segunda-feira, fevereiro 27, 2023

Dizendo-se novo, o governo de Sergipe visita o passado

 em 27 fev, 2023 8:15

Adiberto de Souza


Eleito prometendo por um fim no velho modelo de gestão, reinante em Sergipe há décadas, o governador Fábio Mitidieri (PSD) parece não ter conseguido, ainda, encontrar a sonhada porta do futuro. Tanto isso é verdade que um dos primeiros atos de sua administração será uma visita ao passado. Nesta segunda-feira, o Executivo retorna ao distante 2010, quando o saudoso governador Marcelo Déda (PT) implantou em Sergipe um tal de “Governo Itinerante”. Rebatizada de “Sergipe É Aqui”, esta ação, que hoje começa por Boquim, não passa de um velho mutirão visando oferecer em algumas horas o que o Estado não garante no dia a dia dos sergipanos. Nessas ações, enquanto o governador e seus secretários distribuem tapinhas nas costas do eleitorado carente, servidores públicos realizam atividades simples, como medição da pressão arterial e testes de glicemia, orientam sobre o combate à dengue e à Covid-19, cortam os cabelos dos homens, fazem as unhas das mulheres, eticétera e tal. Os “governos itinerantes”, agora reeditados por Fábio Mitidieri, nunca deram resultados práticos nem duradouros. Esbanjam, porém, um forte cunho eleitoreiro, na medida em que oferecem serviços básicos às pessoas pobres, as mesmas que passam a vida inteirinha mendigando nos postos de saúde e nos hospitais públicos uma simples consulta médica ou um exame clínico qualquer. Só Jesus na causa!

Canindé sem sorte

Com o afastamento do prefeito Weldo Mariano (PT) a população de Canindé do São Francisco, no sertão de Sergipe, está assistindo a um velho filme. O petista não foi o primeiro a sofrer tal punição: antes dele, a Justiça já havia decretado três intervenções naquele município, afastando as prefeitas Hortência Carvalho, em 1995, Rosa Maria Feitosa, em 2001, e o prefeito Ednaldo da Farmácia, em 2020. Weldo e o vice-prefeito Pank (SD) ficarão fora da Prefeitura pelos próximos 60 dias, devendo uma comissão de técnicos indicada pela Justiça fazer um “pente fino” na administração. Misericórdia!

Boca de siri

No PT sergipano ninguém fala sobre a não mais indicação da ex-secretária da Agricultura de Sergipe, Rose Rodrigues, para a presidência do Incra. A nomeação da fidalga havia sido acertada durante a visita do presidente Lula (PT) a Sergipe, mas depois rifaram o nome dela. Segundo as línguas ferinas, o ministro Márcio Macedo (PT) foi o responsável pela rasteira em Rose, indicada para o cargo pelo deputado federal João Daniel (PT). Apesar do grande zum zum zum em torno do caso, os líderes petistas em Sergipe não dão um piu sobre o assunto, mesmo sabendo que, por conta de uma briga interna, Sergipe deixa de ter mais uma representação no governo federal. Danôsse

Vem mais 5G por aí

Depois de Aracaju, que já conta com o sinal 5G desde setembro passado, agora chegou a vez da Barra dos Coqueiros, Nossa Senhora do Socorro e São Cristóvão também ganharem o direito de instalação dessa tecnologia. A decisão da Agência Nacional de Telecomunicações permite a instalação, a partir de hoje, do sinal 5G, garantindo a conexão de vários dispositivos à internet. Segundo o Ministério das Comunicações, a decisão da Anatel possibilita que as operadoras possam solicitar a implantação da infraestrutura da quinta geração de redes móveis nos três municípios. Supimpa!

