sexta-feira, agosto 29, 2008

Nove mortos em acidente na estrada do CIA

Por Silvana Blesa
Tragédia na estrada do Centro Industrial de Aratu (CIA). O choque frontal entre o microônibus de placa JQZ-0024 e a Kombi JPC-2236 provocou as mortes de nove pessoas e ferimentos graves em três outras, que estão internadas no Hospital Geral do Estado. Das vítimas, sete morreram no local e duas no HGE, horas depois do acidente. O acidente aconteceu na BA-526, por volta das 17 horas de ontem. As causas da tragédia não são conhecidas, mas as primeiras informações dizem que tudo aconteceu quando o microônibus tentou ultrapassar um outro veículo e, na contramão, pegou a Kombi de frente. O motorista do microônibus sobreviveu. Entre os mortos está uma criança de oito anos. Os passageiros da Kombi não usavam cinto de segurança. O microônibus de placa JQZ-0024 prestava serviços para a empresa Anatel e seguia para Salvador quando bateu de frente com a Kombi JPC-2236, que transportava passageiros de Salvador para Simões Filho. Segundo a Polícia Rodoviária Estadual, todos os mortos eram ocupantes da Kombi. No microônibus estava apenas o motorista, que foi levado para o Hospital Geral do Estado (HGE) juntamente com os quatro passageiros da Kombi em estado grave. Dois deles acabaram morrendo. Uma multidão cercou o local onde jaziam os corpos das sete vítimas que tiveram morte imediata. As vítimas fatais foram identificadas como Edson Pinto França, de 42 anos; José de Oliveira Silva, 61 anos; o pastor da Igreja Assembléia de Deus que conduzia a Kombi; Gilberto Barbosa dos Santos: o motorista de caminhão Rubem Ferreira de Araújo, 40: Raimundo Carlos da Silva Leite, que faria 31 anos hoje, um garoto que não foi identificado, aparentando 8 anos, e um adulto também não identificado até o final da noite. Das cinco vítimas levadas para o HGE, Lorimen Souza Santos, 31 anos, e Florisvaldo Cerqueira Gomes, 45, morreram no hospital, enquanto que Juarez Silva Oliveira, 45, Argel da Silva Santos, 39, e um adolescente de 14 anos estão internados em estado grave. Conforme o sargento da Polícia Rodoviária Estadual, Ronaldo Assis, o microônibus vinha em alta velocidade e tentou fazer uma ultrapassagem na via que não permite a manobra. “Pela posição em que os veículos se encontravam, tudo leva a crer que o motorista do microônibus não teve tempo de voltar para sua faixa. O condutor da Kombi ainda tentou jogar o carro no acostamento, mas não conseguiu”, disse o agente. Um helicóptero do Grupamento Aéreo da Polícia Militar (Graer) transportou as vítimas para o HGE. O Serviço de Atendimento Móvel e Urgência (Samu) também prestou socorro às vitimas.
Caminhão quebrou, motorista pegou a kombi e morreu
; Assim que soube da notícia do acidente, desesperada e amparada pelos amigos, a esposa do pastor Gilberto Barbosa dos Santos chegou ao local da tragédia e gritava pelo marido, que não mais podia responder aos apelos da esposa. Ela foi impedida pelos agentes de ver o corpo do marido que estava sendo periciado. “Meu marido está morto. O pai dos meus filhos, meu Deus que injustiça”, gritava a mulher sendo acompanhada pelos amigos. Segundo a polícia, todos os mortos residiam em Simões Filho e Centro Industrial Aratu (CIA). Na hora do acidente o garoto que aparentava ter 8 anos, comia um biscoito e com uma das mãos segurança o pacote, ele morreu na hora, preso nas ferragens. O impacto foi tão violento que os bancos da frente da Kombi se misturou com a lataria do carro que ficou totalmente destruída. O microônibus também ficou destruído, mas o motorista foi o último a ser socorrido pelo seu estado não ter sido considerado de muita gravidade. Um amigo de Rubem, um dos mortos, contou que ele era motorista de caminhão e trabalhava no bairro de Águas Claras, subúrbio de Salvador e sempre ia para sua casa onde residia em Simões Filho no próprio caminhão da empresa, mas ontem o caminhão teria apresentado problemas mecânicos e ele acabou pegando a Kombi como transporte. Rubéns deixou oito filhos e uma esposa. A causa do acidente será avaliada pela perícia técnica e o laudo deverá sair em torno de 30 dias.
Polícia recebe novas viaturas com tecnologia de comunicação
; Dotadas de GPS e tecnologia para intercâmbio entre as delegacias de todo o Estado, 20 novas viaturas foram entregues pelo secretário da Segurança Pública, César Nunes, aos delegados para reforçar o trabalho de investigação da Polícia Civil. Somente a Delegacia de Homicídios ficou com três veículos, o que agilizará os trabalhos naquela unidade policial com mais de mil inquéritos em andamento. O sistema GPS permitirá o monitoramento em tempo real, dos veículos Clio Renault 1.6, quatro portas , que servirão a 18 delegacias de Salvador e Região Metropolitana. Os veículos, como adiantou o Secretário , foram adquiridos por meio de licitação, totalizando investimentos da ordem de R$ 800 mil e entregues aos titulares de cada delegacia contemplada. A meta é dar suporte à polícia na repressão ao crime. “As viaturas descaracterizadas facilitam bastante o trabalho de investigação, na escuta de testemunhas e no acesso a diversos locais. E quem vai lucrar com isso é a sociedade”, afirmou o delegado-chefe da Polícia Civil, Joselito Bispo, durante a entrega. O secretário César Nunes, informou que está prevista uma nova licitação para a aquisição de outros 50 veículos para reforçar a frota da Polícia Civil. “Nossa meta é oferecer à população uma polícia cada vez mais forte e bem equipada”, comemorou Nunes. No mês passado outros 201 veículos foram entregues às polícias Civil e Militar.
Fonte: Tribuna da Bahia

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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