domingo, março 31, 2019

Poucas & Boas 2019.4 Na Bahia é diferente!

Poucas & Boas 2019.4

Na Bahia é diferente!
Demolido, mercado de Poço Verde dará lugar a uma praça de eventos (foto: Landisvalth Lima)
Não é difícil para quem acompanha o noticiário estranhar fatos que ocorrem rotineiramente em outros estados e aqui na Bahia quase nunca ocorrem. Excetuando-se as ações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, nada acontece por aqui. Em Sergipe, alguns prefeitos foram presos, deputados tiveram processos, condenações e cassação de mandatos, tudo motivado por investigações do Ministério Público Estadual, Polícia Civil e outros órgãos fiscalizadores. Até o governador Belivaldo Chagas teve que dar satisfação à Justiça. Na Bahia nada acontece. Parece que estamos num estado onde tudo funciona às mil maravilhas e os políticos são a última geração calibrada da espécie. Exemplo para o país!
Adesão na gaveta I
É comum na Bahia, prefeitos, vereadores, deputados aderirem ao vencedor, claro, em nome da busca de recursos para suas bases partidárias. Desculpas não faltam. Lembro-me certa feita de uma justificativa dada pelo ex-deputado federal Mário Negromonte, hoje Conselheiro do Tribunal de Contas da Bahia. Dizia ele que votou contra a aposentadoria dos idosos para carrear recursos para região. Então perguntei a ele se valia a pena matar os velhos para conseguir dinheiro. Ele não respondeu e caiu fora. Hoje, até aderir está difícil. Nos estados do Nordeste, os governadores são de oposição ao governo federal. Com os estados quebrados, a única fonte de recursos é o governo federal. E a torneira está fechada!
Adesão na gaveta II
Governadores, prefeitos e deputados queriam muito achar um motivo para pular de lado. Ao contrário, há motivos de sobra para ficar onde se está. Se fosse um presidente popular, vai lá. Bolsonaro está perdendo espaço no coração do povo. Seu governo ainda não começou e as atrapalhadas beiram o inimaginável. Tenho a impressão de que uma doença chamada “infantilização” contamina nossos novos dirigentes e isso dificulta até mesmo adesões tidas como certas. Um governo “normal” já teria tido adesões em massa e ajudaria a aprovar as medidas contra a corrupção e violência e, como até mesmo os governadores do Nordeste querem, embora não tornem isso público, acabaria com o déficit público gerado pelo rombo gigantesco da Previdência Social.
Adesão na Gaveta III
Outro fator que impede adesões em massa ao governo é 2020. Ninguém quer arriscar largar o osso. Os prefeitos querem fazer sucessores. Em muitos municípios, governo e oposição são do mesmo lado, principalmente no Nordeste. Ninguém quer ficar numa árvore que não tenha sombra. Como o governo federal está em constante conflito, até com ele mesmo, é melhor ficar na mesma árvore onde está o adversário. Lá na frente, se aparecer algum afago e se for interessante, adere-se. É a velha política. Quem duvidar, é só fazer um retrospecto histórico da Ditadura Militar para cá. Inúmeros líderes no Nordeste, que hoje choram a prisão de Lula, abraçaram os militares, juraram amor a Sarney, choraram a morte de Tancredo, saudaram a social democracia tucana e viraram petistas desde criancinhas. Se o governo Bolsonaro pegar, estarão um dia postando fotos ao seu lado e fazendo gestos de armas com as mãos.
CEJDS em obras
A empresa Grado já está reformando a telhado do salão do Colégio Estadual José Dantas de Souza, desde a última quinta-feira (28). Enquanto a empresa se instalava, o diretor Gilberto Jacó recebeu três boas notícias. A primeira foi uma promessa do governador Rui Costa para substituição de todo o piso do colégio. O engenheiro Pedro Ivo disse que já estava com a Ordem de Serviço em mãos e estará na escola nesta terça-feira (2) para orientar como será feita a obra. A segunda foi a confirmação da revisão da parte elétrica e da implantação do forro nas 4 salas restantes, e ainda nesta semana. Por fim, será feito um estudo para viabilizar a implantação de aparelhos de ar condicionado nas salas. Uma vez tudo isso pronto, daria ao CEJDS estrutura de excelência. Com os novos professores que chegaram, não terá mais sentido nenhum a escola continuar com médias tão baixas no Enem. Vamos ver.
Safra recorde
A esperança do sertanejo de que teremos uma safra recorde este ano está consolidada. Não há lugares na região que não tenham recebido quantidade generosa de chuva. As variações indicam de 30 a 90 milímetros. Está tudo cheio. Seria azar imensurável não ter safra este ano, depois de seis fracassos consecutivos. A maior seca da história chegou ao fim e é hora de arregaçar as mangas e trabalhar. Já falam em uma safra inesquecível. É fartura que vem!
Estradas intransitáveis
O outro lado da chegada das chuvas também se apresenta, e não é bom. As estradas vicinais dos municípios da região estão em petição de miséria. Até que as prefeituras lutam para colocar tudo em ordem, mas a quantidade de estragos foi inimaginável. É preciso um pouco de paciência. Já as estradas asfaltadas, cheias de buracos, passaram a ter mais buracos ainda. A BA 393, que Liga a BR 110, passa por Heliópolis e vai até Poço Verde-SE, foi alvo de um pedido especial do prefeito Ildinho ao governador Rui Costa. A promessa é que antes do São Pedro a estrada estará recuperada. Antes tarde do que nunca.
Mercado de Poço Verde
  Semana passada, uma parte da história de Poço Verde veio ao chão. O velho mercado, encravado no centro da cidade, foi demolido pela Prefeitura Municipal. Não havia outro meio a fazer. O edifício já estava todo desconfigurado e não representava mais nem mesmo a preservação do aspecto arquitetônico. Era apenas morada de ratos, baratas e outros seres indesejáveis. No lugar será construída uma Praça de Eventos. E tomara que seja útil para a população. 

Fonte: Landisvalth Lima 

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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