Briga por espaço

Há um mês, artesãs e artesãos ocupam a calçada próxima ao Centro de Arte e Cultura J. Inácio, localizado na Orla de Atalaia e que está fechado desde 2021. No último sábado, eles e elas fizeram um evento para marcar os 30 dias de ocupação e reivindicar da Prefeitura que aquele espaço seja reaberto. Presentes à manifestação, as vereadoras aracajuanas Ângela Melo (PT) e Sônia Meire (Psol) ressaltaram que o Centro é um patrimônio cultural, precisando ser reaberto visando garantir a comercialização do rico artesanato sergipano. Com a palavra o prefeito interino de Aracaju, Ricardo Vasconcelos (Rede), que vem a ser o presidente da Câmara Municipal. Ah, bom!

Batendo biela

Um dos equipamentos mais importantes do Corpo de Bombeiros Militar de Sergipe, a viatura Autoplataforma Aérea está com 17 itens carecendo de manutenção urgente. Feita pela Associação que representa os policiais daquela corporação, a denúncia alerta para a necessidade de manutenção da viatura, fundamental para salvamentos e combates a incêndios em edificações acima de três andares. O equipamento foi comprado na Finlândia pelo governo de Sergipe em 2012, por R$ 2,8 milhões. A Associação alerta que caso venha a acontecer algum problema com a Autoplataforma, não queiram dizer depois que foi uma fatalidade. Quem avisa, amigo é!

Nas ondas do rádio

E quem estará de retorno ao rádio é o deputado estadual Georgeo Passos (Cidadania). A partir da próxima sexta-feira, o distinto voltará a pilotar o programa “Mandato do Povo”, na Rádio Educadora de Frei Paulo. Passos escolheu a emissora freipaulistana por sua localização entre o agreste e o semiárido sergipano, onde predomina o reduto político da família Passos. O pai de Georgeo, ex-deputado Antônio Passos (DEM) foi prefeito de Ribeirópolis. Quem ouve o parlamentar cidadanista pelas ondas do rádio, jura que ele tem traquejo no microfone. Então, tá!

De olho em 2024

Veja o que publicou no Jornal da Cidade a amiga Thaís Bezerra: “O Partido dos Trabalhadores vai discutir as eleições do próximo ano em Aracaju. Durante um seminário agendado para março agora, o PT também avaliará a conjuntura política e os prováveis cenários para 2024. Os dirigentes petistas garantem que uma coisa já está definida: a legenda continuará fazendo oposição à gestão do prefeito da capital, Edvaldo Nogueira (PDT). Também é certo que o PT terá candidato para se opor ao nome apresentado pelo bloco governista. Nas eleições de 2020, a sigla da estrelinha disputou a Prefeitura de Aracaju e não conseguiu chegar nem no 2º turno”. Marminino!

Sangue novo

A Câmara Municipal de Nossa Senhora do Socorro ganha hoje dois novos vereadores. Os suplentes Lalo (Cidadania) e João Mochila (PP) vão substituir os pastores evangélicos Joanan Menezes e Irmão Robson, ambos do Avante, que foram cassados porque o partido deles não cumpriu a cota de 30% de gênero. A mudança aumenta o número de vereadores oposicionistas ao prefeito Padre Inaldo (PP), mas nada que o incomode, pois ele conta com o apoio de 15 dos 21 parlamentares socorrenses. Aff Maria!

Rodovia de rosca

O Dnit está prometendo abrir ao tráfego já em abril próximo, o trecho duplicado de 25,5 quilômetros da BR-101, entre os municípios de Maruim e Laranjeiras. A obra faz parte do Plano de Ações dos 100 Dias do governo Lula (PT), e foi reiniciada este mês, contando, inclusive, com a presença do “Barba”. O investimento para a duplicação desses sete quilômetros é de aproximadamente R$ 18 milhões. Apesar do entusiasmo do novo governo federal, as más línguas têm espalhado pelas esquinas de Sergipe que, pelo andar da carruagem, a duplicação da BR-101 no estado vai completar um século inconclusa. Home vôte!

INFONET

Em destaque

E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

Mais visitadas