quinta-feira, agosto 28, 2008

Adelson Guimarães pede exoneração do cargo

O titular da Superintendência de Engenharia de Tráfego (SET), coronel Adelson Guimarães pediu ontem à noite exoneração do cargo, imediatamente aceita pelo prefeito João Henrique. Depois da insistência da paralisação dos agentes, que se tornou um movimento contra a permanência do superintendente, da intimação do Ministério Público para que ele prestasse esclarecimentos sobre a suposta “indústria de multa”, ontem foi a gota d`água, quando um trabalhador da Embasa foi impedido pelo coronel de interditar uma parte do trânsito para realizar seu trabalho, e ao tentar avisar ao seu chefe, foi surpreendido quando recebeu voz de prisão. O coronel disse ter sido desacatado, e confirmou que a obra não tinha autorização da SET. O fato chamou a atenção de alguns transeuntes, que chegaram a fotografar o momento, e revoltou ainda mais os manifestantes. Na última terça-feira, João Henrique chegou a anunciar um pacote de medidas para tornar a SET mais ágil e transparente, entre elas a divulgação de trechos com maior incidência de infração e a disponibilizar na Internet consulta sobre o andamento dos recursos contra as multas.
Lazer no mar é fonte de renda
Conhecidos por explorarem as belezas da Baía de Todos os Santos, os passeios de escuna são apontados como uma das principais programações de baianos e turistas. A opção, além de divertida, parece ser um negócio lucrativo, já que pode chegar a render ao seu investidor cerca de R$20 mil mensais, em período de alta estação. Com roteiros variados, as viagens têm duração entre oito e dez horas. O aluguel, a depender da capacidade da embarcação, pode custar de R$800 a R$2 mil. Há ainda uma programação fixa de passeios, com saída do Terminal Turístico de Salvador - localizado no Comércio, onde é possível a compra de bilhetes individuais. Neste caso, cada passageiro deve desembolsar de R$35 a R$70 – a depender do pacote oferecido. Em Salvador, estão cadastradas junto a Capitania dos Portos 200 escunas. No entanto, nem todas realizam passeios turísticos. Já aquelas que oferecem o serviço, cobram uma média de aluguel diário no valor de R$1 mil. Entre setembro e fevereiro, quando a procura pelo serviço é maior, alguns proprietários de embarcações chegam a realizar 20 passeios mensais. É o caso do capitão Horácio Lopes, dono de uma escuna com capacidade para cerca de 30 pessoas. “Em setembro começamos a registrar um aumento da procura. Durante este período, até fevereiro, consigo realizar uma média de 20 passeios por mês. É um bom número”, considera. A escuna de propriedade do capitão Lopes tem capacidade para 35 lugares. Neste caso, o aluguel não sai por menos de R$800. O valor das escunas varia conforme a capacidade. Em geral, a diária de uma embarcação, com capacidade máxima para 38 pessoas custa R$800, de 50 lugares sai por R$1.200, de 60 passageiros por R$1.400 e, finalmente, o aluguel de uma escuna com capacidade máxima para 100 pessoas sai por R$2 mil. “Este é o valor médio cobrado pelos proprietários de escunas. Para passeios, especialmente em época de maior procura, os valores não são menores que estes”, garantiu Lopes. No valor de todos os pacotes, independente do tamanho da embarcação, o acompanhamento da tripulação está incluso. “A tripulação pode ser de duas ou três pessoas. Normalmente é um capitão e outros dois marinheiros”, explicou Lopes. A segurança, enfatiza, é garantida “pois a Capitania dos Portos realiza freqüentes inspeções em todas as embarcações”, completou. Além do lucro, alguns gastos, como combustível e outras despesas da embarcação devem ser considerados. Conforme o marinheiro Luiz de Brito Bonfim, 28 anos, cerca de 50% do valor cobrado pelo aluguel é gasto na viagem. “É preciso garantir o pagamento da tripulação, contar com o óleo necessário para a viagem e ainda reservar algum valor para despesas extras da embarcação. Para uma viagem numa escuna de 100 lugares em que cobramos diária de R$2 mil, por exemplo, precisamos gastar algo em torno de R$1 mil”, detalhou. Proprietário de quatro embarcações, Bonfim conhece bem o negócio. Segundo ele, o público é bastante diversificado e o passeio não está restrito aos visitantes da capital baiana. “Não só os turistas mas também os baianos gostam muito do passeio. Empresas de turismo também alugam as embarcações durante a semana, porém os baianos não deixam de aproveitar o passeio nos finais de semana. Acho que o número de turistas e nativos é bem compatível”, disse. (Por Lorena Costa)
Ilhas paradisíacas na Baía de Todos os Santos
