sábado, março 30, 2019

OS POLÍTICOS E OS PUXA-SACOS - POR PROFESSOR NAZARENO

Mas os canalhas são imprescindíveis em qualquer sociedade, infelizmente. Sem os mesmos para intermediar os recursos públicos e as obras, tudo ficaria mais difícil.


Por: Professor Nazareno

A classe política tem hoje no Brasil talvez a maior repulsa da população. Ódio mesmo. Quase ninguém quer ter seu nome associado a um político. Dificilmente pode-se encontrar um indivíduo que tenha alguma admiração por esta classe de gente. Ladrões em sua grande maioria, geralmente muitos procuram se eleger para se livrar da Justiça. Vários deles tentam nas urnas ganhar as imunidades e os privilégios que praticamente só existem no Brasil mesmo. Mas os canalhas são imprescindíveis em qualquer sociedade, infelizmente. Sem os mesmos para intermediar os recursos públicos e as obras, tudo ficaria mais difícil. O maior problema, no entanto, é que eles em vez de intermediar estes recursos às vezes metem a mão sem dó nem piedade no que seria usado para o bem de todos. Daí o ódio que muita gente honesta nutre por políticos.
Mas há quem goste deles. São os aduladores de plantão que não veem a hora de seu candidato ser eleito para depois também usufruir das benesses do que é público. Oschaleiras são muito piores do que os titulares. Alguns têm mais contatos com o povão, disseminam mentiras e são mestres em enganar os mais incautos. Hildon Chaves, por exemplo, nomeou um monte deles quando foi eleito prefeito de Porto Velho. Demitem-se os baba-ovos do político que sai e colocam-se os seus. É a regra no serviço público do Brasil. Sem concurso público para nomear os comissionados, a classe política faz a festa na cara da Justiça e da legislação vigente. Nunca ouvi dizer que um desses manteigueiros tenha tido algum problema para assumir, de forma imoral e indecente, qualquer cargo que ganhou só por que foi um bajulador durantea campanha eleitoral.
A primeira coisa que os lambe-botas dizem na campanha é que o seu candidato foi injustamente acusado de ter feito coisas erradas. “Imputaram-lhe mentiras e injustiças, mas ele vai provar que é inocente”, afirmam convictamente os corta-jacas. Como este ano tem-se campanha eleitoral, muitos deles já estão nas ruas.E junto aos seus “assessores de porra nenhuma”, os famosos aspones. Vão às escolas, dão entrevistas, falam isto e aquilo, fazem protestos contra os que estão no poder, distribuem certificados, menção de aplauso, títulos de cidadãos e outras porcarias aos tolos. E os xeleléus dizem que “se trata de um gestor nato, bem preparado, respondeu aos processos a ele imputados e nenhum deles determinou que ele, o canalha do político, fosse preso, tem pulso firme e será novamente eleito.Voto nele, com certeza”.
Veja-se o que está acontecendo agora com o Lula, o “anticristo endeusado”. Processado, acusado de receber propinas de empreiteiras, condenado já em segunda instância, ainda tem quem o defenda abertamente. Só não foi preso por que parte da elite e a própria Justiça não têm coragem para isso. Pior: todas as pesquisas indicam que o mesmo será eleito, com sobras, o próximo presidente do país. Os seus defensores e alcoviteiros o têm como um Deus e já o adotaram como político de estimação. Essesc andongueiros de plantão deviam responder na Justiça pelos erros de seus chefes. Por isso deve-se ter muito cuidado quando se quer apoiar um político em qualquer eleição. Nunca se deve pedir votos para ninguém sem ter a absoluta certeza da honestidade do seu político de estimação. O fracasso do eleito coloca também em maus lençóis seus capachos. Lula, Renan Calheiros, Romero Jucá, Aécio,Temer, Bolsonaro... É mole?
*É Professor em Porto Velho.
Fonte: Professor Nazareno / NewsRondônia

https://www.newsrondonia.com.br

Em destaque

E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

Mais visitadas