quinta-feira, março 28, 2019

Nepotismo e Corrupção

Célio Simões. 


Eu era ainda um esforçado estudante do curso de Direito quando assisti uma palestra do ex-governador do Pará (que seria ministro do trabalho, da educação, da previdência social, da justiça e presidente do Senado Federal), coronel Jarbas Passarinho, quando ele fez uma interessante abordagem da origem, no Brasil, dessa verdadeira praga entranhada na administração pública que é o nepotismo, seja direto ou cruzado.
Disse o famoso político que a mais remota lembrança que se tem dessa perniciosa prática remonta ao descobrimento, quando Pero Vaz de Caminha, em missiva ao rei de Portugal, não se constrangeu em pedir um cargo para o genro, que seria remunerado, naturalmente, pela contribuição compulsória dos nativos da nova colônia, vítimas futuras de escorchantes taxas e impostos ditados pela Coroa, que nos idos de 1789 desaguou na Inconfidência Mineira, um dos mais relevantes movimentos sociais da história do Brasil.
Se conseguiu ou não a nomeação, o palestrante não informou, o que a meu ver se mostra irrelevante. Relevante é a circunstância de Pero Vaz ter feito o pedido em favor do contraparente, independente de ser por ele mensurada sua parca ou nenhuma qualificação para assumir o lugar pretendido.
Sem saber, o célebre o escrivão da frota deu o pontapé inicial no favorecimento gracioso na administração pública, tanto na colônia como no império, estendendo seus tentáculos, mais substanciosos, na fase republicana a partir de 1889, e assumida com extraordinário vigor nos dias atuais, onde proliferam notícias alarmantes desse procedimento aético e imoral - tanto em empobrecidas prefeituras nos rincões do País, como naquelas das capitais, governos estaduais e federal, onde a incompetência e o apadrinhamento se escondem fáceis nos órgãos da administração direta ou indireta, sempre receptivos na concessão de privilégios para os apaniguados do momento.
No mundo ocidental, uma de suas mais proeminentes figuras, que foi Napoleão Bonaparte, revelou-se não só um gênio na arte da guerra, cujas táticas foram assimiladas na maior conflagração mundial tanto por Adolfo Hitler, como pelos comandantes aliados que o combatiam, como um empedernido nepotista, haja vista que no remoto ano de 1809, nomeou “manu militari” nada menos que três de seus irmãos (Luciano, Luís e Jerônimo) a vários cargos de destaque, inclusive um de rei.
A Igreja Católica, muito antes de Napoleão ou Caminha, deu sua contribuição a esse indecoroso procedimento, tanto que a origem latina do termo (“Nepos”: netos ou descendentes), refletia esse tipo de relação tortuosa de alguns papas com sua parentada. Daí a chegar ao funcionalismo público, foi apenas questão de tempo. O curioso é notar que em tese os papas e cardeais jamais poderiam ter netos, mercê do voto de castidade, compromisso que sofre ultraje até hoje por muitos membros do clero (e são combatidos sem trégua pelo Papa Francisco), designados eufemisticamente como “sobrinhos”, para contornar o incômodo impasse e salvar as aparências. Deles todos, o papa espanhol Alexandre VI foi o que mais escandalosamente se entregou ao nepotismo, à corrupção, à vida mundana e ao suborno.
O Nepotismo é uma prática ilegal na administração pública. Configura-se, grosso modo, quando um agente político ou administrativo entrega de mão beijada um ou mais cargos públicos a seus familiares, pela simples razão de serem parentes, com o uso do poder ou do tráfico de influência.
Pelo fato da justiça brasileira proibir o nepotismo nos órgãos públicos, pode-se dizer que sua prática é uma forma de corrupção e diz muito sobre o caráter de quem o promove, assim como do próprio beneficiário. Nosso direito positivo profliga esse modus operandi, que ultraja o ordenamento jurídico e a consciência jurídica sendo por isso mundialmente repudiado.
Bem mais abjeto, pelo que tem de dissimulado é o chamado Nepotismo Cruzado, também ilegal, onde o esquema espúrio de privilégios funciona à base de um sub-reptício acordo de vontade entre as partes beneficiárias, visando favorecer os parentes de cada qual dos atores da farsa. Nem sempre fácil de ser detectado, considerando as ramificações dos serviços públicos, no mais das vezes verdadeiros monumentos à inutilidade, criados via de regra  com o escopo de albergar esse contingente ávido pelas benesses do cargo, quando bem poderiam conquistá-lo, se competência tivessem, pela estreita e seletiva porta do concurso público.
