segunda-feira, fevereiro 27, 2023

Conselho de Justiça investiga manifestações políticas de juízes, mas esquece o Supremo

Publicado em 26 de fevereiro de 2023 por Tribuna da Internet

Luiz Felipe Barbiéri
g1 — Brasília

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) abriu procedimentos para investigar juízes e desembargadores por supostas manifestações político-partidárias. E o caso da magistrada Ludmila Lins Grilo, juíza da vara de Infância e Juventude da comarca de Unaí, ganhou repercussão nos últimos dias. Ela atacou ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) em postagens e comentou decisões judiciais, em afronta à Lei Orgânica da Magistratura Nacional (LOMAN).

Por unanimidade, os conselheiros do CNJ decidiram instaurar um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) e afastaram a juíza do cargo.

A JUÍZA NEGA – Apoiadora do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Ludmila também participou de um seminário com conotação política. Em sua defesa, ela negou que as manifestações tivessem conteúdo político.

O CNJ é composto por 15 integrantes oriundos da magistratura, da advocacia, do Ministério Público e indicados pela Câmara dos Deputados e do Senado. Veja outros casos analisados pelo CNJ.

▶️ Luiz Alberto de Vargas: desembargador do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região, publicou mensagens em suas redes com críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro e aos seus eleitores.

Os posts trazem expressões como “fogo nos fascistas”, “chupa gado” e hashtags que demonstraram sua preferência pela candidatura do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O desembargador federal diz estar no exercício de seu direito fundamental à liberdade de expressão.

▶️ Wauner Batista Machado: juiz da 3ª Vara de Fazenda Pública da comarca de Belo Horizonte, o magistrado foi afastado por ter autorizado um empresário mineiro apoiador de Jair Bolsonaro a montar uma barraca em frente a um quartel do Exército.

O objetivo era protestar contra o Estado Democrático de Direito. A decisão do magistrado contrariou uma determinação do STF.

O juiz disse que é “intocável” a livre a manifestação do pensamento, em local público, de forma coletiva, sem restrições e censura prévia”.

▶️ Eduardo Luiz Rocha Cuba: o juiz do Tribunal Regional Federal da 1ª Região responde a processo disciplinar por ter apoiado a candidatura do ex-ministro da Educação Abraham Weintraub para o cargo de diretor do Banco Mundial.

O magistrado alegou incompetência da Corregedoria Nacional de Justiça para analisar o caso.

▶️ Luis Carlos de Valois Coêlho: o juiz de primeira instância no Amazonas publicou em suas redes sociais mensagem em afronta ao CNJ depois dos ataques golpistas de 8 de janeiro: “Invadiram e destruíram os documentos do CNJ também? É um estagiário que quer saber”, escreveu.

O magistrado também postou críticas ao protagonismo de integrantes do MPF e da Justiça Federal. Ele também teve a conta no Twitter bloqueada.

▶️ Maria do Carmo Cardoso: o corregedor nacional de Justiça, Luis Felipe Salomão, determinou a abertura de uma reclamação disciplinar para apurar a conduta da juíza federal do TRF-1 nas redes sociais.

“Copa a gente vê depois, 99% dos jogadores do Brasil vivem na Europa, o técnico é petista […] nossa Seleção verdadeira está na frente dos quarteis”, compartilhou a magistrada em uma de suas redes.

Ela teve perfis no Instagram e no Twitter bloqueados. O g1 tenta contato com a juíza.

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PERFIS BLOQUEADOS

O corregedor nacional de Justiça também determinou o bloqueio de contas nas redes sociais de outros magistrados que se manifestaram em desacordo com a Lei Orgânica da Magistratura Nacional. A norma veda manifestações político-partidárias de integrantes do judiciário.

▶️ Marcelo Lima Buhatem, desembargador, teve os perfis no Facebook e no Twitter suspensos. Ele compartilhou no Facebook uma nota da Associação Nacional dos Desembargadores, organização que preside, em que sugeriu apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro, então candidato à reeleição.

Na decisão, Salomão também cita notícia que atribui ao desembargador a divulgação de fake news contra o presidente : “Lula é convidado de honra do Comando Vermelho”, compartilhou em sua lista de transmissão no WhatsApp.

▶️ Rosália Guimarães Sarmento, a juíza do Amazonas, também teve as contas nas redes sociais bloqueadas por determinação de Salomão, que também decidiu instaurar uma reclamação disciplinar.

Ela publicou mensagem pedindo que seus seguidores votassem 13, em referência ao então candidato Luiz Inácio Lula da Silva, e dito que “Bolsonaro apoia o crime”.

“Do que se pôde contabilizar, nos últimos dias, a juíza teria publicado (entre tweets e retweets) mais de 70 mensagens com conteúdo político partidário, chegando, em várias delas, a declarar sua intenção de voto e a conclamar seus seguidores a votar no mesmo candidato de sua preferência. Em outras tantas, profere juízos depreciativos contra o candidato adversário”, escreveu Salomão.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Bem, se o Conselho Nacional de Justiça realmente quer fazer cumprir a Lei Orgânica da Magistratura, está na hora também de exigir idêntico cumprimento pelo Supremo, cujos ministros “revogaram” em causa própria todos os dispositivos legais que determinam a suspeição de magistrados no julgamento de processos envolvendo amigos e parentes. Mas o Conselho jamais se manifestará a esse respeito. Falta coragem, falta dignidade e falta correção. (C.N.)  

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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