terça-feira, fevereiro 28, 2023

Em Sergipe, o PT espalha brasa e acaba se queimando

 em 28 fev, 2023 8:2

Aldaberto de Souza


O PT é um partido do barulho: quando não acha com quem brigar, se engalfinha com ele mesmo. Isso tem ficado claro agora, quando petistas sergipanos andam se estranhando por disputa de espaços no governo federal. Segundo as más línguas, por conta dessas escaramuças, a legenda acabou perdendo a chance de colocar na presidência do Incra uma sergipana ligada ao MST. As lideranças petistas se atritam desde sempre, porém o espalhar de brasas ficou mais evidente após a nomeação de Márcio Macedo (PT) como ministro de Estado. Desde então, tem havido trocas de farpas internas entre os caciques do partido, fato que resultou na queimação da advogada Rose Rodrigues, indicada pelo deputado federal João Daniel (PT) para presidir o Incra. Ao mesmo tempo, outra facção petista, tal qual fogo de monturo, chamusca o senador Rogério Carvalho (PT), pintado por alguns aliados dele como o patinho feio da legenda. E neste espalhar de brasas, todo mundo na legenda termina saindo queimado. Aliás, nada melhor para definir esse fogaréu no reduto vermelho do que a constatação do jornalista Sílvio Santos (PT): “O que não me surpreende é a capacidade dos petistas de darem tiros nos próprios pés, alimentando-se das narrativas do adversário e praticando o fratricídio”. Home vôte!

Fábrica sonhada

O governador de Sergipe, Fábio Mitidieri (PSD), anda entusiasmado com a possibilidade de instalação de uma fábrica de tratores em Sergipe. Segundo o fidalgo, a expectativa é que o empreendimento gere até 300 empregos diretos e outros 3 mil indiretos. Tomara que essa alvissareira notícia não seja igual à uma outra parecida dada pelo ex-governador Belivaldo Chagas (PSD). Em 2019, quando falava sobre as novas descobertas de gás natural em Sergipe, o “Galeguinho” anunciou o interesse de uma empresa chinesa em instalar no estado uma fábrica de caminhões movidos a gás. Até hoje, contudo, ninguém sabe e ninguém viu a tal indústria automobilística. Marminino!

Troca-troca

O deputado estadual Jorginho Araújo (PSD) reassumirá, amanhã, a Secretaria da Casa Civil do governo estadual. O distinto deve ser substituído na Assembleia pelo suplente Sérgio Reis (PSD), que vem a ser o atual secretário da Representação de Sergipe em Brasília. Ouvido pela jornalista Rita Oliveira, Jorginho disse que está retornando à missão que lhe foi confiada pelo governador Fábio Mitidieri (PSD). Por sua vez, Sérgio não ficará muito tempo como deputado, pois prefere continuar representando o estado na capital federal. Caso isso ocorra, a cadeira parlamentar será ocupada pelo vereador aracajuano Manuel Marcos (PSD). Aguardemos, portanto!

Até quando?

Desde que foi derrotado no senho de governar Sergipe, o senador Alessandro Vieira (PSDB) passou a apoiar o governador Fábio Mitidieri (PSD). Ontem mesmo, o tucano bateu ponto em Boquim, onde o Executivo promoveu um mutirão, batizado de “Sergipe é aqui”, visando oferecer à comunidade pobre iniciativas simples, como medição da pressão arterial e testes de glicemia, orientação sobre o combate à dengue e à Covid-19, etcétera e tal. Eleito em 2018 com um discurso bolsonarista, Alessandro também iniciou o mandato defendendo o governo de Jair Bolsonaro (PL), mas depois pulou fora da canoa governista. Resta saber até quando Vieira continuará no barco pilotado por Mitidieri. Misericórdia!

Combate à fome

O presidente Lula (PT) reinstala hoje, o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, tido pelos governistas como uma das principais ferramentas de combate à fome e à miséria no Brasil. Os ministros Márcio Macedo, Wellington Dias e Paulo Pimenta se reuniram, ontem, para discutir os detalhes finais sobre a reinstalação do Conselho. Os três garantem que esse instrumento vai permitir ao governo retirar o país do Mapa da Fome. Tomará!

Prepare o bolso

A reoneração da gasolina e do etanol, que entra em vigor a partir de amanhã, vai aumentar os preços dos dois combustíveis. Opositor ao governo do presidente Lula, o ex-deputado Mendonça Prado bateu forte na pedida: “Encerrar a desoneração dos tributos que incidem sobre os combustíveis, no momento em que a sociedade brasileira procura superar dificuldades é um ato de perversidade. A medida deverá elevar os índices inflacionários e aumentar o custo de vida”, discursou. O tamanho do repasse efetivo do aumento das alíquotas aos consumidores dependerá das distribuidoras e dos postos de combustíveis. Crendeuspai!

Dia de posses

A Câmara Municipal de Canindé do São Francisco dará posse, hoje, aos vereadores Jenilson da Saúde e Tutucha de Curituba. Os dois vão substituir Hugo de Pank e Bianca de Oliveira. Ambos foram casados após o Tribunal Superior Eleitoral constatar que o PSB desrespeitou a reserva mínima de 30% para candidaturas femininas. Hugo vem a ser filho do vice-prefeito de Canindé, Joselildo do Nascimento (PT), o popular Pank, que foi afastado do cargo pela Justiça, juntamente com o prefeito Weldo Mariano (PT). A dupla ficará longe da Prefeitura por 60 dias, tempo em que uma comissão de técnicos fará um “pente fino” na administração do município. Aff Maria!

Grana sobrando

Sergipe deixou de usar mais de R$ 98,1 milhões da verba disponibilizada pela União para segurança pública. Nos últimos quatro anos, o Fundo de Segurança repassou para o estado mais de R$ 120 milhões, porém apenas cerca de R$ 21,8 milhões foram executados até agora. Segundo reportagem publicada pelo portal de notícias Metrópoles, o dinheiro ainda sem destinação segue represado na conta do governo sergipano. Juntos, todos os estados e o Distrito Federal não fizeram uso de R$ 2,47 bilhões da verba para segurança pública. Só Jesus na causa!

Sergipana no Incra

Antes cotada para presidir o Incra, a advogada sergipana Rose Rodrigues foi nomeada para a diretoria de Desenvolvimento e Consolidação de Projetos de Assentamento daquele instituto. Ex-secretária de Agricultura de Sergipe e militante do MST, Rose foi indicada para o cargo pelo deputado federal João Daniel (PT). O petista a queria na presidência, porém desentendimentos internos no PT sergipano terminaram por impedir a nomeação dela no principal posto do Incra, órgão da mais alta importância na política agrária a ser implementada pelo governo do presidente Lula (PT). O Instituto será presidido por César Aldrighi, que está à frente do órgão interinamente desde janeiro passado. Ah, bom!

INFONET

Em destaque

E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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