É a negação, na prática, do que preceitua o artigo 37 da Constituição da República, que consagra os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência que devem presidir os atos da administração, nos quais estão definidas as balizas para a contratação de funcionários para qualquer das esferas da administração.
Papel fundamental tem o Ministério Público, instituição incumbida de fiscalizar a correta aplicação da lei e zelar pelos interesses da sociedade, que deve oferecer combate sem trégua ao nepotismo, promovendo em desfavor de quem o pratica a competente ação civil pública por improbidade administrativa, onde é possível postular a reparação pecuniária integral do dano causado ao erário e a perda da função e dos próprios direitos políticos do acusado, pelo prazo especificado na lei de regência.
É compreensível, portanto, a revolta dos cidadãos que impotentes presenciam esse tipo de conduta de certos políticos. Nenhum deles, diga-se de passagem, tem o topete de revelar essa tosca intenção durante suas dispendiosas campanhas eleitorais. Se o fizessem, não se elegeriam. Assim explica-se e talvez até se justifique a veemência e a exaltação dos eleitores enganados e da própria imprensa, cuja missão é noticiar os fatos, tal seja a enormidade dos abusos impunemente cometidos.
Os romanos anotaram, como razoável justificativa para certas ações delituosas, o “ímpeto da justa dor”, como se lê num fragmento do famoso jurista Papiniano, inserido no Digesto. Não havia, em tais casos, ânimo de ofender e por conseguinte, qualquer ofensa. Por isso ainda causa perplexidade jornais e jornalistas eventualmente condenados pela justiça por noticiarem tal ilegalidade, apesar da clareza meridiana com que o Supremo Tribunal Federal tem decidido esse tipo de questão.
É dever da imprensa fazê-lo. Eventuais excessos, em tais situações, sempre foram considerados pelos tribunais com leniência e compreensão, diversamente do que ocorre quando as notícias são inteiramente falsas ou as imputações são gratuitas ou imotivadas. Entendo assim ser tarefa indeclinável do Ministério Público, com a independência funcional e a credibilidade que tem o combate firme ao nepotismo, erva daninha que contamina o próprio Estado Democrático de Direito inaugurado pela Constituição Republicana de 1988.
Onde a voz de um promotor se sentir ouvida ou sua palavra for lida, a ilegalidade e a injustiça de tais situações tendem a não prosperar, ou pelo menos - o que já agrada bastante - o abuso de certos políticos e gestores não será tão ostensivo, escandaloso, arbitrário e afrontoso.
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Nota da redação deste Blog - Procurei estudar e entender qual o motivo do NEPOTISMO ser condenado em quase todo o Brasil, em inúmeras cidades da Bahia, no entanto Jeremoabo encontrar-se e permanecer na CONTRAMÃO DA HISTÓRIA.

Para isso, peguei uma luz na narrativa do Dr. Célio Simões, adentrando  por analogia na " História" de Jeremoabo.

Diz o pessoal mais antigo de Jeremoabo, nossos antepassados, que os nativos(índios) que habitavam em Jurema em Flor, foram catequizados pelos Frades Capuchinhos.
Dizem que certo dia alguns malfeitores, mais ou menos ao lado da residência do Coronel Antonio Lourenço, covardemente bateram muito esses Capuchinhos que o sangue jorrou.
Diante de tamanha covardia e brutalidade, um daqueles capuchinhos ajoelhou-se, olhou para ´céu, orou e bradou a seguinte maldição: Jeremoabo, tu só crescerás como rabo de cavalo, para baixo.  

Superstição ou não, até a presente data Jeremoabo só cresce para baixo, como exemplo temos o caso do nepotismo, onde em pleno ano de 2019, a administração municipal de Jeremoabo ainda permanece na era dos descobrimento do Brasil, onde convivemos com atos permissivos solicitados por Pero Vaz de Caminha, e o pior, com autorização do " Rei".

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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