O destino preferido dos que contratam o serviço é a Ilha de Itaparica. O roteiro da viagem, que inicia as 8 horas da manhã e tem término previsto para as 17h, conta com parada na Ilha dos Frades, um paradisíaco vilarejo. “A maioria dos passeios que fazemos é em direção a Ilha de Itaparica. As pessoas gostam muito desse roteiro. Fazemos ainda parada de pouco mais de uma hora na Ilha dos Frades”, contou o marinheiro Raimundo Rocha, proprietário de seis escunas, onde a média de diária é de R$1.200. Na Ilha dos Frades, a principal atração é a igreja de Nossa Senhora de Guadalupe, uma construção do século 17 que, atualmente, encontra-se em ruínas. Do local, é possível ainda obter uma linda vista da praia. A diversão fica por conta das águas calmas e cristalinas do local. “É um lugar muito bonito e todos que vão gostam. Muita gente acaba até desistindo de completar a viagem. O lugar é bom também para a prática de mergulho”, completou. Em Itaparica, a região preferida é a de Ponta de Areia. De acordo com Rocha, o local conta com boa infra-estrutura e, normalmente, é lá que as pessoas almoçam. “Ponta de Areia é muito elogiada. A água é boa para o banho, calma e sem pedras”, completou. O roteiro em direção a Ilha de Itaparica é também o preferido da administradora Eloísa de Souza, 38 anos. No verão, ela garante que pelo menos duas vezes reúne os amigos para um passeio de escuna. “Gosto muito desse tipo de passeio. É uma sensação maravilhosa passar o dia em alto mar. Além de ser um ótimo ambiente para confraternização”, opinou. As escunas vão além da utilização como meios de transporte e servem como cenário de importantes eventos. No ramo há quase 30 anos, o capitão Carlos Eduardo Barbosa, 54 anos, disse que já chegou a alugar sua embarcação para realização de casamentos. “O pessoal aluga não só para realizar passeios, mas também para eventos. Há alguns anos, por exemplo, aluguei a escuna para que fosse celebrado um casamento”, recordou. Outros eventos também ocorrem em alto mar. De acordo com Barbosa, a lista é extensa. São batizados, aniversários, confraternizações e, até mesmo, seminários. “Já houve de tudo dentro da escuna. Eventos jovens e também comemorações de bodas de prata”, contou. Apaixonado pelo que faz, Barbosa confessa que o aluguel de escunas já contou com “dias melhores”, porém é ainda lucrativo. “Quando comecei, em 1980, os passeios de escuna eram bastante valorizados. Hoje já não é mais a mesma coisa, os valores estão estagnados há anos e a concorrência é muito grande, porém ainda existe mercado”, analisou. Para ele, os passeios de escuna são uma tradição na Bahia. “Faz parte da nossa cultura. Temos uma bela baía e os passeios de escuna fazem parte das férias de quase todos os baianos e, sem dúvida, está incluso na programação dos turistas”, completou.(Por Lorena Costa)
Liberdade ganha obras que beneficiam moradores
A Prefeitura de Salvador, por meio da Administração Regional IV (AR-IV), na Liberdade, realizou diversas obras e serviços na região visando melhorar as condições de vida da população que mora e trabalha na área. Há cerca de dois meses foram feitas intervenções em duas escadarias em Santa Mônica, construídas duas praças, uma na Vila Antônio Balbino e a outra da Cidade Nova, além da pavimentação asfáltica nas ruas Tupi Caldas, Laurindo Rabelo, Florêncio Correia, Jardim Vera Cruz (IAPI) e na Ladeira de São Cristóvão. Na Cidade Nova, praticamente reconstruiu a Rua Trasíbulo Ferraz, que no passado recente era formada por barro, mato e uma ribanceira. No setor de contenção de encostas, a AR-IV executou a obra na Rua Joana D´Arc e prossegue com o serviço da Avenida Argus, na Barros Reis, com 40 metros de proteção da encosta, onde os moradores sofriam com os constantes deslizamentos de terra em períodos de chuva forte. Na semana passada, a AR fazia o serviço de tapa-buraco, colocando asfalto na Rua São Lourenço, na Liberdade. A AR-IV também foi responsável pelo Banho de Luz na Rua Lima e Silva, a via principal da Liberdade, a cargo da Secretaria Municipal de Serviços Públicos (Sesp). Desde o início do ano, a AR da Liberdade tem realizado intervenções com o mesmo objetivo. Em abril, entregou totalmente reconstruída a Praça Nelson Mandela, situada na frente do Plano Inclinado Liberdade/Calçada, na parte alta. Ali foi feita a mudança de piso, colocados sanitários para taxistas, instalados mais telefones públicos, bancos, um parque infantil, um ponto de ônibus e o gradeamento.
Fonte: Tribuna da Bahia

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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