sábado, março 30, 2019

Líder do governo no Senado quer Bolsonaro mais para o centro e longe do Twitter


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Charge do Aroeira (O Dia/RJ)
Daniel Carvalho e Mariana CarneiroFolha
Líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) afirma que o governo de Jair Bolsonaro terá que se deslocar para o centro, a exemplo do que ocorreu no passado com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o PT, para conseguir governar. Bezerra rejeita o bordão da “nova política” e afirma que Bolsonaro, ao contrário do que dizem seus críticos, têm dado atenção a parlamentares, seguindo a tradição de dividir espaço com aliados.
Sua leitura é que a semana se encerra melhor do que começou para o governo. Embora reconheça que o presidente tenha a sua personalidade “e ninguém vai mudar”, ele diz que Bolsonaro está começando a compreender que é dele a responsabilidade de formar maioria no Congresso.
Falta articulação ao governo?
O ministro Onyx [Lorenzoni, Casa Civil], em conversa com os líderes na quarta-feira, disse que o governo tinha humildade de reconhecer que perdeu a oportunidade de fazer na Câmara um encaminhamento mais harmônico e aproximado dos partidos e das lideranças. E que seu desejo, no Senado, era expressar que precisa do apoio do Legislativo para tocar as reformas.
Parlamentares reclamam que conversas anteriores não resultaram em nada.A eleição de Bolsonaro representa uma ruptura do ciclo político, pois atropelou os partidos do centro democrático. Todas as candidaturas que se colocaram pelo centro foram engolidas pela polarização entre o PT de Lula e, de outro lado, o antipetismo. Bolsonaro teve a perspicácia de empunhar outras bandeiras, da segurança pública, da Lava Jato, do combate à corrupção e dos costumes. Também fez campanha negando a institucionalidade dos partidos, fazendo a ligação direta com o eleitor usando as redes sociais. Depois de eleito, ele procura materializar a concretização de seus compromissos. É o primeiro presidente desde 1947 que compõe uma equipe de governo sem consultar os partidos. É um novo ciclo, de desempoderamento dos partidos. Em fevereiro, o Congresso se instala renovado, mas são os partidos do centro democrático que têm as condições de dar a sustentação política para aprovar as reformas.
Ainda são? 
É só fazer a conta. Soma MDB, PSDB, PR, PSD, DEM, PP… Rodrigo Maia recebeu o apoio desses partidos porque significava recolocar o centro democrático, então varrido eleitoralmente, na cena política nacional. Temos um Congresso renovado mas que precisa mudar a cultura política. Antes, com os partidos empoderados, a cultura era a divisão ministerial, a entrega dos cargos e a divisão do poder, o tal do presidencialismo congressual. Bolsonaro rompeu com isso. A leitura agora é que todo mundo aqui é da política, vai enfrentar uma eleição em um ano. As pessoas identificaram que a agenda de Bolsonaro, com a exceção dos costumes, está correta.
E por que ainda não há base?
Porque as pessoas querem saber se o Bolsonaro quer ser parceiro político. O presidente que aprova uma agenda de reformas viabiliza um projeto de poder político pelos próximos 8, 12 anos. Ou não foi assim com o PT?
Mas ele parece dar sinais de que não quer ser parceiro dos políticos.
Calma, ele está numa transição que começou em 1º de fevereiro. Está há 40 dias na ativa e querendo formar a base. Na cabeça dele, o toma lá, dá cá são as confusões que ocorreram pelos desvios no passado. Ele generaliza e provoca irritação dentro do Congresso.
Ficou refém do discurso eleitoral? 
Ele está evoluindo no sentido de, sem abandonar os compromissos de campanha, criar e definir critérios que permitam a convivência com o Congresso e a construção da base. 
Isso é a nova política?Nova e velha política eram definições para a campanha. Agora é governar e não se trata de nova ou velha política, mas da boa política. O que a classe política quer, independente do que se fala em emenda e cargo, é saber se ele vai se associar aos partidos. Por exemplo, um deputado, uma liderança política que tenha a aspiração de ser prefeito da capital do seu estado, ele terá apoio do Bolsonaro? É isso que ele precisa compreender para definir as alianças que serão formadas daqui para frente. Não são os cargos que vão fazer a mágica. A mágica será feita quando as pessoas confiarem que ele quer ser parceiro e que vai compartilhar o sucesso de seu governo.
O presidente não dá um passo e acaba voltando 10 quando dá uma declaração inapropriada?Seria muito melhor que ele desse um tempo ao Twitter dele. Mas é a forma que ele tem para se comunicar.
Acha que bastaram os acenos que Bolsonaro fez no fim da semana?
Encerramos a semana superando os desencontros. Tanto o presidente quanto Maia está virando a página. As feridas estão cicatrizadas? Claro que não. 
O que tem que fazer mais? 
Quando voltar de Israel, Bolsonaro vai receber os presidentes dos partidos. Vai criar uma relação institucional e começar a mostrar que quer ser parceiro, compartilhar o sucesso do governo com os partidos que o derem apoio.
Não demorou?
Demorou. Mas se enganam aqueles que pensam que o presidente não está fazendo política. Levou deputados no avião com ele, chamou gente no gabinete, ligou. Ou você acha que Roberto Rocha, líder do PSDB, não ficou muito lisonjeado por ter ido com o presidente para os EUA para viabilizar o acordo que vai operar a base de Alcântara? O que é isso? Política. Vocês às vezes exageram ao subestimar a capacidade do presidente de fazer política. Subestimaram na campanha e ele ganhou.
Ao se reunir com líderes dos partidos, não vai ser cobrado por seu eleitor? 
O eleitor dele sabe que ele precisa construir a maioria no Congresso. É muito mais amplo que a militância das redes sociais. Depois da eleição, ele tem que se aproximar do centro. Como ele é da direita, ele tem que vir mais para o centro. Quando você tem um da esquerda, que foi o caso de Lula, ele teve que vir mais para o centro.
Na reforma da Previdência ele parece transferir a responsabilidade para o Congresso. 
Mas disse também, no outro dia, que a reforma é importante para o Brasil, para a agenda dele. O presidente tem a personalidade dele e ninguém vai mudar. Pode, aqui ou acolá, avançar, se equivocar, dar uma canelada. Mas, ao mesmo tempo, ele tem humildade de dizer ‘exagerei aí, vamos virar a página, passar para outra’. Você pode não gostar das ideias dele, da forma como ele fala, mas ele é uma pessoa simples. Está começando a compreender que a responsabilidade de formar maioria no Congresso é dele, do governo, nossa.
Como o sr. vê a atuação do PSL?De fato o partido precisa se alinhar. É natural que o presidente tenha responsabilidade em relação à orientação do partido. Luciano Bivar [presidente da sigla] e os líderes do partido também. Quando os senadores do PSL levantam críticas ou alternativas a proposta do governo, permitem que os questionamentos se espraiem por todas as outras bancadas. Você cria mais dificuldade para negociação.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Fernando Bezerra Coelho é muito experiente e só diz o óbvio. Bolsonaro devia ouvi-lo. O centro é o caminho do meio, que é sempre mais curto. (C.N.)

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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