domingo, julho 26, 2009

OS CÍNICOS – OS “INOCENTES”

Laerte Braga

A cúpula da Igreja Católica em Honduras é um dos suportes do golpe militar que derrubou o presidente Manuel Zelaya. Não é novidade esse tipo de atitude dos principais dignatários – como gostam de ser chamados – da Igreja desde a ascensão de João Paulo II. O retrocesso a tudo o que havia sido conquistado no Concílio Vaticano II com os papas João XXIII e Paulo VI é notório. Bento XVI está apenas consolidando o caráter fascista dessa cúpula. Que se revela, inclusive, intramuros, já que padres e bispos considerados progressistas têm sido perseguidos muitas vezes de uma forma cruel e insana, típica das ditaduras. E a Igreja Católica é uma ditadura. Não se trata de discutir a fé. Fé é uma questão de foro íntimo Direito legítimo de cada um. O uso da fé como instrumento de poder, de dominação, esse não. É uma atitude canalha. Nesse momento, a Igreja Católica é um instrumento de opressão e barbárie a partir de sua cúpula, o papa inclusive e desde João Paulo II. Exceções? Claro. Cada vez em menor número à medida que vão sendo expurgados ou colocados num limbo pelos “generais/cardeais fascistas” do Vaticano. E o que parecia impossível. Com o surgimento de uma seita dentro do catolicismo, a chamada Renovação Carismática as paralelas se encontram no finito mesmo, seja em Honduras, seja na Colômbia, seja no Paquistão (de maioria muçulmana), no massacre impiedoso que o império norte-americano promove em todas as partes do mundo. Que paralelas? As chamadas seitas neopentecostais onde milhões de seres são ludibriados na ação política de estelionatários da fé como Edir, falo do Macedo. Retornamos à Idade Média. Nesse fase do processo histórico, a farsa que se repete guarda os barões em castelos de máquinas e tecnologias destrutivas, predadoras, assassinas e transforma seres humanos em robôs, amparados na percepção que pelos meios de comunicação é possível criar esse tipo de robô. De carne e osso. É a “personalidade do sabão”. Expressão criada em 1939 pelo psiquiatra Ernest Dichter, fundador do Instituto for Motivational Research com o objetivo de desvendar as motivações ocultas dos clientes a fim de melhor orientá-los para este ou aquele produto. Dichter descobriu que o laço que liga o consumidor ao produto não é de essência exclusivamente econômica. É também psicológica, o significar a maneira de ser ou de parecer. Comprovou sua descoberta em 1939 mesmo quando deu “alma” ao sabão IVORY, através dos conceitos de imagem e de personalidade de um produto. “Personalidade do sabão” é a denominação dada por Roger Gerard Schwartzenberg ao trabalho do psiquiatra. Consumidores somos todos nós, o rebanho de hondurenhos, de colombianos, de afegãos, de iraquianos, de palestinos, abençoados por líderes fascistas como Bento XVI e Edir, o Macedo, na convicção do reino eterno, da felicidade eterna e o sabão IVORY é hoje o american way life, o modo Obama de ser – pode ser modo Bush também – no espetáculo da sociedade cristã, democrática e capitalista. Consumismo a paz cínica e dos devoradores de humanos enquanto vivemos no “silêncio dos inocentes”. Não importa que nossa orelhas sejam arrancadas e nossas vísceras expostas, importa a marca do tênis e a capacidade de ajoelharmo-nos enquanto um boçal qualquer como Fausto Silva salva o mundo com seu domingo. Não por acaso, o “domingo é do Senhor”. Mas o deles. Homer Simpson que a princípio era uma denúncia, resta sendo uma verdade irônica e dolorosa.
Esta fantástica máquina acima esta sendo mostrada com orgulho pelos senhores do mundo. São aviões não tripulados, controlados por computador e que disparam mísseis contra inimigos em terra, ar ou mar. O presidente Barak Obama que passa vaselina antes de morder, determinou que os predadores fossem usados contra afegãos. Mais de 687 civis já foram mortos, o que dá um índice, segundo o TIMES ON LINE, de cinqüenta civis por cada líder da Al Qaeda, assassinato pura e simples.O tenente-general David Deptula explica cheio de orgulho que esses aviões cada vez menos vão depender de controle humano. Para o “patriota” norte-americano esses aviões são como se vivêssemos a década de 20 do século passado com o que está por vir. Por exemplo, o “bigDog”, um cão recheado de tecnologia, capaz de carregar 150 quilos, inclinações de até 35 graus. A idéia é que ele seja o “melhor amigo dos soldados”.Segundo o TIMES ON LINE, “tudo remoto, limpo, impessoal, matando insurgentes e não pessoas, sem qualquer risco (a não ser a perda do predador), do ar condicionado, de uma sala em Nevada, no expediente... E depois é só dirigir de volta para casa, beijar a mulher, ajudar os filhos nas tarefas escolares... Que amanhã tem, de novo, tudo igual, só com mais uns alvos a eliminar aqui e acolá”.São chamados de UAV e podem ser vistos, eles e outras maravilhas tipo “personalidade do sabão” em http://www.military.com/news/article/firm-building-man-carrying-vtol-drone.html?col=1186032310810&wh=news.Obama autorizou o uso desses aviões no Afeganistão, no Paquistão e quer instalar cinco bases militares na Colômbia – estado governado por narcotraficantes –. Em Honduras uma base militar mantém mil soldados dos EUA prontos para qualquer ação, como agora, o suporte logístico, que inclui armas, ao golpe de militares, empresários e latifundiários, abençoados pela cúpula da Igreja Católica, o silêncio cúmplice de herr Bento XVI e a santa aliança com os neopentecostais de gente como Edir, o Macedo (o outro no máximo pega uma propina aqui e outra ali, é pé de chinelo).


