no mercado financeiro foi nos certificados de depósito interbancário que no mesmo espaço de tempo atingiram 135%, bem mais que a Bolsa de Valores de São Paulo. Diante do exposto me ocorreu colocar a questão em termos de perda do poder aquisitivo dos salários e concentração de renda no país, cada vez maior. 

RENTABILIZAÇÃO – O aspecto social dessa comparação é importante também para que se possa aferir o processo cada vez mais intenso de contenção de renda, comprovado pelo fato de as aplicações no mercado financeiro renderem mais que os investimentos econômicos e muito mais do que o percentual de reajuste dos salários dos trabalhadores, trabalhadoras e até dos servidores públicos do país.

A concentração de renda prossegue e parece não ter fim. Quanto mais ela cresce, pior para as classes assalariadas e sobretudo as faixas extremamente pobres da população. Não sei porque quando reportagens econômicas destacam os percentuais de uma questão, não completam a análise revelando sobre que montante de números absolutos incidem os percentuais.  Essa era uma cobrança feita permanentemente pelo ministro Roberto Campos, avô do presidente do Banco Central.

PLANO DE INVESTIMENTOS – Mais um exemplo de que falta acrescentar a um fato sob análise a incidência de percentuais sobre os números absolutos. Reportagem de Dimitrius Dantas e Jeniffer Gularte, O Globo de ontem, focaliza o plano dos investimentos públicos projetados para este ano.

Conclui-se que o MDB e a União Brasil, através de emendas de seus parlamentares são responsáveis por 54% dos investimentos. Acrescenta que representam R$ 34 bilhões, um pouco mais da metade de todos os programas dos Ministérios do Transporte, das Cidades e da Integração Nacional. Assim, o universo dos investimentos oscila em cerca de apenas de R$ 68 bilhões para 2023. Muito pouco. Basta citar o valor total da Lei Orçamentária em vigor.

Esse total é de R$ 5,6 trilhões, cerca de 10% abaixo da dívida interna brasileira. Dessa forma, o Brasil paga de juros (Selic de 13,75% sobre R$ 6 trilhões) das despesas pela rolagem do endividamento mais de dez vezes o que vai investir. É por essas e outras que é fundamental projetar os percentuais sobre os números absolutos nos quais recaem para que se tenha a ideia do valor real da quantidade sob análise.

FAKE NEWS – O deputado Paulo Pimenta, ministro da Comunicação jornalística – matéria de Jennifer Gulart e Thiago Bronzatto, O Globo desta segunda-feira – sustenta que há necessidade de uma lei para combater as fake news já que a justiça no país é muito lenta e assim existe um obstáculo para punir as ilegalidade cometidas.

O ministro Paulo Pimenta ocupa um cargo fundamental, sobretudo no campo da informação jornalística com a qual não vem demonstrando percepção e produtividade. O Ministério da Comunicação (jornalística) é para mobilizar a comunicação pública como um meio de produção e de preenchimentos na Imprensa de matérias gratuitas em forma de reportagens e notícias do interesse legítimo do governo Lula.

No caso das fake news, basta utilizar a legislação vigente para os jornais e emissoras de televisão e rádio. Trata-se de punir os incitamentos ao crime de forma genérica, de combater o anonimato, que é inadmissível, e exigir o direito de resposta como a lei em vigor determina. Não adianta recursos à publicidade paga.

ISENÇÃO – A publicidade paga expõe o fato de que quem investe no setor não pode ser considerado uma fonte isenta. E a isenção no que se refere às matérias jornalísticas é essencial para a comunicação. A Lei de Imprensa em vigor, na qual se inserem as redes sociais da internet, prevê todos os casos relativos ao direito de resposta, à difamação e calúnia, injúria e ao incitamento ao crime. A liberdade de expressão tem um limite legal, é claro. Trata-se apenas da justiça cumprir os seus deveres.

Na parte que dá destaque ao governo, Paulo Pimenta deveria, sugiro, levantar os projetos nas diversas áreas do governo e transformá-los em matéria de imprensa, enviando-as por email para as redações. Não há necessidade de pagar nada se as matérias forem de efetivo interesse público.

IMPOSTOS  – Em reportagem excelente na Folha de S. Paulo de ontem, Cátia Seabra e Natália Garcia destacam a divisão que está ocorrendo no próprio governo Lula em relação ao caso da isenção de impostos sobre a gasolina e o etanol adotada pela administração Jair Bolsonaro. Há um grupo do qual Fernando Haddad faz parte que defende a suspensão da vantagem fiscal para elevar a receita da Petrobras.

Há um outro grupo da área política em que se encontra o ministro Rui Costa que pensa o contrário. No centro da questão, situa-se Jean Paul Prates, presidente da Petrobras. Na manhã de ontem foi realizada uma reunião no Palácio do Planalto para buscar uma solução sobre o assunto.

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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