Este é o efeito da limpeza de IVORY, a “personalidade do sabão. É um cidadão hondurenho que foi à fronteira de seu país com a Nicarágua esperar o presidente constitucional do seu país, deposto por empresários, latifundiários, militares, narcotraficantes, criminosos de um modo geral, mas todos caminhantes com “Deus, pátria e família”, pela “liberdade” e pela “democracia”.

Aqui os “patriotas”, defensores dos “negócios”. A senhora Hilary Clinton quer “diálogo” entre as partes. Obama faz de conta que não é que ele. O condado do Canadá, a Sibéria dos norte-americanos vai reconhecer os golpistas como legítimos. Lógico, são cínicos. São senhores do mundo, ou parte do grupo de senhores. Têm a bênção de cardeais, papa, de pregadores e salvadores. Os alvos não são apenas hondurenhos. São os povos livres da Nicarágua, de Cuba, da Venezuela, do Equador, da Bolívia, de El Salvador, do Paraguai. Isso na América Latina. Mas estendem o complexo predador a todo o mundo. Afeganistão, Paquistão, Iraque e estão em condições de destruir o que for necessário para manter a “democracia”, “a liberdade”, para assegurar o “silêncio dos inocentes”. A complacência. Para que cada um compre democracia em um supermercado qualquer, seja PSDB, DEM, liberais, conservadores, a marca que preferirem.


v:shapes="BLOGGER_PHOTO_ID_5362781298323588514">
Esses “bravos e intrépidos defensores” dos valores mais altos que se alevantam para garantir o “mundo livre”, entraram em greve em dias da semana passada por melhores salários e para “protestar” contra o “excesso de trabalho”, por conta da resistência de insurgentes.São bestas feras moldadas segundo os interesses dos donos. Não existe perspectiva de saída – “a saída, onde fica a saída?” (sobrevivente do holocausto de Hiroshima, no filme Hiroshima mon amour, de René Clair) – no chamado mundo institucional. Na chamada legalidade democrática. Ela está toda contaminada pelos predadores e pelos “negócios”.A luta passa por outro campo e o tempo de lutá-la está passando. A resistência dos hondurenhos é um exemplo.E há um inimigo pior. Qualquer REDE GLOBO da vida, em qualquer desses países. Qualquer ser abjeto padrão Miriam Leitão ou William Bonner (variáveis aparentemente mais civilizadas de bestas/feras).Não sei porque, mas a resistência em Honduras me lembra Asterix e sua luta contra o império romano, os césares. A única poção mágica que temos é a capacidade de nos preservamos humanos. É a maior de todas. A mola mestra da resistência. Antes que sejamos apenas hordas de “civilizados” calçando sapatos de marca, tênis que nos permitem correr com mais desenvoltura e maior velocidade. E antes que estejamos tomando banho com o sabão IVORY.O poder predador do império ultrapassou os limites da sanidade e supera em muito a ficção. É lutar e lutar, só isso, mais nada. Porque isso é sobreviver, existir, coexistir e buscar conviver em bases dignas e humanas. E a culpa não é do Irã.A Dinamarca é um país “civilizado”. Em determinada época do ano jovens têm que mostrar que alcançaram a idade adulta, a maturidade. E o fazem na forma exibida nas fotos abaixo. Matança de uma espécie de golfinhos comuns na região. Faz parte do grupo de cínicos. Tingem as águas de sangue. É uma forma de aprender a matar e “libertar” o mundo dos “atrasados”.A Dinamarca enviou tropas para “salvar” o Iraque. O governo dinamarquês acha que o Irã é a ameaça mais perigosa ao futuro da humanidade. E que Israel tem o direito de prender, torturar, estuprar, assassinar, roubar palestinos e que o golpe em Honduras é apenas um ato de legítima defesa em nome da “maturidade” e óbvio, dos “negócios.”É por isso que continua havendo algo de podre por lá. Faz parte do complexo que conhecemos como EUA.


Jovens dinamarqueses provando que alcançaram a maturidade
Os golfinhos são da espécie “calderone” e se aproximam dos supostos humanos por pura curiosidade. Os cientistas consideram os “calderones” uma das espécies mais inteligentes dentre os golfinhos. Dentre esses jovens, certamente, futuros deputados, senadores, primeiros ministros, grandes empresários, os “donos” dos negócios”. Vão ajudar a libertar o mundo e traçar os caminhos para os inocentes.


Resultado de um dia de maturidade
Em seguida ao ato de afirmação dos dinamarqueses, um culto para que os jovens sejam introduzidos no mundo dos “negócios.” Recebem a bênção divina e podem desfrutar das jovens que se encantam com a coragem e a determinação dos “caçadores” – assassinos – todos cheios de patriotismo e orgulho comum às “raças superiores”. Não terão a menor dificuldade em apertar botões limpos e desinfetados que detonam bombas e matam atrasados no Irã, na Palestina, em Honduras. E como afirmou o TIMES ON LINE sobre os controladores dos aviões predadores, no fim do dia voltam para casa e agradecem o “golfinho” de cada dia. Golfinhos somos os inocentes.




Em destaque

E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

Mais visitadas